| Paulo,
aventuras da missão
Irmã Maria
Inês Carniato, fsp
Saulo viveu em Tarso por alguns anos após a conversão.
Em um belo dia, quando já pensava que todos o tivessem
esquecido, chegou seu velho amigo Barnabé, com o convite
da comunidade de Antioquia da Síria. Ele aceitou e foi
rumo ao desconhecido. Seu coração, porém,
ia repleto de expectativas de realizar seu sonho missionário.
O nome novo de quem segue Jesus
Em Antioquia da Síria, a comunidade recebeu um título:
cristãos. Nome que até hoje distingue as pessoas
e as comunidades que seguem Jesus no mundo inteiro.
Fundada 300 anos antes da Era Cristã, a cidade de Antioquia,
à margem do rio Orontes, durante muito tempo foi um centro
importante da cultura grega por todo o Oriente Médio. Ela
ainda existe e chama-se Antákia.
No ano 64 a.C. (antes de Cristo), os romanos fixaram em Antioquia
a residência do governador da província da Síria.
Foram modernizados o sistema de correio, as estradas e o porto
de Selêucia no mar Mediterrâneo, o que permitiu a
partida de navios para Roma.
A população da cidade era formada por macedônios,
gregos, sírios e judeus. Do ponto de vista da cultura e
da religião, assemelhava-se a Tarso, onde Saulo havia nascido
e estudado: tinha várias religiões e seus habitantes
acreditavam na vida após a morte. Essa cultura foi favorável
ao cristianismo porque as pessoas viram em Jesus a realização
de suas esperanças.
A comunidade de Antioquia foi residência do apóstolo
Paulo por cerca de 14 anos, mas desses, ele passou períodos
curtos
em casa e longo tempo em missão.
A vocação missionária nasceu na comunidade
O envio para a missão é uma escolha pessoal que
Deus dirige a uma pessoa. O livro Atos dos Apóstolos diz
com palavras claras que o Espírito Santo inspirou a comunidade
de Antioquia da Síria a enviar os missionários:
“Separai-me Barnabé e Saulo para a missão
a que os destinei” (At 13,2). Os dois partiram, em nome
da comunidade, para a aventura de comunicar o Evangelho.
Primeira viagem
Na ilha de Chipre, Paulo entrou no palácio do cônsul
romano. Anunciou o Evangelho e causou profunda impressão
naquele homem que, apesar de ser uma grande autoridade no Império
Romano, abriu o coração ao Evangelho.
De Chipre os missionários seguiram por mar para Perge,depois,
por terra até Antioquia da Psídia, Icônio,
Listra e Derbe.
Nessas cidades, anunciaram Jesus e assim foram fundadas as primeiras
comunidades paulinas na Ásia Menor, região que agora
se chama Turquia. .
Fé confirmada
Ao chegarem ao fim da viagem,os apóstolos voltaram
pela mesma estrada e entraram outra vez em todas as cidades para
ver se os primeiros convertidos continuavam firmes.
Organizaram comunidades e deixaram os novos cristãos confiados
à graça do Espírito Santo, na certeza de
que saberiam viver o Evangelho dentro de suas culturas e costumes.
De navio, regressaram para Antioquia da Síria. Lá,
foram recebidos com entusiasmo pela
comunidade, que agradeceu muito a Deus por saber que os pagãos
haviam compreendido e acolhido o anúncio de Jesus Cristo.
Dificuldades da vida missionária
Aventuras e sofrimentos desafiaram a coragem de Paulo.
Na cidade de Listra, ele se defrontou com uma cultura desconhecida.
A língua falada em Listra era tão misturada com
os dialetos nativos da região, que ficava incompreensível.
Por isso,após ter curado um enfermo, ele não entendeu
que a população o estava considerando um deus. Quando
tentou dizer que era um homem mortal, o povo se revoltou e o agrediu
a pedradas.
Os pagãos tinham costumes e idéias diferentes, mas
Paulo aprendeu a anunciar o Evangelho com a linguagem adequada
e, sobretudo, com seu testemunho.
Inclusive deu liberdade às comunidades nascentes para criarem
seu modo próprio de viver e celebrar a fé.
O missionário e a missionária são chamados
por Deus a anunciar e testemunhar o Evangelho. Portanto, é
preciso sentir o que Jesus sentiu e fazer o que Ele fez. Foi isso
que o apóstolo Paulo quis dizer quando escreveu aos gálatas:
“Já não sou eu quem vive, é Cristo
que vive em mim” (Gl 2,20).
*Texto publicado no Guia Vocacional, encarte da Revista Família
Cristã, edição de novembro de 2008
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