Infância e juventude do apóstolo Paulo
Irmã
Maria Inês Carniato, fsp
Um dia, em Jerusalém, o apóstolo Paulo revelou a um
comandante romano: "Eu sou judeu. Nasci em Tarso, uma importante
cidade da Cilícia" (At 21,39). Hoje, aquela região,
ao norte do mar Mediterrâneo, pertence à Turquia, e
a cidade natal de Paulo se chama Tarsus.
A vida familiar de Saulo
Os pais ou os avós de Saulo, o futuro Apóstolo Paulo,
talvez morassem na Galiléia. Não se sabe o motivo
que os levou a imigrar para a capital da Cilícia. É
provável que procurassem trabalho, por ser Tarso um centro
comercial.
Seja como for, a vida de uma família israelita era muito
semelhante, em qualquer lugar que ela vivesse. Os meninos, até
os sete anos de idade, eram educados pela mãe. Saulo certamente
aprendeu a língua da família, o aramaico, e brincou
com amiguinhos de sua idade nas ruas do bairro judeu de Tarso.
A educação
Aos 7 anos, Saulo deve ter entrado na escola judaica, onde aprendeu
a língua grega, estudando a tradução da Bíblia,
usada pelos judeus que viviam fora da Palestina. Pelos 13 anos,
conheceu o hebraico, ao cantar os salmos na liturgia da sinagoga.
O Ensino Fundamental dos meninos judeus de Tarso durava cerca de
oito anos. Compreendia o estudo de autores gregos e judaicos antigos
e o exercício de interpretação de texto e composição
literária.
Cidadania e sonhos
O título que Saulo revela ter herdado da família
dava-lhe poucos direitos (cf.At 22,22-28). Havia uma escala na
cidadania romana: os cidadãos plenos participavam do senado
romano; os cidadãos patrícios eram de famílias
ricas e comandavam os exércitos e as batalhas ou dedicavam-se
à vida intelectual e ao magistério; já os
cidadãos plebeus eram comerciantes, artesãos ou
pequenos proprietários de terra, com poucos direitos e
nenhum privilégio.
Talvez a família de Saulo tenha planejado fazer dele um
intelectual, para dar-lhe a chance de ser cidadão romano
patrício. Após o estudo em Tarso, o melhor caminho
a seguir era se tornar doutor da Lei judaica. Sobre essa época
de sua vida, ele vai contar aos gálatas, muitos anos depois:
"Eu progredia no judaísmo, mais do que muitos compatriotas
de minha idade, distinguindo-me no zelo pelas tradições
paternas" (Gl 1,14).
Foi a Jerusalém que o jovem se dirigiu, após deixar
em Tarso as pessoas que o amavam, a segurança da família,
os amigos e as boas lembranças da infância. Rumou
ao encontro do desconhecido, sem saber que Deus tinha reservado
para ele algo muito maior do que todos os sonhos que levava no
coração.
*Artigo publicado no encarte Guia Vocacional, encarte da
Revista Família Cristã - edição julho
de 2008
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