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Tiago
Alberione
Um
comunicador de Deus
Da
lavoura ao seminário
Tiago Alberione nasceu a 4 de abril de 1884 em São
Lourenço de Fossano, na Itália. Filho dos
camponeses Miguel Alberione e Teresa Rosa Alloco.
O trabalho duro da lavoura era de necessidade vital para
sua família, que cultivava uma terra que não
era sua. A rotina do trabalhador do campo consistia em levantar
de madrugada para ir cultivar a terra ainda cambaleando
de sono. Porém, a família de seu Miguel nunca
começava as atividades sem ter feito as orações
da manhã, a fim de começar bem o dia.
Tiago Alberione começou a frequentar a escola com
aproximadamente 6 anos de idade. Para chegar até
a escola precisava caminhar por volta de 3 quilômetros
um percurso interminável para uma criança
de apenas seis anos.
Um dia a professora pergunta aos 80 alunos o que desejam
ser quando crescer, e Tiago Alberione, após refletir
um pouco, responde firme e prontamente: “Vou ser padre”.
Em 25 de outubro de 1896, com apenas 12 anos e acompanhado
do pai, Tiago segue para o seminário de Brá
– na Itália, com o firme propósito de
ser padre.
Tiago Alberione desde pequeno soube enfrentar os desafios
que a vida vai exigindo. “Nunca desanimemos. Sejamos
sempre otimistas. A História é mestra da vida.
Nossas experiências do passado nos ensinam como agir
no futuro. Perdida uma batalha, enquanto vivermos, há
sempre tempo para vencer outra.”
Uma noite luminosa
Estamos na virada do século no ano de 1900. Alberione
prossegue entusiasmado no ideal de ser padre.
Agora com 16 anos e o coração transbordando
pelas necessidades da Igreja e da sociedade, com o surgimento
de novos meios e formas de comunicação, novas
correntes filosóficas, novas ciências. A humanidade
começa a tomar um novo rumo, um novo horizonte começa
a surgir. A Igreja deve acompanhar e ajudar a orientar as
pessoas para esse novo século que está começando.
“Para onde caminha, como caminha e para que meta caminha
esta nossa humanidade sobre a face da Terra? A humanidade
é como um grande rio que vai se lançar na
eternidade” - pensava Tiago Alberione.
O próprio Alberione descreve, 53 anos mais tarde,
como foi importante e significativa a experiência
realizada nesta noite.
“A noite que separou este século do século
passado foi decisiva para a missão específica
e o espírito particular próprios da Família
Paulina. Fez-se depois da missa da meia-noite, solene adoração
eucarística, na catedral de Alba, na Itália.
Os seminaristas de Filosofia e Teologia tiveram liberdade
de ali permanecerem por quanto tempo quisessem.
Depois da missa, a oração prolongou-se por
quatro horas, pedindo que o novo século começasse
em Cristo Eucaristia; que os novos apóstolos saneassem
as leis, a escola, a literatura, a imprensa, os costumes,
que a Igreja tivesse um novo impulso missionário;
que fossem usados bem os novos meios de comunicação.”
Uma luz particular veio-lhe da Eucaristia: compreendeu melhor
o convite de Jesus: “Vinde a mim todos” (Mt
11,28).
Alberione parece compreender o convite da Igreja, a verdadeira
missão do sacerdote, os apelos da sociedade e das
pessoas de bem. Sentiu-se profundamente obrigado a se preparar
para fazer algo por Deus e pelas pessoas do novo século
com as quais viveria. A partir dessa experiência profunda
de Deus Alberione vai orientar toda sua vida para o anúncio
do Evangelho através dos meios de comunicação.
“Nem sempre podemos falar de Deus, mas podemos falar
de tudo cristamente”.
Sempre conduzido por Deus, Alberione segue seu caminho vocacional.
No dia 14 de outubro de 1906, recebe sua ordenação
diaconal e, no dia 29 de junho de 1907, com 23 anos,foi
ordenado sacerdote na catedral de Alba, Itália, pelo
bispo Dom José Francisco Re.
O surgimento de uma grande árvore
Deus manifestava-se inspirando, iluminando e fazendo sua
obra crescer. Na intimidade da oração e nos
fortes apelos de Deus, Padre Tiago Alberione percebia que
sua vontade era que existissem outras congregações
para servir na Igreja. Assim, após a fundação
dos Padres Paulinos - Sociedade São Paulo em 1914
- teve início a Congregação das Irmãs
Paulinas - Pia Sociedade Filhas de São Paulo em 1915.
As duas congregações possuem a mesma finalidade,
anunciar Jesus Mestre Caminho, Verdade e Vida através
dos meios de comunicação para a sociedade
de hoje. A família não para de crescer...
Em 1923, surgem as Irmãs Pias Discípulas do
Divino Mestre, em 1936, as Irmãs de Jesus Bom Pastor
e, em 1955 a Congregação das Irmãs
de Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos.
Em 1960, iniciam-se os Institutos Seculares: de Jesus Sacerdote,
de São Gabriel Arcanjo, de Nossa Senhora da Anunciação,
Sagrada Família e os Cooperadores Paulinos.
“Levantai os olhos e vede uma grande árvore
na qual nem se vê a copa: esta é a nossa congregação,
que é verdadeiramente uma grande árvore. Vocês
estão ainda nas raízes.”
Um sonho, um desejo, uma realidade
Padre Alberione contou com a colaboração de
Irmã Tecla Merlo, primeira Irmã Paulina e
Superiora-Geral, que soube transmitir à Congregação
das Filhas de São Paulo a verdadeira fisionomia religioso-apostólica
que o fundador lhe dera.
Irmã Tecla orientou com fidelidade e segurança
as iniciativas apostólicas e a vida espiritual e
comunitária das Filhas de São Paulo. Sua sabedoria,
esforço e equilíbrio fizeram a Congregação
crescer e espalhar-se em muitas nações. Inúmeras
vocações começaram a surgir para essa
nova missa. Entre elas queremos destacar uma de nome Tersilla
Baldi.
Faltavam poucos meses para o término do segundo noviciado
da jovem, Tersilla Baldi. Ela é convidada a providenciar
os papéis necessários para o passaporte. Seus
sonhos de ser missionária irão se tornar realidade
em breve. Fora escolhida por Padre Alberione para ser a
primeira missionária a lançar sementes além-mar.
Ajoelhada diante da Superiora-Geral, a nova missionária
pronuncia pela primeira vez os votos de pobreza, castidade
e obediência, na congregação que tanto
amava.
O fundador Padre. Tiago Alberione, que presidia aquela tão
singular cerimônia, ofereceu à neoprofessa
um crucifixo, um livro dos Evangelhos e um terço,
sinais de um mandato missionário e de uma espiritualidade
vinculada à missão específica que assumia.
Ao impor-lhe o nome de “Dolores” disse: “Parta
para São Paulo, Brasil. Nossa Senhora das Dores,
ao pé da cruz, colaborou para a salvação
dos homens; você poderá fazer o mesmo enquanto
santificar a si mesma”, depois de uma breve pausa
continuou: “O Arcebispo daquela cidade não
quer as Filhas de São Paulo em sua diocese. Vocês
vão assim mesmo. Mantenham-se em silêncio,
vistam-se de vermelho, de amarelo, se for preciso... Depois
se verá...” sem outras palavras, abençoou
a jovem religiosa e se despediu.
No Conde Rosso rumo ao Brasil
Começa no dia 7 de outubro 1931 a maratona para o
embarque Alba, Roma, Gênova. “Mas quem irá
comigo para o Brasil?” - pensava irmã Dolores.
Quando o majestoso navio se fez ao largo, ao som da orquestra
de bordo e aos gritos de auguri e adeus dos que
ficavam, enquanto a bela Gênova ia desaparecendo de
suas vistas, irmã Dolores deu vazão às
lagrimas contidas no peito e chorou, chorou longamente,
chorou não porque deixava a Itália, pois desejava
ardentemente ser missionária. Chorou por se sentir
sozinha... por não ter uma companheira paulina. O
que fazer? O que começar?
Foram inúmeras dificuldades que irmã Dolores
enfrentou em terras brasileiras. Mas também não
lhe faltaram boas pessoas para lhe estender a mão
e ajudá-la a começar a dar os primeiros passos
e a lançar as primeiras sementes que dariam ótimos
frutos.
A sua companheira paulina chegaria somente três meses
depois no dia 28 de dezembro de 1931. A jovem e recém-professa
Irmã Stefanina Cillario.
Como sempre nascer na simplicidade e na pobreza
Depois de três anos da chegada das primeiras Paulinas
ao Brasil, nasce o primeiro número da Revista Família Cristã. Irmã Stefanina
Cillario percebeu que uma revista seria um ótimo
meio de evangelização da família brasileira,
seguindo a intuição carismática do
fundador Tiago Alberione a exemplo da Família Cristã
Italiana.
O primeiro número foi publicado em dezembro de 1934,
num formato de 22cm x 15cm, papel-jornal, 16 páginas,
branco e preto. A capa mostrava a família de Nazaré:
São José trabalhando, ao seu lado, Jesus adolescente
sob os olhares de Maria.
Como diretor oficial figurava o nome de Baldi Tersilla.
E a Família Cristã apresenta-se assim:
“Não achareis nela erudição,
nem elegância de veste tipográfica, mas uma
boa palavra para o bem de vossas almas, instruções
para o desembaraço das vossas ocupações
diárias”.
Dois anos depois, em 1954, Revista Família Cristã
passou a ser impressa na Gráfica Ambrosiana.
Irmã Stefanina lembra: “Foi neste ano que o
Padre. Alberione, vendo que a revista era predominantemente
feminina, insistiu para que ela se dirigisse a toda a família,
fazendo jus ao seu nome. Disse, expressamente, que deveria
ter artigos para todos os membros da família, indo
ao encontro das necessidades de cada um, segundo as circunstâncias
em que vivem. Disse ainda que era bom dedicar uma ou duas
páginas às crianças”.
Em 1955, a novidade da Revista Família Cristã
foi a nova apresentação do título feito
a mão, que deu à revista um rosto mais jovem.
A tiragem já chegava a 75 mil.
Ao atingir 25 anos, a revista passou a ter dois cadernos:
um impresso em branco e preto e outro a quatro cores, somando
28 páginas. O número de assinantes não
parava de crescer e chegava a 130 mil. As seções
mais lidas eram: Confia-me seu problema, Explicação
do Evangelho, Utilidades práticas, Páginas
da Bíblia, Carta do mês e fotonovela.
Na década de 80 a Revista Família Cristã
passou a ser impressa no parque gráfico da Editora
Abril, chega ao auge atingindo a sua maior tiragem: 217
mil assinantes. Hoje a Revista Família Cristã,
já não conta com 217 mil assinantes, porém,
continua a ter em suas páginas o mesmo carinho, a
mesma preocupação, de colaborar para a educação,
informação e formação das famílias
brasileiras.
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