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São Paulo-SP, 19 de julho de 2010

Bienal e Paulinas: uma festa da cultura, da tradição, do lazer...

Mais que se sensibilizar e aprender, a ordem é participar, criar, deixar a imaginação à solta.

A Bienal do Livro de São Paulo tem sido importante palco para Paulinas mostrar toda sua expertise quando os assuntos são cultura, informação, lazer. Mais uma vez, a editora prestigia o maior evento literário do País, em sua 21ª edição, de 12 a 22 de agosto de 2010, no Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi. O evento em si já é uma festa, mas Paulinas tem outros motivos para celebrar mais esse encontro de onze dias com o público. Este ano, celebra 95 anos em sua comunicação a serviço da vida; portanto, é em clima de comemoração que monta o estande, sua programação e novidades para os cerca de 800 mil visitantes esperados pela organizadora.

Com mais de 1,5 mil títulos à disposição, entre acadêmicos, didáticos, religiosos, infantojuvenis, etc., a editora não economiza esforços para superar os números da última edição. Literalmente, o estande, de 150 metros quadrados, quer ser um ponto de encontro para educadores, pais, alunos, jovens, crianças... O layout de gôndolas e displays foi reformulado de modo a destacar ainda mais a ampla gama de assuntos e títulos.

Criar e brailar
Dois segmentos serão privilegiados nesse encontro: o de formação de professores e, claro, o infantojuvenil. Dentro deste, um, mais que especial, vem merecendo esforço extra de Paulinas nos últimos anos. Depois do pioneirismo com livros para braile no Brasil (com Dorina viu, na Bienal de 2006), Paulinas continuou investindo e tem na professora mineira Elizete Lisboa a principal incentivadora.

Veterana de bienais, Elizete (sempre com suas bruxinhas) promete, de novo, encantar a criançada e os adultos (por que não?), a começar por Benquerer bem amar, mais uma novidade no portfolio de livros em tinta e braile da editora. Renovada, sua oficina Brincando de livros, brincando de braile será a oportunidade para quem ainda não aderiu ao sistema a perceber que, pelo toque, pela sensibilidade, é possível ganhar o mundo, afinal, “há palavras para as cores; há palavras para o invisível e até para o que não existe. Com palavras, podemos ver. Então, o que é o não ver?” A oficina tem sido um sucesso. Na última Bienal, em 2008, por exemplo, Elizete se emocionou com um recadinho, em braile, de uma criança que acabara de participar da oficina: “Desculpe. Tenho que ir com minha mãe. Adorei te conhecer.”

Mais que se sensibilizar e aprender, a ordem é participar, criar, deixar a imaginação à solta, perambulando pelo estande: Paulinas decidiu “cutucar” a criatividade e ver até onde a garotada pode ir com um lápis na mão. Palavras-chave espalhadas pelo chão são um convite para que escrevam ali mesmo, no solo, suas histórias. Desafio puro. Surpresas aguardam as melhores criações. Os pequenos podem buscar inspiração nas histórias preparadas pelo contador Gesiel de Oliveira e conhecer mais O mundo do livro no DVD criado por Paulinas para contar a trajetória de uma boa ideia até ir parar nas páginas de um livro.

Se começar cedo a criar, não vai querer parar mais. Que o diga Eduardo Longevo, nome literário do antropólogo e pesquisador Octavio da Costa Eduardo, 90 anos, que leva à feira O coelho e a onça. Trata-se de uma adaptação de três divertidos contos brasileiros de origem africana, recolhidos em 1944 na pequena comunidade rural de Santo Antônio dos Pretos, no município de Codó, no Maranhão. As imagens da designer gráfica Denise Nascimento completam o valor histórico do texto, pois ela conseguiu revelar nos traços e nas cores a essência dos contos africanos: a resistência diante das adversidades.

Por falar em história, Triste fim de Policarpo Quaresma, clássico da literatura brasileira, de Lima Barreto, é recontado por Luiz Galdino em Policarpo Quaresma das crianças, e passa a integrar a série infantil da coleção Clássicos do mundo. Daniel Araujo, o ilustrador, esmerou-se na pesquisa sobre o Brasil da época, representando os personagens com traços marcantes até mesmo caricatos, e conferiu a Policarpo uma candura tão evidente que não há como não se apaixonar.

Formação divertida
Em meio a tanta festança, mais cultura popular, pesquisa, poesia. É a diversidade do livro Folias e folguedos do Brasil, desculpa pra lá de colorida para o folião, ator, músico e arte-educador Inimar dos Reis fazer sua performance “O Brasil que canta e dança”. Igualmente envolvidos com a cultura popular brasileira, Valdeck de Garanhuns e sua mulher, Regina Drozina, autores das xilogravuras que enobrecem a obra, apresentam Benedito, um boneco mamulengo cheio de boas histórias.

A obra Folias e folguedos do Brasil é uma “mão na roda” para professores e alunos trabalharem “na prática” as danças populares brasileiras em sala de aula, celebrando com orgulho o que temos de melhor: nossa identidade cultural. Outra obra, também em destaque no evento e que complementa esse trabalho de resgate de nossas raízes, é Curumim Poranga, da pesquisadora e estudiosa da cultura indígena, Neli Guiguer. Nela, o indiozinho Poranga desfia um monte de palavras e expressões da língua Tupi que deixam ainda mais rico o nosso vocabulário.

As escritoras Sonia Bufarah Tommasi e Luiza Minuzzo chegam para divulgar Origami em Educação e Arteterapia, em que resgatam a arte milenar de dobradura de papel como proposta psicopedagógica e arteterapêutica. No bate-papo com professores, querem suscitar reflexões sobre o atual processo de ensino-aprendizagem, e sugerir novos caminhos interdisciplinares a partir dessa simples técnica, já tão presente nas escolas brasileiras. Já as pesquisadoras Heloísa Dupas Penteado e Elsa Garrido vão apresentar aos professores a obra Pesquisa-ensino, na verdade, um convite para que repensem suas práticas, partilhem questionamentos e experiências e transformem seu labor em pesquisa reflexiva e criadora.

Texto: Joana Fátima Gonçalves (MTB: 20.287/SP)
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Dorina Nowill, Cláudia Cotes - autora da obra "Dorina Viu" e a escritora deficiente visual Elizete Lisboa, na Bienal de 2006.
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