Em face da pluralidade de religiões, a questão que se coloca é: como entendê-las como fato sociológico e também como significação teológica? A Comissão Teológica da ASETT (Associação Ecumênica de Teólogos e Teólogas do Terceiro Mundo) para a América Latina elaborou um projeto composto de cinco obras coletivas para a discussão das questões que se colocam para a Teologia da Libertação a partir da pluralidade de religiões no mundo globalizado.
Esse volume, procura trabalhar os temas cristãos latino-americanos à luz de um paradigma pluralista. Começa tratando da relação entre revelação e revelações (Tissa Balasuriya), do conceito de sagrado na teologia negra (Sílvia Regina de Lima Silva) e das características do cristianismo andino (Roberto Enrique González, Manuel Pliego Iglesias & Fernando Beriain Aguirre). Aborda-se, em seguida, a questão do corpo, numa ótica feminina (Wanda Deifelt).
Os estudos que se seguem, de natureza mais sistemática, discutem a delicada questão do uno e do múltiplo, ou seja, de Deus numa perspectiva pluralista (Marcelo Barros & Luiza Etsuko Tomita). O Pe. José Comblin aborda, então, o tema da unicidade de Jesus libertador numa ótica pluralista, e Faustino Teixeira reflete sobre a problemática eclesiológica da questão.
Dificuldades particulares surgem quando nos colocamos na perspectiva missionária (Cristian Tauchner), a serem enfrentadas à luz da salvação universal, sempre numa perspectiva pluralista (Etienne A. Higuet). Finalmente, José María Vigil elabora uma espiritualidade pluralista da libertação e Marcelo Barros fala da oração cristã a partir de uma teologia pluralista da libertação, cabendo a Joaquín Ernesto Garay explorar possíveis contribuições da Teologia da Libertação pluralista à construção de uma ética mundial. Ivone Gebara discorre sobre o pluralismo religioso numa perspectiva feminista e Diego Irarrázaval completa o volume refletindo sobre a pluralidade nas teologias.
Concluindo, a Teologia da Libertação considera a pluralidade de vozes humanas um fato positivo no concerto da revelação e salvação que vem de Deus. Isso faz com que teologias cristãs na América Latina dialoguem com outros caminhos crentes que conduzem a fontes de sentido e poder sagrado. Alguns distinguem três posturas: exclusão, inclusão e pluralismo. E falam de uma Teologia pluralista da Libertação; ou melhor, de Teologia da Libertação pluralista ou a partir do paradigma pluralista. O mais significativo parece ser se deixar interpelar pela pluralidade e dar razão da esperança de uma libertação universal. A pluralidade é um fato e um desígnio de Deus.
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