A obra estuda com cuidado e com simpatia as aparições da Virgem Maria em 1432, na comuna de Caravaggio, situada entre Veneza e Milão, a uma jovem camponesa, Joaneta Varoli. As narrativas que possuímos do acontecimento poderiam, à primeira leitura, ressoar de forma mitológica e estranha aos ouvidos modernos. Mas o autor, trabalhando os símbolos presentes nessa linguagem, vai desdobrando os significados e propiciando-nos a saborear experiências amplas e insuspeitadas, em cada detalhe. Sua convicção de base é de que a abordagem do sagrado não se faz nem única, nem principalmente pela teologia, mas pela experiência e pelo sentimento, que seguem caminhos misteriosos, para nos fazer "conhecer" o mistério de Deus.
O autor tem presente o santuário de Caravaggio de Farroupilha, na diocese de Caxias do Sul (RS) e visa a propor, com base nos relatos do século XV, uma interpretação consistente das aparições, que fariam da Virgem Maria o ícone do cuidado de Deus e servem de base para o desenvolvimento da ética do cuidado, tão significativa na realidade religiosa dos nossos dias, especialmente entre os pobres. O fato de ser desconhecida pela maioria das pessoas, pode tornar a aparição de Caravaggio mais atraente à medida que se conhece a história e se desenvolve, paralelamente, um estudo da simbologia mariana dessa aparição e das demais manifestações da Virgem, mais conhecidas e até reconhecidas pela Igreja.
Depois de descrever as aparições e considerá-las à luz da teologia mariana, o autor propõe que a Virgem de Caravaggio seja considerada como o "ícone do cuidado de Deus", sendo, verdadeiramente, mãe de misericórdia, mais mãe do que rainha, "aurora e profecia de Deus cuidador", o que lhe permite desenvolver, para terminar, uma verdadeira "dogmática mariológica na perspectiva do cuidado".
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