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Apaixonados
anunciadores da Boa Nova na «ágora» moderna
Joana T. Puntel, fsp .
Considerando o quadro evolutivo da trajetória da
comunicação, mencionado brevemente, e a provocação
que a cultura midiática cria e re-cria na sociedade
hoje, damo-nos conta de que algo, nunca vivido anteriormente,
está se passando e “forjando um novo sujeito”
na sociedade, onde permanecem necessidades fundamentais
do ser humano, mas modificam-se rápida e profundamente
a sua forma de se relacionar. É o que constitui o
aspecto antropológico-cultural da mensagem de Bento
XVI em seu tema “Novas tecnologias. Novas relações”.
Como cristãos, é grande a satisfação
por constatar que o Magistério da Igreja avança
no esforço e no incentivo de que a Igreja seja um
sinal que aponte Jesus Cristo, mas na “ágora
moderna”. Sim, é ali que a Igreja deve ser
e estar. “Este é um dos caminhos onde a Igreja
é chamada a exercer uma `diaconia da cultura´
no atual continente digital” (Mensagem 2009). E o
Papa Bento XVI, continuando sua reflexão, nesta linha,
por ocasião do Dia Mundial das Comunicações,
volta-se, agora de maneira especial aos sacerdotes, cuja
tarefa principal é a de “anunciar Cristo, Palavra
de Deus encarnada”; e como diz Paulo: “Ai de
mim se não evangelizar” (1Cor 9,16). Esta tarefa,
jamais o sacerdote poderá abdicar. Mas as formas
de fazê-lo, sim, estas devem avançar, atualizar-se.
Estamos, agora, no mundo digital, em outras palavras, em
uma nova ambiência, onde o mundo inteiro, graças
às novas tecnologias de comunicação,
vive uma cultura midiática, onde impera o digital.
As transformações vividas no mundo de hoje,
nos fazem encontrar um “novo sujeito” com o
qual a evangelização (e no caso os sacerdotes)
deve se comprometer e, ocupar-se pastoralmente.
Nas palavras de Bento XVI, “aos presbíteros
é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo
digital em constante fidelidade à mensagem evangélica,
para desempenharem o próprio papel de animadores
de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente
através das muitas «vozes» que surgem
do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não
só aos media tradicionais, mas também ao contributo
da nova geração de audiovisuais (fotografia,
vídeo, animações, blogues, páginas
internet) que representam ocasiões inéditas
de diálogo e meios úteis inclusive para a
evangelização e a catequese” (Mensagem/2010).
Vários são os desafios que decorrem da afirmação
do pontífice, já aqui enunciada, e que nos
fazem refletir em profundidade e sinceridade, mesmo que
a extensão do comentário seja breve, mas não
superficial. É o COMO o sacerdote é convidado
a estar presente, com capacidade, no mundo digital.
Primeiramente ser “apaixonados” pela Palavra.
Longe de colocar-se como um simples operador dos mídia,
o presbítero é convidado (e chamado!) a aproveitar-se
sabiamente de todas as oportunidades que a comunicação
moderna oferece. Mas deve ser um apaixonado! Assim diz o
Papa: “Que o Senhor vos torne apaixonados anunciadores
da Boa Nova na «ágora» moderna criada
pelos meios atuais de comunicação” (...)
O presbítero deve fazer transparecer o seu coração
de consagrado, para dar uma alma não só ao
seu serviço pastoral, mas também ao fluxo
comunicativo ininterrupto da «rede». Aqui se
delineia toda uma espiritualidade comunicativa, profunda,
do sacerdote, que deve ser consciente para não se
deixar levar simplesmente pelo fascínio da máquina
e ser mais um “operador” da mídia, mas
ser capaz de “mostrar” ali, nessa nova ambiência,
o rosto misericordioso de Deus. É a garantia da pastoral,
a alma da pastoral: sua intimidade com o Senhor, que, agora,
no mundo digital, o sacerdote abraça como uma nova
modalidade de anunciar Jesus. Insiste Bento XVI: “é
preciso não esquecer que a fecundidade do ministério
sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado e escutado
na oração, anunciado com a pregação
e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos
sacramentos sobretudo da Santíssima Eucaristia e
da Reconciliação”.
Outro desafio: ser competentes, com uma sólida preparação
teológica e uma consistente renovação
cultural, que se atualiza constante e progressivamente,
oferecendo segurança em trilhar por caminhos novos
de evangelização, abrindo (e deixando abrir!)
novos horizontes para que a Palavra seja mais viva em calar
no coração dos que a recebem, na cultura contemporânea.
Portanto, a formação e a atualização
indispensável, já recomendada abundantemente
nos documentos da Igreja sobre a Comunicação.
Neste desafio, entra o desafio de abertura para os leigos,
um espaço que, em muitíssimos ambientes da
Igreja, deve ainda ser conquistado.
Além do COMO o sacerdote é convidado a estar
presente, no mundo digital, apresenta-se, também,
o COMO IR ao mundo digital. Além dos itens já
mencionados e, de certa forma inseridos também nesta
nova consideração, o Papa afirma que “a
tarefa de quem opera, como consagrado, nos mídia
é aplanar a estrada para novos encontros, assegurando
sempre a qualidade do contacto humano e a atenção
às pessoas e às suas verdadeiras necessidades
espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta
nossa era «digital», os sinais necessários
para reconhecerem o Senhor; dando-lhes a oportunidade de
se educarem para a expectativa e a esperança, abeirando-se
da Palavra de Deus que salva e favorece o desenvolvimento
humano integral”. Deprende-se daí que, no mundo
digital, o presbítero não vai encontrar o
“sujeito” que, talvez desejaria, mas alguém
que vive nas numerosas encruzilhadas, arquitetadas em um
“denso emaranhado das auto-estradas que sulcam o ciberespaço”.
Mas é ali que “o direito de cidadania de Deus
em todas as épocas, (...), através das novas
formas de comunicação, possa passar pelas
ruas das cidades e deter-se no limiar das casas e dos corações,
fazendo ouvir de novo a sua voz: «Eu estou à
porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir
a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo»
(Mensagem 2010). O diálogo, portanto, sempre terá
em conta as diferenças e a diversidade de opiniões.
Devemos ir para dialogar e propor. Nunca para impor!
Abrir caminhos para a esperança, no mundo digital,
e o diálogo com os não crentes são
oportunidades sem par que o mundo do ciberespaço
oferece à pastoral, hoje. Por isso, uma pastoral
no mundo digital precisa levar em conta também aqueles
que não acreditam, os que caíram no desânimo,
mas têm em seus corações desejos de
absoluto e de verdades que não passam. E conclui
o Papa: “do mesmo modo que o profeta Isaías
chegou a imaginar uma casa de oração para
todos os povos (cf. Is 56,7), não se poderá
porventura prever que a internet possa dar espaço
– como o «pátio dos gentios» do
Templo de Jerusalém – também àqueles
para quem Deus é ainda um desconhecido?
Cenário
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