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O fenômeno do BLOG - I
(Antonio Spadaro, sj*)
As tecnologias digitais estão mudando a cena midiática. (...) especialmente pela utilização dos blogs na divulgação de informações. Os blogs nasceram no interior da Rede há aproximadamente seis anos e há mais ou menos dois anos começaram a se difundir alastrando-se rapidamente. Um blog vai muito além da rede de conexões, bem como de cada um dos conteúdos que o compõem.
O que são os "blogs"?
Trata-se de um sistema complexo que foge a classificações por demais rígidas e vai além das tecnologias das quais se origina. O termo blog, é fruto da contração das palavras inglesas web e log: web, que significa "teia de aranha", e representa a própria Rede, e log, que significa "diário" ou também "jornal de bordo". A tradução de blog, portanto, poderia ser "diário na Rede". Trata-se de um espaço virtual, autonomamente gerenciado, que permite a publicação de uma espécie de diário pessoal ou, de um modo mais geral, de conteúdos de qualquer tipo apresentados em ordem cronológica, do mais recente ao mais antigo, conservados num arquivo que pode ser consultado a qualquer momento. Os conteúdos podem ser enriquecidos por ligações com outros blogs e com outros sites, no interior de um denso entremeado de conexões recíprocas. À medida que novos materiais são inseridos, os mais antigos vão se posicionando mais abaixo, até confluir no arquivo semanal, mensal ou anual.
De fato, exatamente como os newsgroups (murais eletrônicos de mensagens acessíveis com o programa de correio eletrônico ou com um leitor de news apropriado), os blogs são murais de mensagens; assim como os sites pessoais publicam conteúdos que estão ligados ao seu autor; da mesma forma que os portais informativos fornecem informações de todo tipo: das estritamente pessoais e autobiográficas às de caráter geral, como no caso de reportagens a partir de lugares em que a liberdade de imprensa é negada. Desde o seu início, em 1997, essa forma de expressão efetivamente revestiu-se de uma dupla função: de um lado, pôr "on line" histórias pessoais, reflexões do autor, pensamentos em forma de almanaque, para os quais a cadência cotidiana da atualização reproduz os ritmos da vida ordinária; de outro, realizar uma forma de comunicação difusa de baixo para cima, sem filtros de caráter econômico ou espacial, fornecendo informações e, sobretudo, formando opinião, em geral de forma "alternativa" em relação à da mídia mais oficial. Acrescente-se, ainda que, todo conteúdo inserido pode prever o comentário por parte dos leitores, os quais, conseqüentemente, podem interagir diretamente com quem o escreveu e com os demais leitores.
Um dos motivos pelos quais o blog se tornou em pouco tempo um verdadeiro fenômeno consiste no fato de que, para a sua criação, não é necessário nem um desembolso econômico, nem uma competência específica quanto às linguagens próprias da Rede; em geral, basta inserir os conteúdos a serem publicados em módulos (form) já predispostos nas plataformas que fornecem gratuitamente o serviço. Os procedimentos são simples: basta registrar-se, escolher um nickname, ou seja, um "apelido" de reconhecimento, e uma senha. A esta altura se deverá escolher um nome para o blog, optar entre permitir ou não aos visitadores que deixem um comentário e se este deve ser imediatamente publicado ou antes aprovado, e enfim escolher o layout, isto é, a forma gráfica do blog. Quando a pessoa se depara com um deles, percebe-se a diferença em relação a um site normal pessoal, que é mais estático. O blog muda a cada atualização, normalmente diária, e revela melhor o espírito do seu autor. Até mesmo pela gráfica essencial pode-se reconhecê-lo. O blog geralmente é constituído de três campos verticais: o central contém os posts (isto é, os materiais "postados", publicados), o da esquerda os arquivos, e o da direita os links para outros sites e blogs (o assim chamado blogroll). Definido o layout, o blogger (isto é, o autor do blog) pode inserir qualquer conteúdo textual ou de multimídia. O seu blog está pronto.
continua...
*Antonio Spadaro é um jovem jesuíta formado em Filosofia em 1988; no ano de 2000 doutorou-se em Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Atualmente é professor do Centro Interdisciplinar de Comunicações Sociais (CICS) da Gregoriana e faz parte da redação da revista La Civiltà Cattolica , da qual é assíduo redator de artigos sobre novas tecnologias de comunicação, como este que aqui reproduzimos, com pequenas alterações (cf. La Civiltà Cattolica , I/2005, pp. 234-247, Quaderno 3711).
Cenário
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