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Igreja celebra 42o. Dia Mundial das Comunicações - II
(Helena Corazza, fsp)*
Encruzilhada entre protagonismo e serviço
O exemplo do processo da televisão brasileira pode ilustrar o que significa ser referência de si mesma. O pesquisador Ciro Marcondes Filho descrevendo os processos pelos quais a televisão passou, diz houve uma primeira fase, de 1950 a 1980, que ele chama de “surgimento e rejeição”. Aqui a televisão era caracterizada como um meio de comunicação que permitia as pessoas verem o mundo através da tela. Usava-se a metáfora da ‘janela’, sendo a televisão uma janela aberta para o mundo. Através dessa janela eletrônica as pessoas poderiam ver o que estava acontecendo na cidade, no país e no mundo e um meio de chegar aos diferentes lugares de forma rápida.
A segunda fase, a partir de 1980, a televisão atinge a supremacia e o autocentramento. Esse é um fenômeno mundial que, antes, aconteceu na Europa, Estados Unidos, Canadá e chegou ao Brasil no final dos anos 1980. Agora não se pensa na televisão como meio de comunicação, mas ela se impõe de forma absoluta, “na posição de domínio de mercado e de informações e modifica a relação que tem com seu público e também na produção”. Marcondes diz que, nesta segunda fase, “em que a televisão passa a produzir imaginários, é o componente denominado auto-referência ou autocelebração. Já que a televisão não é mais um meio de comunicação que está lá para intermediar, para realizar exatamente aquilo que lhe dá o nome, ou seja, um médium, uma ponte entre uma coisa e outra, então, ela é o próprio espetáculo”.
Diante dessa constatação dois podem ser os olhares. Um voltado a quem produz para que se atenha aos princípios constitucionais e éticos que regem os meios de comunicação. Outro em relação a quem recebe. Torna-se urgente e essencial, educar-nos para a recepção crítica dos produtos culturais que entram em nossas casas. Uma encruzilhada para quem tem o direito de ser bem informado, mas precisa saber escolher e distinguir o que é informação e cultura do que é prioritariamente espetáculo e auto-referência.
* Helena Corazza, fsp é jornalista e mestra em Ciências da Comunicação pela USP.
Cenário
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