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A cultura da comunicação e a evangelização - I
(Joana T. Puntel)
Na trajetória eclesial sobre o tema comunicação, a Igreja sempre a considerou como um elemento importante a ser contemplado, na sua especificidade, como afirmam os documentos oficiais do Magistério eclesial e os documentos das Conferencias Episcopais Latino-americanos (Medellín, Puebla e Santo Domingo).
Além de ser um elemento transversal, a comunicação ocupa um lugar específico na evangelização, que necessita investir enfaticamente numa pastoral midiática, e ser tratada como tema próprio. Neste sentido, e considerando que a mídia constitui-se muito mais que um simples instrumento, ela configura a atual cultura, lugar onde se desenvolve o discipulado missionário em favor da vida plena.
Vivemos, nestes últimos anos, uma evolução histórico-tecnológica no conceito de comunicação. De "meios de comunicação social" passou-se para "comunicação social" e, finalmente, chegamos à "cultura da comunicação". Cabe a nós, a partir do mandato missionário de Jesus (cf Mt 28-16-20), integrar a mensagem cristã nesta nova cultura criada pelas modernas comunicações (cf. RM 37c).
Mas, o que a revolução tecnológica introduz em nossa sociedade, não é apenas uma quantidade inusitada de novas tecnologias, criativas, potentes e abrangentes, mas um novo modo de relacionar processos simbólicos e formas de produção e distribuição dos bens e serviços (J. M. Barbero).
A sociedade do conhecimento tem um modo novo de produzir informação que, em geral, é confundido com um novo modo de comunicar, ao transformar o conhecimento numa força produtiva direta. É preciso, porém, estarmos atentos à comunicação que mais e mais remete, não tanto aos meios, mas sim a novos modos de percepção e de linguagem, às novas sensibilidades e escritas.
A sociedade contemporânea rege-se pela midiatização, quer dizer, pela tendência à virtualização das relações humanas, à excitação de todos os sentidos e emoções, à provocação do imaginário e dos desejos. Hoje, o individuo é solicitado a viver pouco auto-reflexivamente e mais na superficialidade do que percebe, sabe e sente. Isso acontece porque da mídia para o público não parte, apenas a influência reflexiva e normativa, mas emocional, sensorial e estética, que por sua vez direciona a cotidianidade das pessoas, dos relacionamos humanos, da sociedade e da sede de consumo.
A comunicação se tornou um importante elemento articulador de mudanças nos indivíduos, nas famílias e grupos e, no todo da sociedade, pois ela veicula usos, costumes e modismos.
A Igreja demorou em perceber a força da comunicação moderna, mas, sobretudo, ainda está longe da nova cultura da comunicação. De fato seus códigos comunicativos são, fundamentalmente, de índole doutrinal racional, quando a modernidade requer partir do cotidiano, do afetivo, das tramas das relações humanas, do emocional, do estético, do lúdico.
continua...
Cenário
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