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As crianças e os meios de comunicação
Um desafio para a Educação - II
(Mariângela Tassielli, fsp)
Bater na tecla da educação! É o desafio mais concreto e viável para o nosso tempo; mas é também o nosso verdadeiro compromisso com relação ao futuro. É traçar objetivos de longo prazo, criando condições progressivas de ação, análise e acompanhamento. A formação parece a verdadeira e genuína profecia sobre a qual se há de investir uma boa dose de energias e de fé na bondade primitiva de todo homem e de toda mulher.
A comunicação é o útero em que o homem de hoje se forma, se alimenta; é o ambiente onde capta os instrumentos de interpretação e compreensão do que é real, as modalidades cognitivas e relacionais, que o ajudarão a medir os próprios desejos e afetos. Quem, por vocação, estiver com o coração voltado ao ser humano e à sua formação integral carrega, nesse sentido, um duplo desafio: de um lado, conduzir a pessoa ao centro de cada processo comunicativo; de outro, fazer dos meios de comunicação espaços de encontro e de relações possíveis e libertadoras.
Pensar, porém, em trabalhar só na formação das crianças é algo inadmissível hoje. Educar as crianças significa educar as famílias, diria Dom Bosco; por outro lado, influir nas "massas" significa formar, antes de tudo, os intelectuais, sugeriria Padre Alberione. Respeitadas as devidas proporções, uma possível estratégia de formação poderia ser construída em cima de duas colunas: a formação para os meios de comunicação no caso das crianças, de um lado, e a formação para os educadores, animadores, pais, formadores de opinião e operadores, de outro.
Formar para a responsabilidade é reconhecer, no caso de cada um, a liberdade de ser ele mesmo, de entrar em relação com o que é diferente de mim, de escolher, de errar e de recomeçar.
Por ocasião do Safer Internet Day (SID) (1) , celebrado na Europa, no dia 6 de fevereiro passado, Save the children apresentou os resultados de uma pesquisa feita com pais e meninos entre 10 e 17 anos. Além dos elementos interessantes, quero focar a atenção sobre dois aspectos-chave que emergem com força especial: ajudar meninos e pais a adquirir uma real consciência dos riscos e das oportunidades associadas às novas tecnologias; considerar crianças e adolescentes não só vítimas, mas indivíduos ativos, com recursos próprios, reforçando, para tanto, o senso crítico e a sua autonomia de pensamento.
Com certeza, no panorama internacional, a consciência, ainda que nem sempre objetiva, é acentuada quanto aos riscos ligados aos meios de comunicação. Mas a lógica do controle e da gestão, de impor filtros à rede, de impedir em um país a penetração de formatos é uma lógica decididamente superada e superável.
No mundo da informação e da comunicação é preciso assumir o papel da responsabilidade e do conhecimento. Basta pensar que também na preparação do SID foi lançado, em outubro de 2006, um projeto de conhecimento e promoção sobre as tecnologias da informação e comunicação. Mais de 200 escolas de 40 países elaboraram material promocional de caráter internacional. Mas este, e todos os possíveis projetos ativados ou programados em qualquer âmbito do viver social e religioso, correm o risco de ser cometas passageiros no imenso universo, se não assumirem um caráter de continuidade e progressividade.
A comunicação, bem como as tecnologias que lhe dão vida, que a questionam, que a fortalecem, precisam ser reconhecidas como verdadeiros e genuínos espaços relacionais. Os adolescentes dizem estar sozinhos diante das tecnologias, sozinhos e indefesos diante das ultra-rápidas transformações em curso: sozinhos com respeito à avalanche descontrolada e contínua de informações. Muitos deles, ainda que se sentindo em condições de enfrentar o perigo, esperam por alguma coisa vinda da família.
Os pais dizem sentirem-se impotentes para compreender o valor, a força e as mudanças que a comunicação, como cultura, está gerando. Todos pedem para não ficar sozinhos. Voltam-se para as instituições civis, aos produtores de ICT, aos distribuidores dos media e de serviços.
"A própria Igreja, à luz da mensagem da salvação que lhe foi confiada, é também mestra de humanismo, e vê favoravelmente a oportunidade de oferecer assistência aos pais, aos educadores, aos comunicadores e aos jovens" (2). A própria Igreja, reconhecendo o Carisma Paulino como dom de Deus para a salvação da humanidade, confia-lhe a realização de sua identidade específica: comunicar o Evangelho, na totalidade de sua mensagem, tanto ao homem quanto à mulher de hoje, mediante o "universo dos meios de comunicação" lá onde comunicação e evangelização não são, em nenhum caso, serva nem mestra uma da outra (3).
Em uma interação recíproca, a comunicação é a língua que a evangelização precisa aprender a falar, é roupagem nova, é jarro novo no qual se há de verter o vinho novo da fé em Cristo Senhor. Inculturar o Evangelho na cultura da Comunicação. É um desafio que não pode ser adiado. É uma responsabilidade histórica, que hoje nos é confiada e da qual não podemos, por vocação, eximir-nos.
(1) O Safer Internet Day é um projeto elaborado pela Insafe, uma comissão instituída no âmbito da União Européia para promover o uso ético, responsável e positivo das tecnologias da informação e comunicação.
(2) Bento XVI, As crianças e os meios de comunicação: um desafio para a educação, Mensagem para o 41º Dia Mundial das Comunicações Sociais, Roma, 24 de janeiro de 2007.
(3) Ver S. Sassi, " Eu te vi quando estavas sob a figueira". A comunicação: o aspecto carismático, relação no âmbito do Encontro Internacional sobre a Comunicação, Roma 1-14 de fevereiro de 2007, p. 1.
Cenário
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