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2ª.
Parte - A crescente consciência da Igreja a respeito
da comunicação
Dando continuidade à reflexão da mensagem
do Papa Bento XVI para o 43º DIA MUNDIAL DAS COMUNICACÕES:
"Novas tecnologias, novas relações. Promover
uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade”
apresentamos a 2ª. Parte do artigo iniciado em março.
Profª Ir. Joana T. Puntel¹ .
Primeiramente, percebe-se a atualidade da mensagem, expressa
já no título por parte de Bento XVI, que reafirma
o pensamento positivo do Magistério sobre a comunicação,
semeado ao longo de seus documentos. E’ a consideração
das “maravilhosas invenções técnicas”,
dons de Deus, na medida que criam laços de solidariedade
entre as pessoas, e são também o resultado
do esforço humano, portanto do processo histórico
- científico. O avanço das tecnologias de
comunicação, entretanto, constitui para a
Igreja, não somente objeto de “uso” dos
meios, mas uma preocupação e um incentivo
para perceber a comunicação “mais do
que um simples exercício na técnica”
(Igreja e Internet,n.3).
Na verdade, a Igreja, já no seu documento Redemptoris
Missio (n.37c-1990), chamava a atenção para
um aspecto fundamental que constituiu a grande “reviravolta”
da reflexão do magistério eclesial em relação
ao mundo da comunicação e que é de
capital importância neste momento da historia Igreja-sociedade.
A Igreja esforçou-se para compreender os new media,
e progrediu no expressar-se com mais clareza a respeito
do impacto que eles têm na construção
social, e passou, então, a refletir sobre a comunicação
(embora haja muito caminho a fazer!) não mais de
forma restrita ou somente como “meios” ou “instrumentos”
(isolados) a serem usados ou dos quais se precaver. Mas
a Igreja ela refere-se ‘a cultura da comunicação
como que a um “ambiente” no qual estamos imersos
e do qual participamos. Trata-se de uma cultura. A cultura
midiática, onde a comunicação é
o elemento articulador das mudanças que ocorrem na
sociedade de hoje.
Há uma crescente consciência das profundas
transformações operadas pelos novos meios
de comunicação e, portanto, diz o referido
documento “não é suficiente, usá-los
[os meios] para difundir a mensagem cristã e o Magistério
da Igreja, mas é necessário integrar a mensagem
nesta « nova cultura », criada pelas modernas
comunicações”.
Um
cenário em mudança
Hoje, vivemos uma “encruzilhada” perante os
desafios da cultura midiática, pois a comunicação
se apresenta progressivamente como elemento articulador
da sociedade. Desafios que ultrapassam o “uso”
da tecnologia e tocam a esfera da cultura e da questão
ética, e, portanto, do ser cristão (discípulo
e missionário, segundo o que nos aponta o documento
de Aparecida), no grande e moderno areópago das comunicações.
(cf. RM 37, c).
Seria redundância dizer que a comunicação
é um dos fenômenos mais importantes dos séculos
20 e 21. Hoje, a comunicação é o “tema
central” de um grande número de correntes intelectuais
que pensam sobre ela, com abordagens de longo alcance que
formam um corpo consistente de visões rivais sobre
a matéria, embora tem-se de admitir que o campo da
Comunicação apresenta-se desarticulado, conflituoso
e, por vezes, confuso devido à velocidade e complexidade
com que se misturam mercado, tecnologia, e necessidade do
ser humano relacionar-se. O mundo da comunicação
se articula, favorece e se movimenta dentro de sistemas
existentes que tocam a esfera da antropologia, do sócio-cultural
e, portanto, inclui o âmbito humano-cristão.
No contexto de pós-modernidade, a comunicação,
descrita, hoje, com uma variedade e diversidade de definições,
conquistou, ao longo do tempo, novos parâmetros junto
à economia, à política, à filosofia
e à cultura. Não obstante a diversidade de
ângulos, há um consenso entre os estudiosos
da sociedade ao indicar a comunicação como
um aspecto essencial, que articula e move a lógica
da mudança hoje.
Não há dúvida de que todo o universo
da comunicação foi sensivelmente influenciado,
nos últimos anos, pela intervenção
de novidades técnicas que revolucionaram as características
das modalidades operativas, dos valores e dos aspectos culturais.
O decênio (1990-2000) foi definido como década
digital e sua incidência na sociabilidade e modalidades
de conexão (relacionamento) no viver cotidiano se
configuram como um dos desafios essenciais para pensar e
compreender o lugar ocupado pela comunicação,
especialmente na sua versão midiática, no
mundo contemporâneo. O progresso das novas tecnologias
convive sempre mais com o nosso dia-a-dia e se verifica,
de forma crescente, uma invasão eletrônico-comunicativa
do social.
Quando olhamos em volta, logo percebemos o quanto a nossa
sociedade está repleta, num caminho ascendente, de
pequenas janelas digitais que atraem nossa atenção.
“Janelas” que prometem notícias, avisos,
diversão, recados de amigos. São os visores
dos celulares, palmtops, terminais eletrônicos nos
bancos, aparelhos de fax, bips, espaços de informações
em shoppings e aeroportos, computadores e televisão
digital, “GameBoys” e “Tamagochis”...
entretanto, todos têm em comum o fato de que só
conversam conosco se sabemos manipulá-los, enfatiza
o pesquisador Rogério Costa em seu pequeno-grande
livro Cultura Digital. Nesse contexto ocorre uma mudança
que dá início a uma série de transformações,
inclusive no modo de conceber o computador, isto é,
os instrumentos informáticos não são
concebidos apenas como meios de transformação
e uso da informação, mas também como
instrumento de suporte para as outras atividades do indivíduo.
Vivemos em um planeta envolto em uma infinita rede comunicativa
onde a pessoa, em qualquer lugar do globo, pode entrar em
contato com outra pessoa, cultura, trabalho, entretenimento.
Chegou-se a uma etapa na qual cada ser humano se transforma
em um "nó" comunicativo coligado a todos
os outros. Nessa perspectiva, não se poderá
mais viver senão "em rede". Estamos imersos
no fluxo da comunicação midiatizada como se
fosse “num aquário”.
Facilmente identificamos as inúmeras modificações
na esfera do trabalho, marcado cada vez mais pela presença
de computadores, da Internet e dos telefones celulares.
Se consideramos o âmbito da educação,
são milhares os pesquisadores, professores, estudantes
que apostam na Internet, vendo-a como um fator indispensável
na evolução do ensino, nas suas formas a distância
e presencial. São indiscutíveis as profundas
transformações na área do entretenimento.
Iniciando o século 21, já se apresenta a TV
digital interativa que, certamente, em um futuro muito próximo
se tornará o símbolo de interação
com imagens e dados.
Continua no próximo mês...
* Joana T. Puntel é
irmã Paulina. Jornalista, doutora em Comunicação
Social pela Simon Fraser University (Canadá) e pela
USP-SP. É coordenadora dos Cursos no SEPAC-SP. Docente
e Coordenadora da Iniciação Científica
na FAPCOM. Membro da Equipe de Reflexão sobre Comunicação
da CNBB.
Cenário
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