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Cenário cultural

Pontifício Conselho para as Comunciações Sociais - II
       Comunicação a serviço da pessoa
        (Adriana Zuchetto)

A Instrução Pastoral Communio et Progressio esclarece que "os meios de comunicação são chamados ao serviço da dignidade humana, ajudando os indivíduos a viverem bem e agirem como pessoas em comunidade".

Partindo desta concepção ética, percebe-se que a Igreja tem uma visão muito positiva dos meios de comunicação. De fato, todas as invenções que visam a comunicação deveriam ser colocadas a serviço do ser humano. Em primeiro lugar, para respeitar a sua dignidade, adquirida, de acordo com a Bíblia (Gn, 1, 27), já nos primórdios de sua origem, quando foi criado à imagem e semelhança de Deus. Por essa razão, de acordo com a visão cristã da nossa cultura, a dignidade humana é uma conquista irrenunciável.

E, sendo assim, os profissionais e todos os demais responsáveis, que lidam com a informação, com o conhecimento, com as imagens, enfim com as mensagens veiculadas de todas as formas, são convidados a respeitar e promover esta mesma dignidade. Portanto, tudo o que se transmite, em qualquer área: economia, política, cultura, educação religião, precisa ter a marca ética. Mas o que isso significa, num mundo em que os paradigmas, válidos até o presente, estão em crise?

A crise, não pode justificar todos os desmandos e abusos, nem violar o bem e a dignidade da pessoa. Continua não sendo aceitável, ainda hoje , o fato de se usar os meios para prejudicar, alienar, marginalizar, isolar, fomentar a hostilidade e o conflito, apresentar o que é vil e degradante, menosprezar o que enobrece, promover a banalização da vida, criar estereótipos de raça, de sexo, de idade ou de religião, enfim, tudo o que é contrário a dignidade humana. Mas , então, como fica a liberdade de expressão?

A Igreja afirma que existem instâncias óbvias , como as citadas acima, para as quais não existe o direito à comunicação. O direito só pode existir para quem respeita a dignidade dos outros e se reconhece também como sujeito de deveres.

Portanto, hoje mais do que em outras épocas, pelas imensas possibilidades que a cultura do digital oferece, precisamos crescer na humanização e não ao contrário. Pois, se quisermos crescer na desumanização, certamente a humanidade não terá futuro, uma vez que o desenvolvimento tecnológico, alcançado em nossos dias, estando ao alcance de todos, acabará por ser usado como arma de destruição. Basta recordar o fato das Torres Gêmeas nos Estados Unidos, para nos convencer disso. Se os meios de comunicação continuarem a desrespeitar a ética , sistematicamente, contribuem para neutralizar os valores existentes, e criar uma cultura inviável para o próprio ser humano. Daí que respeitar a ética nas comunicações não é uma questão religiosa, nem de fé, mas simplesmente uma questão de sobrevivência.

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