Pontifício Conselho para as Comunciações Sociais - III
A responsabilidade dos interlocutores da comunicação
(Adriana Zuchetto)
O documento Pontifício Ética nas Comunicações Sociais afirma que a pessoa e a comunidade humanas são a finalidade e a medida do uso dos meios de comunicação social sendo este o princípio ético mais relevante.
É óbvio que o desenvolvimento tecnológico adquire sentido, na medida em que visa satisfazer as necessidades humanas e promover o bem-estar pessoal e da sociedade. Contudo, nem sempre os meios de comunicação desempenham esta função porque dependem do uso responsável, servindo tanto para divulgar o bem como o mal.
Na área econômica, com freqüência são usados para sustentar sistemas que promovem a avareza considerando o lucro e as leis de mercado como princípios absolutos, em aberto confronto com a dignidade e o bem-estar das pessoas.
A globalização que se tornou viável, graças ao desenvolvimento da tecnologia, favorece a exploração, a marginalização e a exclusão de grandes regiões do planeta, onde milhões de seres humanos são condenados a viver na miséria e a morrer precocemente. Quando não existiam estes meios, a vida era menos confortável para todos, contudo não havia a exclusão em massa, como em nossos dias. Por que o progresso humano é seletivo e não atinge todas as pessoas e nações?
Na dimensão política há muitos líderes que se utilizam dos meios de comunicação para manipular a opinião pública através da demagogia e do engano, sem levar em consideração a justiça e a verdade. Preocupam-se com assuntos particulares e devastam o país com esquemas de corrupção, em vez de exercer a função de serviço que lhes fora delegada pelo voto do povo.
No campo cultural os meios que poderiam proporcionar descanso e lazer, com freqüência exibem programas desprezíveis, de corrupção, violência, desrespeito à sexualidade humana, sensacionalismo, enfim acabam sendo uma escola de desumanização.
Formação da consciência crítica
Se os programas veiculados pelos meios de comunicação não respondem às expectativas das pessoas de bom senso e nem as ajudam a viver os valores que promovem a vida, é preciso que nos perguntemos seriamente acerca da nossa atitude crítica diante das mensagens e imagens que nos chegam através das novas tecnologias.
O documento pontifício ensina que o primeiro dever dos interlocutores da comunicação social consiste em discernir e selecionar, de acordo com critérios eticamente sólidos, aquilo que pretendem ler, assistir ou escutar.
Portanto, é necessária uma formação básica para a recepção que nos capacite a compreender as estruturas, os modos de operar, os conteúdos e as linguagens da comunicação afim de que possamos escolher os programas e rejeitar aqueles que ferem a nossa dignidade. Excluir tudo o que provoca sentimentos desumanos e nos intoxica com mensagens egoístas ou fúteis poderia ser um critério responsável.
Todos os programas veiculados têm objetivos particulares, muitos deles em aberto contraste com o Evangelho, daí a necessidade de fazer uma leitura crítica que nos permita optar com sabedoria.
Neste contexto o documento afirma que os pais têm o grave dever de ajudar seus filhos a formar a própria consciência de modo que sejam capazes de avaliar criticamente os meios e usá-los de maneira correta.
Fica o convite de fazer algum curso de comunicação e ler o documento pontifício Ética nas comunicações sociais como parte integrante da nossa formação permanente. Cenário
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