 |
Quando os "princípios" se fazem necessários
(Joana T. Puntel)
Vários são os documentos da Igreja sobre a comunicação que vêm insistente e progressivamente convidando o povo em geral, mas especialmente os cristãos, para a reflexão sobre o significado da comunicação no mundo atual, e, sobretudo, para o fato da potencialidade da mídia em criar "sentidos", "significados" que orientam (ou desorientam!) os leitores, espectadores ou internautas, na cultura midiática que vivemos hoje.
Muito importante notar como a Igreja vem oferecendo, através do seu Magistério, pontos importantes para a discussão, a reflexão da pessoa humana, quanto aos princípios, a ética... tão necessária no mundo em que vivemos. É como dizia um autor, é como se as paredes da "casa", da "estrutura da casa" estivessem rachadas. O não reparo ou recuperação de tal situação pode fazer a casa vir abaixo. É o que estamos vivendo. Todos nos admiramos e nos aterrorizamos com a violência, com o terrorismo, com a deslealdade, com os julgamentos ilegais, com a falta de respeito à pessoa, com o roubar-lhe os direitos em nome de uma "pretensa soberania" (ou vingança?!). Nem mesmo as leis internacionais são respeitadas. Mas as leis existem não para subjugar o ser humano, senão para garantir o direito de todos, de zelar pelo bem comum, pelo exercício da cidadania. Fora disso, quem usa a lei em favor próprio, a enrijece na aplicação para proveito de poucos... estes "usurpam" a lei, seja qual for o título que possuem, o cargo que exercem (ainda mais quando se "usa" o povo para a eleição, mas o abandona, não o tendo como ponto de referência na comparação de seus salários). Assim chegamos ao ponto dos "princípios". Se a pessoa não têm princípios (que vêm de uma consciência bem formada!), então, não há diferença "matar uma formiga e matar uma pessoa"...
Como pontos de capital importância para o conhecimento e formação de todos, mas de maneira especial para quem tem poder de decisão na sociedade hoje, uma reflexão oferecida pelo documento Ética nas Comunicações (2000) faz-se necessária. Afirma o documento:
Os princípios e normas éticas, relevantes nos outros campos, também se aplicam à comunicação social. Os princípios da ética social como a solidariedade, subsidiariedade, justiça, equidade e credibilidade no uso dos recursos públicos e no desempenho de cargos públicos de confiança são sempre aplicáveis. A comunicação deve ser sempre sincera, dado que a verdade é essencial para a liberdade individual e para a autêntica comunidade entre as pessoas.
A ética na comunicação social não está interessada unicamente naquilo que aparece nos écrans do cinema e da televisão, nas transmissões radiofônicas, nas páginas impressas e na Internet, mas em muitas outras coisas. A dimensão ética está relacionada não só ao conteúdo da comunicação (a mensagem) e o processo de comunicação (o modo de comunicar), mas nas questões fundamentais das estruturas e sistemas, que com freqüência incluem grandes problemas de política que dependem da distribuição de tecnologia e produtos sofisticados. (...) Estes interrogativos indicam outras questões com implicações econômicas e políticas para a propriedade e o controle. Pelo menos nas sociedades abertas, dotadas de economia de mercado, a principal questão ética pode dizer respeito ao modo de equilibrar o lucro em relação ao serviço de interesse público, compreendido segundo uma concepção global do bem comum. Cenário
|
 |