www.paulinas.org.br
www.paulinas.org.br
www.paulinas.org.br Livraria VirtualLivrosCDsDVDsLoja de MúsicaRevistasProgramas de RádioCursos
Cartão Fidelidade Sábado, 11/2/2012    Boa noite!
Busca  
Quem somos
Sintonize
Cenário cultural
EDIComunicação
Programação
Publicações
Notícias
Cursos de Pós-Graduação
Tenda da Comunicação
Localização
Fale Conosco

Segunda a sexta das 8h às 17h45

Novo endereço
Rua Dona Inácia Uchoa, 62 - Vila Mariana
São Paulo - SP
(Entre o Metrô Ana Rosa e Vila Mariana)
CEP 04110-020
Tel: (11) 2125-3540

Clique aqui para ver como chegar ao SEPAC

 

 
Cenário cultural

A missão das rádio católicas
       (Ir. Helena Corazza, fsp* )


O tema "A missão das rádios católicas" nos reporta à questão da identidade e ao perfil das emissoras de Igreja. É importante parar e refletir em meio à prática intensa do dia-a-dia como é o do fazer rádio. A partir do momento que sabemos quem somos, como vivemos, definimos o que fazemos, nos organizamos em vista dessa missão.

Todos sabemos que a missão do cristão é viver o mandato de Jesus: "Ide e fazei com que todos os povos se tornem meus discípulos" (Mt 28,19). E a Igreja levou e leva adiante essa missão, inserida nas diferentes culturas e contextos. E o rádio foi um dos meios populares assumidos, tanto que em 12 de fevereiro de 1931, a Rádio Vaticana, instalada por Marconi, foi inaugurada, durante o pontificado de Pio XI. No Brasil, a primeira concessão católica é de 1941 (Rádio Excelsior de Salvador), durante o governo Vargas . No Paraná, a primeira rádio católica é a Legendária, Lapa, de 25 de novembro de 1950.

Podemos nos perguntar: por que a Igreja entrou no Rádio? - Sem dúvida alguma, logo depois da imprensa, o Rádio foi visto como um espaço para a evangelização. É claro que a Igreja percebeu que o Rádio é um veículo popular e quis difundir, por meio dele, a mensagem cristã. Talvez o pensamento inicial tenha sido de "prolongamento do púlpito", já na época, preocupada com a "concorrência" de outras denominações religiosas, que marcavam presença no rádio.

A história da radiodifusão católica no Brasil, desde a criação da UNDA/Br, no dia 28 de abril de 1976, tem sido uma busca de articulação para viver juntos um ideal e uma missão: organizar-se para encontrar apoio recíproco na programação, auto-sustentação e questões técnicas. Daí veio toda organização por regionais com encontros periódicos. (Em 200.... as organizações católicas internacionais OCIC e UNDA se fundiram numa nova organização chamada SIGNIS - www.signis.net.) A organização dos regionais da UNDA articulou-se no espírito do Concílio Vaticano II, das conferências da América Latina, sobretudo de Medellín e Puebla, levando adiante os ideais e a utopia da comunhão e da participação.

Uma rádio para a situação atual do Brasil

A memória de alguns pontos da Assembléia da UNDA/Br de 1989 que abordou esse tema, buscando o perfil da emissora católica, talvez nos ajude a iluminar a nossa realidade hoje. Alguns pontos que refletiam a identidade, nessa assembléia, foram:

1. "Evangelizar, comprometendo-se com a causa do Evangelho e levando a um questionamento permanente através de
- anúncio e denúncia;
- desenvolvimento da consciência crítica, deixando-se iluminar pelas Diretrizes Pastorais da Igreja no Brasil;
- evangelização interna (diretoria e funcionários) e externa ( clientes e público).

2. Colocar-se a serviço da comunidade
- na prestação de serviços
- sendo a voz dos anseios da comunidade, numa dimensão transformadora e profética".

O contexto mudou, mas os desafios continuam os mesmos. Hoje buscamos respostas para essas mesmas questões: evangelizar de maneira comprometida com a transformação da realidade e manter um relacionamento com a comunidade tantos nos serviços quanto "sendo a voz dos anseios da comunidade, numa dimensão transformadora e profética".

A dimensão profética, do compromisso com a transformação da realidade nos vem desde o Vaticano II e a tomada de consciência da realidade latino-americana. A Igreja assumiu essa causa e colocou suas mídias, sobretudo impressa e radiofônica, a serviço dessa causa. Tanto que, no mundo da radiodifusão católica, é conhecida a frase: "A igreja optou pelos pobres e os pobres optaram pelo rádio".

Com a influência norte-americana, sobretudo dos grupos pentecostais protestantes, foi surgindo uma nova maneira de presença da religião na mídia. Nos Estados Unidos o rádio surgiu em 1920. Dois meses depois de sua inauguração já havia programas religiosos de linha pentecostal, no Rádio. Esses programas por televisão e também por Rádio, na década de 1970 e 1980, vieram por redes e foram influenciando a maneira de pensar e fazer a comunicação também na Igreja católica. É conhecido e foi bastante comentado o projeto Lumen 2000 com lideranças no Brasil que hoje são concessionários de Redes de TV e Rádio, seguindo linha da Renovação Carismática católica.

A influência pentecostal protestante, e também católica, tem premissas diferentes das emissoras que trabalham comercialmente, no que diz respeito à abordagem da comunicação e, sobretudo, da manutenção dos veículos de comunicação. Enquanto a radiodifusão católica se estruturou segundo o sistema brasileiro, onde a mídia eletrônica é mantida pela publicidade ou apoios culturais, de acordo com a forma de concessão, esse modelo entende que os fiéis devem manter os programas com doações. Criou-se também a modalidade do "Clube dos sócios", ou dos amigos, para caracterizar as contribuições voluntárias dos ouvintes.

Uma das primeiras experiências conhecidas desse modelo, no meio católico, é o programa "Anunciamos Jesus" da Associação do Senhor Jesus, na TV Bandeirantes, na década de 80. Ao mesmo tempo, a partir de 1978, também começavam as experiências de rádio do grupo Canção Nova. E assim forma surgindo comunidades e grupos que entenderam o sustento das emissoras mais como doação e não seguindo o caminho da comercialização.

Globalização, redes e cenários de Igreja

Vivemos na era da globalização e da organização em redes. Estamos, sobretudo, num momento de grandes mudanças culturais, tecnológicas, eclesiais. Já não temos um único cenário de Igreja. Segundo o teólogo padre Libânio, são quatro os cenários de Igreja: a da instituição, a carismática, da pregação e da práxis libertadora . Esses cenários se refletem no modo de fazer rádio. Aqui surgem entendimentos diversificados em relação ao conceito de evangelização e de comercialização ou publicidade.

Em relação ao conceito de evangelização

O entendimento de que a mídia é aberta a um grande público e a Igreja se serve dela para a evangelização, quer dizer, o primeiro anúncio, desenvolveu uma prática de comunicação aberta a temáticas que interessem ao ser humano. A diversidade de interesses faz parte da grade de programação das emissoras católicas, como a informação, prestação de serviço, entretenimento e religião. Seguindo as orientações do Concílio Vaticano II, a comunicação católica trabalhou conceitos abrangentes, entendendo a Igreja como presença no mundo, convivendo com diferentes realidades e sendo fermento na massa. Essa mesma postura é mantida pelas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil com três eixos ou exigências: pessoa, comunidade e construção de uma sociedade justa e solidária .

Mesmo assim, há a tendência de reduzir a evangelização ao conteúdo apenas religioso, devocional e doutrinal, entendendo que evangelizar é falar de religião o dia inteiro. Em outras palavras, a tendência de reduzir os conteúdos da evangelização pelo rádio à sacristia. O entendimento e a orientação que o bem-aventurado padre Tiago Alberione deu às suas congregações que nasceram para evangelizar pelos Meios de Comunicação foi essa: "Não é preciso falar de Deus o dia inteiro, mas falar de modo cristão de todas as coisas". Atualmente, a Igreja entende e orienta a evangelização pelo rádio de modo mais amplo: Priorizar o rádio como instrumento de evangelização, entendendo que a notícia que fala de vida e de esperança é também evangelizadora .

Em relação à comercialização

Conforme o modelo brasileiro, a comercialização possibilita a sustentação econômica das emissoras, que, no caso das rádios católicas, muitas vezes, também são mantidas ou apoiadas por fundações. Há um outro modelo, a partir da década de 1990, que se apóia prioritariamente nas doações dos fiéis para a sustentação das emissoras e não mais pela publicidade. É uma forma de buscar soluções para a programação, a subsistência e para a tecnologia. Pelo que se escuta em algumas ocasiões pelos evangelizadores/as desse modelo, passa a impressão de que o dinheiro que vem por ofertas é mais "limpo" do que aquele que nos chega pela publicidade. Talvez ainda um resquício da dificuldade que, historicamente, a Igreja teve de lidar com o dinheiro e que precisa ser mais refletido e amadurecido. Voltamos à orientação da no documento 59 da CNBB para que as emissoras para que sejam competitivas e tenham auto-sustentação: profissionalizar a emissora diocesana para que seja competitiva e obtenha a auto-sustentação .

Vale lembrar o cuidado com o "marketing da fé" , conceito que passou a ser usado desde a década de 1990 por especialistas em marketing. Adverte o autor: "pela teoria do "marketing da fé", os recursos de comunicação da instituição devem ser orquestrados para determinados fins, segundo as regras do mercado de bens simbólicos, na esteira do bem-sucedido trabalho desenvolvido pelos grupos pentecostais, garantindo-se, naturalmente, a ortodoxia dos ensinamentos tradicionais da Igreja (...) pelos preceitos do "marketing da fé", os princípios religiosos transformam-se em objeto de sedução mediante o uso de procedimentos comuns ao mercado na promoção de bens de consumo" .

Compromisso ético

A ética é um princípio para a sociedade, independente credo, aplicado a todas as emissoras e a Igreja é guardiã dessa ética para a sociedade. É preciso lembrar, entretanto, que este princípio precisa ser vivido no interno de todas as instituições. Por isso, dispensa dizer que, a credibilidade na evangelização, também depende da prática nas emissoras de Igreja. A ética e o profissionalismo precisam estar presente em tudo o que fazem: comercialização, trabalho profissional com o quadro interno de colaboradores e junto aos clientes. O profissionalismo, o compromisso ético, a abertura à comunidade darão às emissoras católicas a credibilidade que elas precisam ter, junto ao público e aos segmentos de Igreja.

Programação Radiofônica

Segundo Vigil, a programação é o diálogo que a rádio entabula com o público, as mensagens que emite para se relacionar com ele. É uma conversa planejada entre emissores e receptores, levando-se em conta a disponibilidade dos receptores. Os programas não se sucedem simplesmente uns aos outros ao bel-prazer dos produtores. É importante ter em conta o público, seus interesses e tempo. É a palavra conquistadora, a declaração de amor da emissora com o seu público. Todas as emissoras tem notícias, música, todas falam e esperam ser escutadas, mas há um diferencial em cada uma e o modo como se faz isso de forma organizada. A programação é o charme de cada emissora, sua estratégia particular de sedução.

Importa ter claros os objetivos. Se a emissora é jornalística, será mais informativa. Se for musical e de entretenimento ou segue o gênero dramático, terá outro perfil.

O eixo central, o fio condutor ao redor do qual se organiza a emissora, chama-se perfil. É a cara da emissora, de sua personalidade. O perfil é a identidade alcançada junto ao público. Ele precisa ser identificado pelos ouvintes. Pode ocorrer que a emissora estabeleça seu perfil e o público não o reconhece da mesma forma. Este caracteriza sua emissora: ela é nossa.

Toda programação deve partir de duas mãos: da expectativa do público e da oferta da emissora. Estabelecer um equilíbrio entre os dois pontos de vista.

A programação, ou seja, o responsável por ela, precisa ter presente algumas perguntas básicas, o tempo todo:

- Qual o objetivo desta emissora?
- Quais são meus critérios de sucesso?
- Os programas atuais estão de acordo com esses critérios?
- Se não estiverem, como posso melhorar
- os programas?
- os (as) apresentadores(as)?
- O que impede o resultado final de ser melhor, na minha opinião?
- Como superar isso?
- O que a concorrência está fazendo?

Indispensável: ser criterioso na mudança de horários e de programação. A mudança deve ser sempre para o melhor. Ter um planejamento estratégico.

Tipos de programação

Total - de tudo para todos. É o modelo AM.
O que caracteriza: oferece uma variedade de gêneros e conteúdos a uma audiência variada. Isso não significa que todos os espaços sejam para todo o público. A segmentação de ouvintes pode ocorrer em termos de programas, mas o conjunto de programação pretende atingir muitos e variados públicos. Por isso, é importante conhecer os horários preferenciais de cada público e organizar os diferentes espaços.

Segmentada - de tudo para alguns.
Conteúdo, gêneros e formatos variados. Dirigidos ao público preferencial.
Especializada - alguns para alguns. Ex. só música, só rock, só notícia.

Programação Religiosa
Os conceitos em relação ao perfil, programação, qualidade, organização das emissoras comerciais valem para as emissoras católicas.

O que as diferencia? A missão. É importante ter uma filosofia cristã em toda a programação: notícias, músicas, entretenimento e também na programação religiosa. O ideal é distribuí-la, ainda que em doses homeopáticas, durante o dia todo. A Igreja deve ser notícia nos informativos, no horário nobre do rádio, sem reduzi-la à "sacristia".

Como mídias de igreja, as emissoras católicas se pautam em sintonia com a Palavra de Deus e as orientações da Igreja, no que diz respeito às diferentes temáticas, tanto religiosas quanto sociais. Dentro da missão, o enfoque dado é que muda muitas vezes, devido ao modelo de Igreja que o grupo dirigente adota. Dependendo dos referenciais religiosos ou mercadológicos, ela vai se organizar e fazer sua programação, escolher seu quadro de comunicadores e comunicadoras.

O ideal seria integrar a vida da comunidade à programação e não colocá-la apenas nos horários de menor audiência. A programação religiosa precisa ser cuidada para que tenha a qualidade em todos os gêneros e formatos. Vencer o tabu de que religião "não vende". Será que não os estamos fazendo de forma criativa e dinâmica, por isso, se tornam enfadonhos?

Uma emissora católica pode se adequar a uma programação eclética. É claro que é preciso conhecer o público, o mercado e trabalhar sempre em duas mãos: o que eu tenho a oferecer e do que o público gosta. Nesse caso, atenção ao local, à cultura, eventos, gostos.

É importante conhecer a orientação da Igreja do campo da comunicação, ter clareza da missão, saber e assumir o compromisso da evangelização, no mundo atual. As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil (2003-2006) assim definem o objetivo da evangelização: "Evangelizar, proclamando a Boa Nova de Jesus Cristo, caminho para a santidade, por meio do serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, promovendo a dignidade da pessoa humana, renovando a comunidade, formando o povo de Deus e participando da construção de uma sociedade justa e solidária...".

No momento atual, o grande projeto de evangelização para os anos 2004-2007, "Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida" permeia toda a vida e ação da Igreja no Brasil, e precisa estar presente em nossas emissoras. Descobrir formas criativas de divulgar a ação da Igreja. Aqui vai a ligação com a comunidade. A comunidade precisa se ver no rádio, precisa falar e a emissora, ser a voz da comunidade.

É importante ter presente o contexto mundial, a globalização e, ao mesmo tempo, as necessidades locais para inserir-nos na cultura e no contexto. É preciso ter em conta que, vivemos num momento de pluralidade, de emergência de subjetividades e de novas formas de expressar a fé. A sintonia com o global em termos de mundo e de Brasil enriquece a nossa programação local. É ali que a comunidade precisar sentir-se na sua emissora, naquela emissora que está preocupada em dar-lhe o melhor em termos de informação, cultura, entretenimento. É a emissora amiga, que fala comas pessoas, por isso, elas tem orgulho de tê-la em sua companhia!

* Helena Corazza pertence à congregação das Irmãs Paulinas. Jornalista, Mestra em Ciências da Comunicação pela USP, diretora do Sepac (Serviço à Pastoral da Comunicação). Membro do Conselho deliberativo da RCR e da Equipe de Reflexão do Setor de Comunicação Social da CNBB, autora de diversos artigos e livros, entre eles Comunicação e Relações de gênero em práticas radiofônicas.

Selecione:

Pastoral da comunicação (PASCOM)
Entrevista: "A Igreja deve formar e educar para a comunicação"
Evangelizar na cultura da comunicação - Três chaves do Papa João Paulo II
Alberione e a comuncicação no Concílio Vaticano II
Contribuições e desafios das mídias católicas
Inter Mirifica - A comunicação pela primeira vez num Concílio
A missão das rádios católicas
 
Comece o Dia Feliz
Jesus em Caná

Leitura Orante

Santo Castrense
Dia Mundial do Enfermo
Mensagens
Mensagem do dia
Dicas Bíblicas
Estrutura do Evangelho de Marcos
Espao Criana Paulinas
Capela Virtual
Webrdio Paulinas