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Mensagem
do Papa Bento XVI para o 44º Dia Mundial das Comunicações
Sociais
"Novas tecnologias, novas relações.
Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de
amizade."
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Amados irmãos e irmãs,
Aproximando-se o Dia Mundial das Comunicações
Sociais, é com alegria que me dirijo a vós
para expor-vos algumas minhas reflexões sobre o tema
escolhido para este ano: Novas tecnologias, novas relações.
Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de
amizade. Com efeito, as novas tecnologias digitais estão
a provocar mudanças fundamentais nos modelos de comunicação
e nas relações humanas. Estas mudanças
são particularmente evidentes entre os jovens que
cresceram em estreito contato com estas novas técnicas
de comunicação e, consequentemente, sentem-se
à vontade num mundo digital que entretanto para nós,
adultos que tivemos de aprender a compreender e apreciar
as oportunidades por ele oferecidas à comunicação,
muitas vezes parece estranho. Por isso, na mensagem deste
ano, o meu pensamento dirige-se de modo particular a quem
faz parte da chamada geração digital: com
eles quero partilhar algumas ideias sobre o potencial extraordinário
das novas tecnologias, quando usadas para favorecerem a
compreensão e a solidariedade humana. Estas tecnologias
são um verdadeiro dom para a humanidade: por isso
devemos fazer com que as vantagens que oferecem sejam postas
ao serviço de todos os seres humanos e de todas as
comunidades, sobretudo de quem está necessitado e
é vulnerável.
A facilidade de acesso a celulares e computadores juntamente
com o alcance global e a onipresença da internet
criou uma multiplicidade de vias através das quais
é possível enviar, instantaneamente, palavras
e imagens aos cantos mais distantes e isolados do mundo:
trata-se claramente duma possibilidade que era impensável
para as gerações anteriores. De modo especial
os jovens deram-se conta do enorme potencial que têm
os novos “mídia” para favorecer a ligação,
a comunicação e a compreensão entre
indivíduos e comunidade, e usam-nos para comunicar
com os seus amigos, encontrar novos, criar comunidades e
redes, procurar informações e notícias,
partilhar as próprias ideias e opiniões. Desta
nova cultura da comunicação derivam muitos
benefícios: as famílias podem permanecer em
contacto apesar de separadas por enormes distâncias,
os estudantes e os pesquisadores têm um acesso mais
fácil e imediato aos documentos, às fontes
e às descobertas científicas e podem por conseguinte
trabalhar em equipe a partir de lugares diversos; além
disso a natureza interativa dos novos «mídia»
facilita formas mais dinâmicas de aprendizagem e comunicação
que contribuem para o progresso social.
Embora seja motivo de maravilha a velocidade com que as
novas tecnologias evoluíram em termos de segurança
e eficiência, não deveria surpreender-nos a
sua popularidade entre os usuários porque elas respondem
ao desejo fundamental que têm as pessoas de se relacionar
umas com as outras. Este desejo de comunicação
e amizade está radicado na nossa própria natureza
de seres humanos, não se podendo compreender adequadamente
só como resposta às inovações
tecnológicas. À luz da mensagem bíblica,
aquele deve antes ser lido como reflexo da nossa participação
no amor comunicativo e unificante de Deus, que quer fazer
da humanidade inteira uma única família. Quando
sentimos a necessidade de nos aproximar das outras pessoas,
quando queremos conhecê-las melhor e dar-nos a conhecer,
estamos a responder à vocação de Deus
- uma vocação que está gravada na nossa
natureza de seres criados à imagem e semelhança
de Deus, o Deus da comunicação e da comunhão.
O desejo de interligação e o instinto de comunicação,
que se revelam tão naturais na cultura contemporânea,
na verdade são apenas manifestações
modernas daquela propensão fundamental e constante
que têm os seres humanos para se ultrapassarem a si
mesmos entrando em relação com os outros.
Na realidade, quando nos abrimos aos outros, satisfazemos
às nossas carências mais profundas e tornamo-nos
de forma mais plena humanos. De fato amar é aquilo
para que fomos projetados pelo Criador. Naturalmente não
falo de relações passageiras, superficiais;
falo do verdadeiro amor, que constitui o centro da doutrina
moral de Jesus: «Amarás o Senhor, teu Deus,
com todo o teu coração, com toda a tua alma,
com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças»
e «amarás o teu próximo como a ti mesmo»
(cf. Mc 12, 30-31). Refletindo, à luz disto, sobre
o significado das novas tecnologias, é importante
considerar não só a sua indubitável
capacidade de favorecer o contato entre as pessoas, mas
também a qualidade dos conteúdos que aquelas
são chamadas a pôr em circulação.
Desejo encorajar todas as pessoas de boa vontade, ativa
no mundo emergente da comunicação digital,
a que se empenhem na promoção de uma cultura
do respeito, do diálogo, da amizade.
Assim, aqueles que operam no setor da produção
e difusão de conteúdos dos novos «mídia»
não podem deixar de sentir-se obrigados ao respeito
da dignidade e do valor da pessoa humana. Se as novas tecnologias
devem servir o bem dos indivíduos e da sociedade,
então aqueles que as usam devem evitar a partilha
de palavras e imagens degradantes para o ser humano e, consequentemente,
excluir aquilo que alimenta o ódio e a intolerância,
torna vil a beleza e a intimidade da sexualidade humana,
explora os débeis e os inermes.
As novas tecnologias abriram também a estrada para
o diálogo entre pessoas de diferentes países,
culturas e religiões. A nova arena digital, o chamado
ciberespaço, permite encontrar-se e conhecer os valores
e as tradições alheias. Contudo, tais encontros,
para ser fecundos, requerem formas honestas e correta de
expressão juntamente com uma escuta atenciosa e respeitadora.
O diálogo deve estar radicado numa busca sincera
e recíproca da verdade, para realizar a promoção
do desenvolvimento na compreensão e na tolerância.
A vida não é uma mera sucessão de fatos
e experiências: é antes a busca da verdade,
do bem e do belo. É precisamente com tal finalidade
que realizamos as nossas opções, exercitamos
a nossa liberdade e nisso - isto é, na verdade, no
bem e no belo - encontramos felicidade e alegria. É
preciso não se deixar enganar por aqueles que andam
simplesmente à procura de consumidores num mercado
de possibilidades indiscriminadas, onde a escolha em si
mesma se torna o bem, a novidade se contrabandeia por beleza,
a experiência subjetiva sobrepõem-se à
verdade.
O conceito de amizade obteve um renovado lançamento
no vocabulário das redes sociais digitais que surgiram
nos últimos anos. Este conceito é uma das
conquistas mais nobres da cultura humana. Nas nossas amizades
e através delas crescemos e desenvolvemo-nos como
seres humanos. Por isso mesmo, desde sempre a verdadeira
amizade foi considerada uma das maiores riquezas de que
pode dispor o ser humano. Por esse motivo, é preciso
prestar atenção para não banalizar
o conceito e a experiência da amizade. Seria triste
se o nosso desejo de sustentar e desenvolver as amizades
on-line fosse realizado à custa da nossa disponibilidade
para a família, para os vizinhos e para aqueles que
encontramos na realidade do dia a dia, no lugar de trabalho,
na escola, nos tempos livres. De fato, quando o desejo de
ligação virtual se torna obsessivo, a consequência
é que a pessoa se isola, interrompendo a iteração
social real. Isto acaba perturbando também as formas
de repouso, de silêncio e de reflexão necessárias
para um desenvolvimento humano sadio.
A amizade é um grande bem humano, mas esvaziar-se-ia
do seu valor, se fosse considerada fim em si mesma. Os amigos
devem sustentar-se e encorajar-se reciprocamente no desenvolvimento
dos seus dons e talentos e em colocá-los a serviço
da comunidade humana. Neste contexto, é gratificante
acompanhar a chegada de novas redes digitais que procuram
promover a solidariedade humana, a paz e a justiça,
os direitos humanos e o respeito pela vida e o bem da criação.
Estas redes podem facilitar formas de cooperação
entre povos de diversos contextos geográficos e culturais,
permitindo-lhes aprofundar a comum humanidade e o sentido
de corresponsabilidade pelo bem de todos. Todavia devemo-nos
preocupar por fazer com que o mundo digital, onde tais redes
podem ser constituídas, seja um mundo verdadeiramente
acessível a todos. Seria um grave dano para o futuro
da humanidade, se os novos instrumentos da comunicação,
que permitem partilhar saber e informações
de maneira mais rápida e eficaz, não fossem
tornados acessíveis àqueles que já
são econômica e socialmente marginalizados
ou se contribuíssem apenas para incrementar o desnível
que separa os pobres das novas redes que estão se
desenvolvendo a serviço da informação
e da socialização humana.
Quero concluir esta mensagem dirigindo-me especialmente
aos jovens católicos, para exortá-los a levarem
para o mundo digital o testemunho da sua fé. Caríssimos,
senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo
ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais
se apóia a vossa vida. Nos primeiros tempos da Igreja,
os Apóstolos e os seus discípulos levaram
a Boa Nova de Jesus ao mundo greco-romano: como então
a evangelização, para ser frutuosa, precisou
de uma atenta compreensão da cultura e dos costumes
daqueles povos pagãos com o intuito de tocar as suas
mentes e corações, assim agora o anúncio
de Cristo no mundo das novas tecnologias supõe um
conhecimento profundo das mesmas para se chegar a uma sua
conveniente utilização.
A vós, jovens, que vos encontrais quase espontaneamente
em sintonia com estes novos meios de comunicação,
compete de modo particular a tarefa da evangelização
deste «continente digital». Sabei assumir com
entusiasmo o anúncio do Evangelho aos jovens de vossa
idade! Conheceis os seus medos e as suas esperanças,
os seus entusiasmos e as suas desilusões: o dom mais
precioso que lhes podeis oferecer é partilhar com
eles a «boa nova» de um Deus que Se fez homem,
sofreu, morreu e ressuscitou para salvar a humanidade. O
coração humano anseia por um mundo onde reine
o amor, onde os dons sejam compartilhados, onde se construa
a unidade, onde a liberdade encontre o seu significado na
verdade e onde a identidade de cada um se realize numa respeitosa
comunhão. A estas expectativas pode dar resposta
a fé: sede os seus arautos! Sabei que o Papa vos
acompanha com a sua oração e a sua bênção.
Vaticano, 24 de Janeiro - dia de São
Francisco de Sales - de 2009
BENTO
XVI
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