Clima de suspense

Data de publicação: 04/08/2017

Clima de suspense
O que pode acontecer? – é a dúvida de quem vê a gravidade das mudanças climáticas da Terra.

O Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, 16 de setembro, instituído pela Organização das Nações Unidas  (ONU), em 1994, tem o que comemorar em 2015, porque o protetor solar da Terra dá sinais de recuperação. Conforme o monitoramento internacional, entre 2000 e 2013, o ozônio da estratosfera cresceu em 4% e pode se recuperar até 2050. Por outro lado, o aquecimento ameaça o ecossistema global.

Novo clima

O branco brilhante das cordilheiras nevadas cede lugar ao cinza das rochas. O gelo perene do Polo Norte se reduz e o do Polo Sul perde a solidez e se expande, enquanto os mares aumentam e corroem as praias. Esse desequilíbrio evidencia uma rápida elevação da temperatura jamais vista em milhões de anos. A Terra aqueceu 8ºC (graus Celsius) desde o grande avanço da Era industrial, no século 19.
“As alterações climáticas estão intrinsecamente ligadas à saúde pública, à segurança da água e dos alimentos, aos movimentos migratórios e à paz. É uma questão moral de justiça social, de Direitos Humanos e de ética fundamental. Atenuar os efeitos das mudanças climáticas é urgente para erradicar a pobreza extrema, reduzir a desigualdade e garantir um desenvolvimento econômico justo e sustentável”, destacou o secretário geral da ONU Ban Ki-moon, em visita ao papa Francisco, em 28 de abril de 2015.
O Relatório do Desenvolvimento Humano de 2014, reconhecido pela ONU, afirma que o planeta Terra possui resiliência, isto é, capacidade de enfrentar e resistir às condições adversas ao seu equilíbrio natural. Ao mesmo tempo, porém, precisa de ações humanas resilientes, que revertam os graves índices de degradação ambiental causados pelo desenvolvimento não sustentável. O economista e engenheiro industrial indiano Rajendra Pachauri, ex-presidente do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas e Prêmio Nobel da Paz de 2007 como líder da instituição, escreveu para o Relatório de 2014, o texto que segue, na qual faz projeções realistas e preocupantes (subtítulos da redação).

Impactos
Abordar o problema das vulnerabilidades e reforçar a resiliência nos obrigará a fazer face aos impactos das alterações climáticas, que poderão ser mais graves se a mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) não for adotada ou for inadequada. O recente relatório do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas adianta claramente que as últimas três décadas têm sido sucessivamente mais quentes, no que se refere à superfície da Terra, do que qualquer década anterior desde 1850. No Hemisfério Norte, o período de 1983 a 2012  foi provavelmente os 30 anos mais quentes dos últimos 1.400 anos.
O ritmo de subida do nível do mar, desde meados do século 19, tem sido superior à média dos dois milênios anteriores. De 1901 a 2010, o nível médio dos mares no mundo aumentou 0,19 metro e as projeções indicam que, num cenário de maior concentração de GEE, a subida será entre 0,52 e 0,98 metro até 2100 e entre 0,58 e 2,03 até 2200. Uma situação assim testaria severamente a capacidade de resiliência e de adaptação das sociedades nas zonas costeiras e de baixa altitude. Também é provável que a subida do nível médio do mar contribua para tendências crescentes de fenômenos extremos nas faixas litorâneas.

Projeções

A duração, a frequência e a intensidade dos períodos quentes ou ondas de calor aumentarão na maior parte da superfície terrestre. Com base em cenários de emissões de GEE, a ocorrência de um dia mais quente em 20 anos é provável que passe a ser um fenômeno de um em cada dois anos, até o fim do século 21, na maioria das regiões. A frequência de precipitação intensa ou a porcentagem de precipitação total provenientes de chuvas fortes aumentará em muitas áreas do planeta. O Oceano Ártico quase sem gelo no mês de setembro (outono naquela região) poderá, em breve, ser uma realidade no cenário da maior concentração de GEE.
Algumas das mudanças esperadas em decorrência das alterações climáticas serão abruptas, deixando menos tempo para adaptação. Uma grande parte dessas mudanças, resultantes das emissões de gás carbônico (CO2), se tornará irreversível numa escala de tempo de multicentenária a milenar. Por exemplo, dependendo do cenário, 15% a 40% do CO2 emitido ficará na atmosfera por mais de mil anos. Também é praticamente certo que a subida do nível médio do mar se manterá para além de 2100, e, devido ao aumento das temperaturas, assim continuará por muitos séculos. A perda de massa das camadas de gelo causará uma maior subida do nível das águas do mar, sendo que uma parte dessa perda poderá ser irreversível.
Há forte probabilidade de que um maior aquecimento, para além de um determinado limiar, levaria à perda quase total da camada de gelo da Groenlândia no espaço de um milênio ou mais, causando um aumento do nível médio dos mares em todo o mundo, em torno de 7 metros.

Providências
As iniciativas vão desde uma transição por etapas até transformações essenciais para reduzir os riscos de fenômenos climáticos extremos. A sustentabilidade social, econômica e ambiental pode ser reforçada por abordagens de adaptação e gestão do risco de catástrofes. Uma condição prévia para a sustentabilidade no contexto das alterações climáticas passa por abordar as causas subjacentes à vulnerabilidade, incluindo as desigualdades estruturais que criam e sustentam a pobreza e restringem o acesso aos recursos.
As ações mais eficazes de adaptação e redução dos riscos de catástrofes são as que oferecem benefícios em matéria de desenvolvimento, num prazo relativamente curto, bem como a redução da vulnerabilidade de longo prazo. Existem muitas abordagens e caminhos para um futuro sustentável e resiliente. No entanto, os limites da resiliência são postos em causa quando os limites e pontos de ruptura associados aos sistemas sociais e naturais são ultrapassados, impondo graves desafios à adaptação.
A sociedade mundial tem de estar ciente de que nem a mitigação nem a adaptação sozinhas podem evitar todos os impactos das alterações climáticas. Podem, sim, complementar-se e, em conjunto, reduzir significativamente os riscos dessas alterações (cf. Relatório do Desenvolvimento Humano de 2014, p. 52).
Acesse o texto completo em português www.pnud.org.br

Fonte: Dia-Edição 79 - Ago/Set 2015
Postado por: Diálogo




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