Pensando sobre mitos no Ensino Religioso

Data de publicação: 13/07/2018


O Brasil é a terra da multiculturalidade nas tradições religiosas, nos rituais, nas festividades, nos costumes, nas questões étnico-culturais, políticas e sociais e nas escolhas entre uma ou outra religião. O ambiente escolar brasileiro concentra uma grande diversidade que se reflete em ideias, pensamentos, opiniões, escolhas, gostos e entendimentos. Os estudantes são diferentes, e a unidade escolar precisa ser espaço de acolhida, respeito e convivência das múltiplas culturas existentes.
A conjuntura educacional brasileira manifesta a necessidade da formação cidadã dos sujeitos; o ensino é questionado e refletido sob as novas óticas, nas quais o professor assume o papel de mediador, despertando o estudante para o novo, a construção, a produção e a apropriação de saberes. Nesse cenário, o Ensino Religioso, como integrante da Educação Básica, proporciona o diálogo e o entendimento das diferenças, a convivência, a urgência de práticas alteritárias, relacionamentos tanto entre indivíduos como entre grupos culturais e religiosos, e a garantia dos direitos humanos. Pressupostos estes sempre essenciais na efetivação de mundos diferentes e habitáveis.
O Ensino Religioso tem como objeto de estudo o Fenômeno Religioso e possibilita o respeito à diversidade cultural e religiosa. O reconhecimento da diversidade se dá na troca de informações, ideias e experiências trazidas pelos estudantes, de acordo com suas vivências, a partir de processos de ressignificação da linguagem utilizada por eles.
É impossível pensar em homogeneidade no espaço escolar, porque cada um tem traços culturais oriundos do ambiente em que nasce, cresce e estabelece relações sociais.  É preciso, portanto, desenvolver situações de aprendizagem que levem a uma ação transformadora, capaz de garantir o respeito e o reconhecimento da diversidade. Para isso, é indispensável organizar e selecionar materiais e recursos que favoreçam a aprendizagem, valorizando as dificuldades e as potencialidades de cada estudante e aproximando-os da práxis da pergunta e da participação, para a construção dos saberes.
O Ensino Religioso enfrenta inúmeros desafios: a compreensão de que a disciplina não é aula doutrinal nem apenas sobre valores humanos; o entendimento de que o estudante deve ser sujeito atuante e participante no processo ensino-aprendizagem; a organização e a seleção de materiais e recursos apropriados; o diálogo e a escuta como bases essenciais na elaboração de novos saberes.
Dentre os conteúdos do currículo multicultural que contribui para o enfrentamento dos desafios, destacam-se temas universais como os mitos, que além de atraírem o interesse, afirmam a identidade não doutrinária do Ensino Religioso.     
Nos últimos tempos, surgiram várias linhas de interpretação dos mitos. A concepção funcionalista do antropólogo Bronislaw Malinowski afirma que o mito tem uma função social religiosa e moral ou de busca do conhecimento. Para Longen, os mitos descrevem a procura da relação do ser humano com o divino e acrescentam a explicação e a compreensão da vida e de suas circunstâncias: origem e fim, bem e mal, relacionamento, trabalho, natureza e outros.

Atividades de aprendizagem
1. Iniciamos a abordagem do tema, partindo do conhecimento dos estudantes sobre o conceito mito.
2. A partir da definição e da socialização dos saberes, procuramos entender de que modo os mitos interferem na vida humana e na convivência social.
3. A seguir, analisamos mitos da origem do universo e da humanidade, presentes entre povos orientais, ocidentais, africanos e indígenas.
4. Depois da análise, os estudantes representaram em maquetes a origem da vida e dos seres vivos, de acordo com as narrativas míticas estudadas.
5. Por fim, houve exposição dos materiais com as devidas explicações, no ambiente escolar.
6. Na avaliação, destacamos a relação e a interatividade entre o conhecimento cotidiano e o científico. Nessa perspectiva, os estudantes foram avaliados nos requisitos: interação, socialização, participação no grupo, desempenho nas atividades propostas e apresentação das tarefas realizadas.
Contribuição de duas professoras:
Josiane Crusaro. Licenciada em História e Ciências da Religião – Ensino Religioso. É professora de Ensino Religioso e vice-secretária da Associação dos Professores de Ensino Religioso do Estado de Santa Catarina (ASPERSC/ Gestão 2012-2013).
Lindamir Crusaro. Pedagoga com habilitação em magistério para os anos iniciais do Ensino Fundamental. É professora da Rede Municipal de Ensino, de Faxinal dos Guedes (SC).

Trabalho interdisciplinar de Ensino Religioso com adolescentes e jovens

Mito de origem do povo africano Bantu
Os quilombos brasileiros têm raízes nos grupos intertribais africanos que reuniam membros de várias aldeias do grupo Bantu.
O mito de origem bantu ensina que o deus supremo Kalunga, ou Zambi, criou o mundo e o deixou aos cuidados dos seres humanos. O mundo é uma grande força que veio do Criador e é conservada pelas criaturas. As pessoas atuais e os espíritos de seus antepassados são unidos pela força vital que passa de uns para os outros e os liga entre si como em uma grande teia de aranha que se move inteira ao mais leve toque. Os vivos devem honrar os espíritos dos antepassados por meio de oferendas, cânticos e danças, para que eles aumentem continuamente a força vital de seus descendentes. Essa força se traduz em filhos, saúde, alimento abundante, felicidade familiar, paz e todos os valores que são importantes em qualquer cultura ou religião.
Atividade
1. Lançar na sala as questões:
a. O mito é verdade ou falsidade? (deixar os estudantes falarem, depois esclarecer que o gênero literário mito é a narrativa simbólica que tenta explicar os mistérios da vida – origem, morte, sofrimento, imortalidade – ou fenômenos da natureza, portanto, não é falsidade).
b. Existem mistérios explicados por linguagem simbólica hoje em dia? (o coração pode ser conhecido cientificamente sob o aspecto biológico e – na linguagem mítica simbólica – representa o amor).
2. Analisar o mito de origem do povo Bantu:
a. Qual é o mistério que o mito explica? (o surgimento do mundo e de todos os seres, a sucessão das gerações, os sentimentos que unem as famílias).
b. Por que esse mito é religioso? (porque explica o mistério da origem humana, atribuindo-o ao deus criador).
3. Pedir que os estudantes construam ou desenhem a rede de neurônios do cérebro humano.
a. Propor que os estudantes comparem as funções interligadas da “rede” de neurônios do cérebro humano com a crença bantu na força vital do Criador, que interliga as criaturas.
4. Sugerir que os estudantes escolham formas originais de representar as conclusões  a que chegaram.
  
 

Fonte: Dialogo 73 Fevereiro/Abril de 2014
Postado por: Diálogo




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