Ecos espirituais seculares

Data de publicação: 14/09/2018


Prece dos caçadores

Enchei a cada dia os laços,
fazei vir vossas renas fêmeas,
fazei descer vossos servos,
predestinai vossos gordos animais.
Do alto do céu, dai-nos a sorte e a fortuna.
Da extensão da terra, dai-nos a sorte e a alegria.
Sobre a terra do meio todos vivem na luz do sol,
para lá vão os que nasceram.
Que tenham um futuro melhor.
Do alto, Seveki guardará os seus destinos.
Por muito tempo, conservará a vida de meus filhos.
(Prece dirigida ao espírito protetor da taiga – floresta siberiana – e aos ancestrais, pelos xamãs dos povos Buryat e Evenk, habitantes da Sibéria – livro La chasse à l'âme: esquisse d'une théorie du chamanisme sibérien. Roberte Hamayon. Nanterre: Socyété d’ethnologie, 1990, p. 628 – tradução DIÁLOGO.) 
Atividade de Ensino Religioso
Sugerir aos estudantes que analisem a prece:
Qual é a atividade dos povos Buryat e Evenk da Sibéria? (caçadores de renas).
Segundo a crença desses povos, a quem pertencem os animais? (ao espírito da taiga).
O que os xamãs pedem ao Transcendente? (as renas de que necessitam).
Como aparece a ideia de imortalidade dos ancestrais? (Sobre a terra do meio todos vivem na luz do sol).
O que significa “Para lá vão os que nasceram”? (expressão das religiões ao falar da morte: todos os seres vivos morrem).
Há uma bênção do Transcendente para os ancestrais (Terão um futuro melhor... Terão guardados seus destinos) e outra para os vivos (Viver longamente, ter família e descendência). Quais são elas?
Refletir:
Essa prece traz algo de que discordamos?   
Traz algo válido para os nossos dias?


Prece dos agricultores
Deus! Recebe a saudação da manhã!
Antepassados! Recebam a saudação da manhã!
Chegou o dia escolhido,
Sairemos para semear,
Sairemos para cultivar.
Deus! Dá ao milho a germinação,
Que brotem os oito grãos,
Assim como a nona cabaça.
Dá mulher àquele que não tem
Dá uma criança
Àquele que tem uma mulher sem filho.
Protege os homens contra os espinhos,
Contra as mordidas de serpente,
Contra o mau vento.
Como cai a água do pote, Milho! Vem!
Amma, recebe a saudação da manhã (...)
Chegou o dia de provar o novo (milho)
Quando vier o inverno,
faz-nos cultivar a terra com saúde.
Hoje é o dia de oferenda,
Faz-nos viver até a festa da sementeira.
Amma! Faz-nos viver até o ano que vem, como até hoje.
(Prece de plantio e colheita do milho, povo Dogon do Mali, na África - livro Les ames dês Dogon, Germaine Dieterlen, Paris, Institut d’Ethnologie, 1941, p. 166 – tradução DIÁLOGO.)

Atividade de Ensino Religioso
Sugerir aos estudantes que analisem a prece:
Que tipos de ritos sagrados aparecem na prece? (prece matinal, festas de semeadura e de colheita, oferendas).
Quais os símbolos usados nesses ritos? (oito sementes, cabaça, água, pote).
A súplica por fertilidade atinge só a terra? (a terra e a família).
Em que o povo Dogon espera a proteção de Deus? (contra os perigos, as doenças, as catástrofes naturais...).
Refletir:
Qual é a relação do povo Dogon com a natureza?
Essa prece traz algo válido para os nossos dias?






Fonte: Dialogo 77, Fevereiro/Abril de 2015
Postado por: Diálogo




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