Mostra Cultural das Religiões

Data de publicação: 09/10/2018



Por,Alcemira Maria Fávero e Jocimara de Fátima Quaresma

Respeitar a diversidade cultural religiosa ainda é um grande desafio às populações do mundo inteiro. Devemos acreditar que a ignorância pode ser educada, visto que, quanto maior for o nosso conhecimento sobre o universo religioso, melhor será o nosso discernimento a respeito das questões que o envolvem. Respeitar as outras religiões é crescer em sabedoria, e este deve ser o propósito de todos os que compartilham do espaço escolar. Precisamos aprender com a pluralidade religiosa, pois o ganho cultural que ela pode proporcionar é imensurável.
O conhecimento religioso é patrimônio da humanidade e o acesso a ele é um direito de todos, assegurado no currículo escolar o Ensino Religioso. Por meio deste foi desenvolvida a Mostra Cultural das Religiões, que culminou em uma grande festa cultural e religiosa na Escola Menino Jesus Notre Dame, da cidade de Passo Fundo (RS), ocorrida em 26 e 27 de agosto de 2010. Neste evento também foi comemorado o Ano do Ensino Religioso com o objetivo de propor aos educadores, estudantes, pais e à comunidade em geral que é possível ver, ouvir, sentir, perceber e ler o religioso que se mostra na diversidade do cotidiano, além de criar um espaço de conhecimento e expressão cultural no ambiente escolar.

As Tradições Religiosas e os símbolos sagrados
No contexto educativo, ousamos falar de Deus como sinal vivo, inscrito na fé de cada pessoa, buscando reconhecer o sagrado nas diversas manifestações, e perceber o simbolismo presente na arte, nos rituais e cultos, festas e celebrações religiosas.
Na Mostra Cultural, procuramos estudar as diversas expressões de religiosidade que cercam o nosso cotidiano a partir do Fenômeno Religioso presente nas culturas cigana, afro-brasileira, indígena, islâmica, hinduísta, budista, judaica e cristã. Os estudantes-pesquisadores realizaram pesquisas sobre o sagrado, a Transcendência, as orações, a religiosidade popular, e as apresentaram através de diferentes expressões artísticas.
Outro estudo realizado foi sobre as ervas medicinais, com as quais se fabricaram sabonetes e saches aromáticos, que posteriormente foram postos à venda. O valor arrecadado destinou-se à campanha da compra de uma cadeira de rodas motorizada para uma pessoa com necessidades especiais. Com esse gesto de solidariedade, os alunos demonstraram que fazer o bem às pessoas é também um acontecimento religioso.

Cultura, religiosidade e pluralidade
No centro de toda a festividade, houve um destaque à dança Para dizer sim à vida, representando a água, que é fonte de vida e símbolo de religiosidade, pois está presente nos diversos rituais das Igrejas.
A dança cigana também contagiou o ambiente com o seu ritmo festivo e com a alegria das cores. Foi algo totalmente novo em nosso contexto escolar, pois jamais havíamos estudado a religiosidade do povo cigano. Descobrimos que a alma cigana pertence ao mundo, que não existem fronteiras para o viajante cigano. Seus santos são seu pai e sua mãe, que os acompanham e os protegem. São filhos do vento, da lua, das estrelas. A força cigana invoca o espírito de luz. 
Para valorizar a pluralidade religiosa, que cerca o cotidiano, foi proporcionado um encontro com representantes de diferentes Tradições Religiosas, presentes em Passo Fundo, através de um Circuito do Conhecimento Religioso. Cada um dos convidados pôde apresentar brevemente a sua religião. Esse momento contou com a participação das religiões afro-brasileira, espírita, cristãs de confissão luterana, católica e evangélica, budista e judaica.
Na realização desse evento, buscamos passar para os estudantes que o Ensino Religioso contribui para o diálogo, a tolerância e o respeito profundo às diferenças, de modo que no ambiente escolar se possa investigar e aprender a analisar os problemas também na perspectiva religiosa, e que a espiritualidade de cada pessoa seja vivida com fé, discernimento e liberdade de expressão.

Alcemira Maria Fávero e Jocimara de Fátima Quaresma
Professoras da Escola Menino Jesus Notre Dame e coordenadoras do Projeto Mostra Cultural das Religiões.


Professor(a)
Esta seção é sua. Aqui você pode divulgar as experiências com o Ensino Religioso realizadas por você em sala de aula, ou por sua escola.
Para saber mais, entre em contato com a nossa equipe de Redação via e-mail: dialogo@paulinas.com.br ou escreva para DIÁLOGO – REVISTA DE ENSINO RELIGIOSO – Rua Dona Inácia Uchoa, 62 – Bloco A – Vila Mariana – CEP 04110-020 – São Paulo – SP.

Fonte: Diálogo 62, Maio/Julho 2011
Postado por: Diálogo




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Songkran – Ano-Novo tailandês
O termo sânscrito songkran significa passar ou mover-se, de fato a festa simboliza um recomeço inerente à passagem de ano
Mãos abertas uns para os outros
Como os indígenas administram o que têm, isto é, o seu sistema econômico,nas selvas tropicais de nossa América
A liberdade tem rodas
A capoeira do Brasil, uma das mais importantes e eficazes estratégias de resistência dos africanos à violência escravista
Identidade firmada nos ancestrais
Foi através da religião que os africanos e afro-brasileiros souberam imaginar maneiras de superar as limitações
Flores da terra seca
A caatinga nordestina queimada de sol é solo fértil para flores literárias de rara beleza e perfume
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados