Música na escola

Data de publicação: 05/12/2018


 Agente facilitador da educação

Por, Telma Santos da Silva *

“Um povo que sabe cantar está a um passo da felicidade” – disse Villa-Lobos. Em um acorde com o grande mestre, pode-se dizer que estamos em um momento muito importante para a escola, após a Lei 11.769/2008 ter reintegrado a música no processo educacional brasileiro.
A implantação da Lei (veja o texto à pág.60) faz necessários não só o compromisso do MEC (Ministério da Educação e Cultura) com as secretarias estaduais e municipais de educação, como também a adesão de todos os agentes da educação, desde gestores até os familiares dos estudantes, que devem estar conscientes da importância da música não só enquanto inclusão de tão importante aspecto da cultura do povo brasileiro na sala de aula, como enquanto formação integral para as crianças, adolescentes e jovens.    
Um dos principais objetivos do ensino da música na escola é desenvolver a inteligência e melhorar o rendimento escolar. Outro é buscar caminhos de educação significativa, nos quais a escola se transforme num ambiente rico, saudável e humano, fazendo com que toda a comunidade escolar volte a acreditar na educação. Mas, para que a Lei 11.769/2008 favoreça todas as potencialidades educativas, culturais e cidadãs da música, é preciso haver condições, tais como:
• Recursos financeiros assegurados pelo MEC;
• Conteúdos que atendam às expectativas dos sujeitos da educação e incluam a regionalidade;
• Espaços físicos e recursos pedagógicos apropriados para as aulas;
• Maior investimento na habilitação de docentes com licenciatura em música;
• Capacitação continuada e formação pedagógica para os professores músicos;
• Trabalhos interdisciplinares com outros componentes do currículo escolar.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental dizem que a escola é um espaço de formação e de informação onde a aprendizagem de conteúdos deve favorecer a inserção do aluno no dia a dia das questões sociais marcantes e em um universo cultural maior (cf. pág. 45). Sendo assim é de fundamental importância que a música ocupe o seu lugar no currículo e no cenário da educação brasileira, como linguagem simbólica do ser humano e da sociedade.
Platão afirmava que a música é um elo indispensável para a descoberta do mundo e o mais potente instrumento de formação da personalidade, seja no campo educacional, artístico, social, como no emocional e intelectual. Pesquisas recentes comprovam a sabedoria do filósofo grego e afirmam ser a música um dos estímulos mais potentes para ativar os circuitos do cérebro, afinar a sensibilidade, aumentar a capacidade de concentração e desencadear a memória. Salutar também será diferenciar a prática da música e a do canto, no ensino sistemático, além de inserir o lúdico e o estético na ação pedagógica por meio da música.
Observa-se, cada vez mais, na escola a falta de concentração, a apatia o déficit de atenção e as dificuldades no convívio familiar e social. Então se faz necessário redimensionar e definir o lugar da música na escola, pois seus benefícios são reais:
• Desperta a sensibilidade;
• Desenvolve as habilidades de percepção;
• Agrega valores;
• Estimula a produção estética e simbólica;
• Ativa a memória cerebral;
• Promove a convivência social e a socialização e a interação;
• Favorece a recreação;
• Previne o estresse;
• Melhora o equilíbrio;
• Aumenta a vitalidade geral.
É importante ter presente no projeto pedagógico da escola que a música não deve ter a intenção de formar profissionais, mas sim de proporcionar alegria, pois como diz Moacyr Carlos Júnior, “a criança é um ser musical e gosta muito de cantar. Basta darmos uma atividade em que a música esteja presente e veremos o brilho de seus olhos” (pág. 30).
Espera-se, portanto, que os benefícios advindos do ensino da música nas escolas sirvam como suporte para todas as áreas do conhecimento e seus métodos sejam eficazes para o ensino, a aprendizagem e a educação integral e cidadã.

* Telma Santos da Silva
Pedagoga, com especialização em Supervisão e Administração Escolar e Literatura Brasileira. Coordenadora pedagógica estadual do Programa de Leitura da Petrobras –Sergipe, membro do Comitê Sergipano do Proler (Programa Nacional de Incentivo à Leitura), educadora do Baú de Leitura, projeto do Instituto Recriando, articuladora da Horas de Estudo com Dinamizadores de Leitura da Secretaria Municipal da Educação de Aracaju.
  
Referências bibliográficas
LOUREIRO, Alicia Maria Almeida. O Ensino da música na escola fundamental, São Paulo, Papirus: 2003.
BASTIAN, Hans Gunther. Música na escola – A contribuição do ensino da música no aprendizado e no convívio social, São Paulo, Paulinas: 2009.
JÚNIOR, Moacyr Carlos. Literatura infanto-juvenil e seus caminhos, São Paulo, Paulus: 2002.
FERREIRA, Martins. Como usar a música na sala de aula, São Paulo, Contexto: 2001.
GOVERNO FEDERAL. Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental, Ministério da Educação, volume 6 – Arte, Brasília: 2001.
HOWARD, Walter. A música e a criança, São Paulo, Summus: 1984.


Sugestões de atividades interdisciplinares de Música no Ensino Religioso

1. Analisar músicas populares preferidas dos estudantes e refletir:
• A letra fala em Deus?
• Fala nele direta ou indiretamente?
• Como o apresenta: indiferente, injusto, vingativo, compreensivo, bom, amigo, distante, presente?
• Quais as semelhanças e diferenças entre essas ideias de Deus e o que aprendemos sobre ele na família e na religião que frequentamos?
• Que motivo haverá para a sociedade se referir a Deus por meio da música popular?

2. Reunir instrumentos musicais usados nos ritos das tradições religiosas a que pertencem os estudantes.
• Solicitar que as pessoas expliquem o papel dos instrumentos nos respectivos ritos sagrados;
• Sugerir uma pesquisa acerca da origem religiosa do canto, da música, da dança e dos instrumentos musicais;
• Refletir sobre os significados que os povos deram à música nas tradições religiosas e compará-los com os significados atuais;
• Finalizar com uma reflexão acerca da música como elemento central da cultura e da religiosidade humana.
 
3. Entrevistar pessoas da comunidade ou familiares
• Procurar pessoas que pertençam a diferentes tradições religiosas (afro-brasileira, indígena, cristã);
• Conhecer cantos, músicas, ritmos e cantigas sagradas que foram significativos nas vida destas pessoas;
• Perguntar às pessoas: por que esta música é importante para você? Que lembranças ela traz? Que sentimentos ela desperta?
• Anotar, gravar ou filmar os depoimentos das pessoas e apresentá-los na sala de aula;
• Refletir a respeito da música como elo do ser humano com o sagrado, o amor, a ternura, a fé, o mistério.     

Fonte: Diálogo n 58 mai/jul 2010
Postado por: Diálogo




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