Sumário - Edição 69

Data de publicação: 05/02/2013

Artigos
 

Avanços e sonhos presentes e futuros



O Estado brasileiro criou políticas públicas que procuram diminuir a dívida de justiça histórica para com o povo negro, que constitui metade da população do país. Se muito ainda está por fazer, a mudança já é notória nos últimos anos: os negros ocupam cada centímetro dos espaços de liberdade que conquistam. Espaços estes rapidamente transformados por todas as cores, movimentos e ritmos da Mãe África, que os antepassados não puderam mostrar, mas conservaram por tantos séculos como herança sagrada, muitas vezes sob o manto do sincretismo. Se anos atrás se encontravam, em meio aos objetos litúrgicos nas casas de artigos religiosos afro-brasileiros apenas imagens de santos, agora lá se encontram todos os orixás com seus símbolos nas mãos e suas vestes sagradas brilhantes.  
Os afluentes do Movimento Negro correm hoje das nascentes da geografia humana e cultural do Brasil: das artes à literatura, dos serviços às universidades, dos altos postos em empresas aos mais importantes cargos nos sistemas de governo. É o começo real do novo tempo, quando no país multicultural que somos, a cultura africana não será vista, apenas como dança, música e religião, mas também como filosofia, política, economia, educação, tecnologia, ciência, ética e sabedoria cotidiana. O negro estará presente em proporções iguais no protagonismo e na liderança que a sociedade oferecer aos cidadãos e que o Brasil até agora, ainda não franqueou a todos.
A igualdade real para todo cidadão, em proporção aos números do povo brasileiro, pode ser tratada pelo conservadorismo como utópica, mas não se pode esquecer que só a utopia atrai para a frente os processos que levam às transformações históricas e culturais.
É neste quadro de utópico e sonhador presente e futuro que se celebram as liberdades conquistadas nos primeiros 10 anos de ensino da História e da Cultura afro-brasileira e africana na educação formal do Brasil.      
                         Maria Inês Carniato – Diretora de redação

 




10. Didático
Religiosidade africana, patrimônio cultural

 
Para as comunidades educadoras identificadas com a Tradição Cristã, o livro Teologia e Educação – Educar para a caridade e a solidariedade serve de ponte entre o modelo de Ensino Religioso fenomenológico, aplicativo da área acadêmica das Ciências da Religião e o ideal de testemunhar no cotidiano os valores e princípios que justificam a existência da escola confessional como comunidade dialógica e acolhedora das diferenças.

Professor Marcos Rodrigues da Silva


14. Educação e Ensino Religioso
Cultura Afro-brasileira: Resgatando nossas Origens

 
A educação brasileira pautada no currículo multicultural e interdisciplinar em uma sociedade de identidades plurais, precisa articular novos conceitos s e diferentes saberes. O ensino da história do negro escravizado deve dar espaço à história anterior que ele trouxe de um continente imenso, com varias línguas e costumes e com os mais diversos saberes ancestrais. Na formação docente os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso podem desconstruir estereótipos e preconceitos na escola acerca da história e da religião do povo negro.

Professora Lilian Conceição Pessoa de Lira

Professora Selenir Corrêa Gonçalves Kronbauer


20. Religiões comparadas
Saberes e práticas enunciadas por palavra, mito e ritual

 
A proposta didática da lei 10639/03, conduz a uma educação que faz pensar sobre o símbolo ritual articulado com o mito e a palavra. Os autores analisam os ritos sagrados do “Caruru de Cosme Damião” e da “Ceia do Senhor” a partir da lógica do alimento e do sacrifício ritual que articulam crença, rito e palavra de modo semelhante nas tradições religiosas africana e cristã. A pesquisa comparada sobre o legado africano no Brasil, pode ajudar-nos realizar a proposta dos currículos multiculturais nas escolas.

Professora Marise de Santana

Professor Edson Dias Ferreira


26. Cultura midiática
O desafio da TV: mediar a diversidade

 
A televisão brasileira é extremamente lenta na inclusão das diferenças que constituem o povo brasileiro. Mantendo um ideal de sociedade branca e igual tem apenas 5,5% de profissionais afrodescendentes em sua programação de jornalismo e notícia, reforçando, muitas vezes, nas telenovelas, o preconceito e o estereótipo do lugar subalterno do negro na sociedade. Esta abordagem não contribui para a afirmação positiva da identidade afrodescendente especialmente de crianças e adolescentes negros

Professora Isabel Orestes Silveira da Silva


32. Educação filosófica
Construir valores educativos ou cumprir a Lei?

 
A história e as questões étnicas e filosóficas do povo negro indicam novos e diferentes valores, preciosos para a transformação da sociedade e da educação no Brasil. Uma ação eficaz é a criação de espaços para refletir e ressignificar a própria experiência e conhecimento, por meio de poesia, arte e produção literária, onde o novo protagonismo do jovem negro é possível na prática.

Professora Lilian Conceição Pessoa de Lira

Professor Obertal Xavier Ribeiro


38. Especial
2013-2022, Década do Afrodescendente

 
A ONU (Organização das Nações Unidas) acaba de lançar a Declaração que inspirará novas e mais eficazes ações de combate a toda espécie de racismo e exclusão por motivos de diferenças. O principal marco deste novo avanço será a Década voltada para os descendentes da diáspora africana no mundo.


Seções pedagógicas  
 
40. Sua Página
O lúdico no Ensino Religioso

 
O respeito às inteligências múltiplas e aos diferentes ritmos de aprendizado fez do 5º. ano da professora Brígida Karina um ambiente estimulante de conhecimento e alegria, com a confecção de jogos que reavivam a memória dos conteúdos adquiridos durante o ano.


44. Destaque
De olho nos jovens

 
Campanha da Fraternidade e Jornada Mundial da Juventude, dois eventos de grande repercussão liderados pela Igreja Católica Romana, movimentarão os jovens brasileiros no ano de 2013. Isso faz ver que as tradições religiosas têm algo a dizer para a juventude que, sedenta de respostas e luzes, muitas vezes procura sentidos amplos e duradouros para os sonhos e lutas da vida.


46. Entrevista
A construção de um direito

 
A professora negra gaúcha Petronilha Beatriz Gonçalves da Silva fala da trajetória de militância histórica no movimento negro brasileiro que a levou ao Conselho Nacional de Educação (CNE). Neste posto decisivo na educação brasileira, ela pode ser a relatora do parecer da Lei 10.639 de 2003 que instituiu a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Básica do País.


50. Aprendendo e ensinando
Dos baobás para as menininhas

 
Assim como o milenar Baobá é a árvore venerada pelas tradições religiosas africanas, também no Brasil uma mulher, Mãe Menininha do Gatois, cresceu até a estatura da sabedoria e se tornou o ícone da resistência do saber sagrado da Mãe África no Brasil.


54. Dicas
 
A educação brasileira pautada no currículo multicultural e interdisciplinar em uma sociedade de identidades plurais, precisa articular novos conceitos s e diferentes saberes. O ensino da história do negro escravizado deve dar espaço à história anterior que ele trouxe de um continente imenso, com varias línguas e costumes e com os mais diversos saberes ancestrais. Na formação docente os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso podem desconstruir estereótipos e preconceitos na escola acerca da história e da religião do povo negro.


56. Lenda
A criação de Oxalá

 
Dentre as inumeráveis narrativas míticas que formam o patrimônio cultural imaterial da tradição africana, a mitologia Iorubá situa a origem do mundo e da humanidade na esfera do sagrado, ao lado dos orixás, os primeiros seres que surgiram pela bondade do Criador.


59. Dialogando
 
O Ensino Religioso é ou não é uma área de conhecimento? Como dialogar e argumentar sobre a real identidade deste importante componente do currículo multicultural da Educação brasileira.


60. Você sabia
 
Os orixás do panteão Iorubá, trazidos dos países da África onde esta tradição está presente, são reverenciados nos ritos das várias expressões religiosas afro-brasileiras. Com maior ou menor sintonia com a matriz ancestral, cada orixá tem seu culto, sua cor e seu dia da semana, como também a sua missão para o bem-estar de todos os seres vivos.


64. Em Pauta
Festa no Rio Vermelho

 
Uma das festas religiosas mais conhecidas no Brasil, a cerimônia de 02 de fevereiro na praia de Salvador – BA, renova todos os anos a esperança do povo negro em tempos sempre mais abençoados e protegidos pela Mãe dos Mares, também representada no sincretismo por Nossa Senhora da Conceição.


66. Resenha
 
Para as comunidades educadoras identificadas com a Tradição Cristã, o livro Teologia e Educação – Educar para a caridade e a solidariedade serve de ponte entre o modelo de Ensino Religioso fenomenológico, aplicativo da área acadêmica das Ciências da Religião e o ideal de testemunhar no cotidiano os valores e princípios que justificam a existência da escola confessional como comunidade dialógica e acolhedora das diferenças.

Fonte: Diálogo 69
Postado por: Diálogo




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