Os cegos e o elefante

Data de publicação: 03/06/2015

Os cegos e o elefante

Era uma vez, seis cegos à beira de uma estrada. Certo dia, lá do fundo de sua escuridão, eles ouviram um alvoroço e perguntaram o que era.
– É um elefante passando e a multidão tumultuada atrás dele – respondeu um transeunte.
– Um elefante?
Os cegos nunca tinham visto nenhum elefante e quiseram ver. Então o guia parou o animal e os cegos começaram a examiná-lo. Apalparam, apalparam. Terminando o exame, lá se foi o guia com o elefante, e a multidão atrás dele.
E os cegos começaram a conversar:
– Puxa! Que animal esquisito! Parece uma coluna coberta de pêlos!
– Você está doido? Coluna que nada! Elefante é um enorme abano, isto sim!
– Qual abano, colega! Você até parece cego! Elefante é quase uma espada que me feriu.
– Nada de espada, nem de abano, nem de coluna. Elefante é uma corda, eu até a puxei.
– De jeito nenhum! Elefante é uma enorme serpente que se enrola.
– Mas quanta invencionice! Então eu não vi bem? Elefante é uma grande montanha que se mexe.
E lá ficaram os seis cegos, à beira da estrada, discutindo pedaços do elefante.
Dividindo-se, incapazes de estabelecer um nexo entre os fragmentos, e cada um apegado à sua pequena verdade.
A realidade ELEFANTE escapou a todos eles.
Lenda oriental

A solução do problema
Um homem, ao sair do templo onde fizera suas orações, retornava para casa, quando, caminhando pelas ruas, viu uma menina, malvestida e tiritando de frio, à procura de quem lhe desse algo para comer. Indignado, pensou consigo: Deus, onde você está, que permite uma coisa dessas? Por que não faz nada para solucionar esse problema?
Não se ouviu resposta alguma. De volta à casa, porém, e quando adorme­cia, o homem ouviu estas palavras do Senhor: “Certamente, já fiz uma coisa por aquela menina: fiz você!”.
História de Sádi – místico árabe

Os dois cães
Um menino que estava com raiva do seu colega, porque este lhe tinha feito uma injustiça, foi procurar o seu avô e contou-lhe o ocorrido.
O avô o abraçou carinhosamente e, colocando-o ao colo, disse-lhe:
– Algumas vezes, eu também senti muita raiva e até ódio de pessoas que me fizeram mal, sem a mínima consideração para comigo. Porém, percebi uma coisa: o ódio corrói você, mas não atinge o seu inimigo. É o mesmo que tomar veneno, desejando que seu inimi­go morra. Lutei muitas vezes contra esses sentimentos.
E ele continuou:
– É como se existissem dois cães dentro de mim. Um deles é bom e não agride. Ele vive em harmonia com todos ao redor. Só luta quando for certo fazer isso, e de maneira correta. Mas, o outro cão, esse é perigoso! Está sempre cheio de raiva. Mesmo as pequenas coisas o lançam num ataque de ira e agressão. Ele briga com todos, o tempo todo, por qualquer motivo. Não consegue pensar porque seu ódio e sua raiva são muito grandes. Uma raiva inútil, pois não vai mudar coisa alguma. Algumas vezes é difícil de conviver com esses dois cães dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito.
O menino olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou:
– Qual deles vence, vovô?
O avô sorriu e respondeu baixinho:
– Aquele que eu alimento mais frequentemente.
Conto oriental

Fonte: Diálogo 39- Agosto 2005
Postado por: Diálogo




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Antonio Conselheiro
Um beato e sua palavra. Estou falando de Belo Monte (BA), e seu líder religioso Antônio Conselheiro
A quadrilha
No Brasil, temos vários ciclos artísticos-culturais, com manifestações características
Fraternidade e Políticas Públicas
Anualmente a Igreja Católica no Brasil promove a Campanha da Fraternidade, que tem início no período quaresmal e se estende ao ano todo. “Fraternidade e Políticas Públicas” foi o tema escolhido para a Campanha de 2019.
O segredo das grandes águas
Uma aldeia Kaingang vivia à margem de um sereno rio que os índios chamaram Iguaçu (grandes águas).
O Bricoleur sagrado contemporâneo
Pelo menos 26% da população brasileira adulta já passou por uma conversão religiosa.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados