Ramadã

Data de publicação: 03/08/2015

Ramadã
Em sintonia com a vontade de Allah 

   
A aurora de 22 de agosto deste ano encontrará mais de 1 bilhão e 500 milhões de fiéis muçulmanos do mundo preparados para o Ramadan, dito no Brasil Ramadã. É o 9º mês do calendário islâmico lunar (contado desde a hégira – 622 da Era Comum ou Era Cristã – e, atualmente, no ano 1430).
    O 9º mês chegará ao fim no dia 20 de setembro e durante este tempo sagrado é intensificada uma profunda vivência cotidiana, dos cinco pilares da fé islâmica:
O testemunho de que Deus é único – Ash-Shahadah;
A oração diária organizada em cinco momentos – As-Salah;
O jejum, intensificado no 9º mês – As-Siyam;
A partilha do alimento com os necessitados – Az-Zakat;
A peregrinação a Meca, ao menos uma vez na vida – Al-Hajj (não necessariamente no 9º mês).

 As-siyam, sentir o sofrimento do irmão necessitado
    Trata-se de  um pilar fundamental da prática islâmica. Traduzido por jejum, As-Siyamabrange uma atitude muito mais ampla e profunda do que a simples abstinência de alimento por um tempo. O principal objetivo do exercício de se privar de nutrição e de água, enquanto houver luz do sol, ao longo do mês de Ramada, é experimentar o sofrimento dos mais pobres, que durante o ano inteiro passam por necessidades básicas, e a eles se sensibilizar por meio da assistência e da partilha.
    Durante o Ramadã ocorre uma maior aproximação das famílias que se reúnem para o Iftar, a ceia compartilhada depois do pôr-do-sol. A segunda refeição permitida é a Tasahor da madrugada, que garante a energia necessária para o dia de trabalho até o anoitecer seguinte.
    O jejum é guardado por todos os muçulmanos, exceto enfermos, crianças de até 12 anos, senhoras gestantes e pessoas que se encontram em viagem inadiável. 

Assalah, submissão à vontade de Deus
    As orações cotidianas visam ajudar o fiel muçulmano a manter o coração à escuta dos desígnios de Deus e a santificar o trabalho e a convivência com os semelhantes.
    Quando não é possível se reunir com a comunidade que ora na mesquita, cada muçulmano, sozinho ou em pequeno grupo faz uma pausa nas atividades e recita as orações em qualquer lugar em que esteja, inclinando-se em reverência a Deus, na direção da cidade santa de Meca, onde se encontra a grande mesquita na qual está situado o santuário da Caaba, espaço sagrado central do islamismo no mundo. 
    Os cinco momentos de oração do dia são assim distribuídos:
Oração da manhã – Salatul- Fajr: rezada dentro do período de tempo que vai da aurora ao nascer do sol;
Oração do meio-dia – Salatul-Zohor: feita no período entre o zênite do sol e o horário da oração seguinte (às sextas-feiras é mais longa e mais solene);
Oração da meia tarde – Salatul-Açar: marca a metade do tempo entre o meio-dia e o por do sol;
Oração do anoitecer – Salatul-Maghrib: imediatamente após o por do sol;
Oração da noite – Salatul-Ixá: pode ser feita no período de tempo uma hora e meia após a oração anterior até antes da aurora.

    As cinco orações cotidianas são recitadas durante o ano todo, mas durante o mês de Ramadã as mesquitas registram maior número de frequentadores, porque as pessoas diminuem o ritmo do trabalho e dedicam mais tempo à leitura dos sagrados textos do Alcorão, à presença nos momentos comunitários de oração e à escuta das homilias cotidianas.
    O As-Siyam termina no primeiro dia do mês de Shawal, com o solene feriado de Id-Al-Fitr, no qual as famílias preparam um banquete. Os parentes e amigos trocam presentes e celebram o propósito de se tornarem mais sensíveis aos pobres, aos mais fraternos e aos mais dedicados à oração durante o ano todo. 

Atividade de pesquisa sobre um elemento do Fenômeno Religioso


Objeto de estudo –
Mês do Ramadã: amplamente divulgado pela cultura da comunicação.

Aplicação dos cinco eixos curriculares do Ensino Religioso

Ritos e símbolos – Jejum, ceia familiar, partilha com os necessitados, reunião no espaço sagrado da mesquita, oração, meditação sobre o texto sagrado, feriado festivo.      

Tradições religiosas – A tradição islâmica, herdeira de ritos, símbolos e crenças milenares do Oriente Médio, é uma das três religiões abraâmicas. Teve início em Meca, no atual território da Arábia Saudita, com a pregação de Mohammad, conhecido no Ocidente por Maomé (SAAS – sigla da frase em árabe: “Que a bênção e a paz de Allah estejam sobre ele” - saudação reverente ao nome do Profeta).  

Teologias – O principal dogma muçulmano proclama que Allah é o Deus único, sem gênero nem número, criador e senhor do universo e da humanidade. O ser humano, ao se submeter docilmente à vontade de Allah revelada no islamismo, faz-se merecedor da imortalidade e da felicidade eterna no Paraíso.

Textos sagrados – O Alcorão contém a revelação de Allah ao profeta Maomé (SAAS). Os ensinamentos dos sábios islâmicos sobre o Alcorão foram compilados na Sunna, cuja aplicação prática em forma de legislação religiosa e social chama-se Sharia ou Caminho de submissão a Deus.  

Éthos e ética – Todos os aspectos da vida social, familiar, moral, econômica, cultural islâmica são perpassados pela revelação sagrada do Alcorão e iluminados pela Sunna e a Sharia, não destituída de certos contrastes como estes: enquanto um campo abandonado pelo dono durante três anos pode ser cultivado por qualquer pessoa que precise de alimento, outra pessoa pode ter a mão decepada ao cometer o furto de um animal.  Tais características fazem da Sharia uma lei controversa entre as nações muçulmanas, que a adotam com menor ou maior rigor. 

Fonte: Diálogo 55 - AGO/2009
Postado por: Diálogo




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