A nova geração no pódio da sociedade

Data de publicação: 01/09/2015


A educação é inseparável da promoção do jovem e do adolescente ao patamar da interação social que lhes pertence. Por outro lado, constata-se que a escola determinou situações hoje insustentáveis.
Os filhos de famílias privilegiadas foram preparados para a vida social desde a Antiguidade clássica, enquanto os jovens, adolescentes e crianças de classes populares, só na Idade Média, tornaram-se, alvos de uma intenção educativa de civilizá-los como classe subalterna e adequá-los à ordem econômica que surgia. Um sinal disso é o livro De civilitate morum puerilium (Da civilidade dos costumes das crianças), de Erasmo de Roterdan, publicado em 1530 e traduzido em quase todas as línguas da Europa.
Até o começo da Idade Moderna a criança com cerca de oito anos era chamada “jovem”, até alcançar a estatura física adulta, quando passava a ser tratada como tal. O trabalho assalariado nas fábricas, forçado pelo movimento operário nascente, foi um fixador da idade, o que se vê na lei trabalhista francesa de 1841, que limitou a oito horas a jornada de crianças de até 12 anos e a 12 horas a de adolescentes de 13 a 16 anos. 
O Estado moderno do século 19 instituiu a escola pública onde crianças e adolescentes pobres aprendiam rudimentos das letras e do cálculo, sob forte disciplina e punição física. Na mesma época, as escolas assistenciais católicas e protestantes educavam na doutrina cristã e nos saberes básicos para a adaptação ao trabalho, enquanto os adolescentes e jovens de classe alta – em internatos, separados da família e alheios às transformações sociais - estudavam Gramática, Retórica, Dialética e Latim.
Desse modo, as instituições escolares isolaram as novas gerações dos processos culturais e sociais e não lhes permitiram agregarem suas esperanças e modos de ver o presente e o futuro do mundo no qual viveriam, ficando nas mãos dos adultos o direito de imprimir rumos à sociedade. Existe uma hierarquia entre a orientação para o futuro e a legitimidade do fundamento normativo do passado. O estabelecido julga o novo e o classifica como aceitável ou descartável, sendo o jovem tido como despreparado para refletir, julgar, decidir e imprimir rumos novos ao presente.    
Boa parte da educação ainda tenta enquadrar o adolescente e o jovem nos padrões estabelecidos da civilidade, ao que eles silenciosamente reagem e resistem, mesmo incorrendo na fama de inadequados, rebeldes e produtores de culturas marginais. A delinquência, por exemplo, não denuncia a sociedade que exclui e reprime, mas viola os parâmetros de sociabilidade nela estabelecidos.
Ao ser punido por infringir a lei, o jovem se vê sufocado pela sensação de ser inútil e pernicioso na sociedade e a saída digna que adota, quando tem suficiente força moral para isso, é a arte alternativa, que lida com a culpa de transgredir valores convencionais. No entanto, a arte jovem não é legítima aos olhos da cultura adulta. Quando não reprimida, é tolerada como expressão passageira de uma idade imatura, o que fortalece o círculo de inadequação em que o jovem se sente encerrado.    
O problema a ser compreendido na escola é que na mente adulta os temas e as manifestações juvenis são tidos por subculturas efêmeras, marginais ao bloco monolítico de expressões culturais legitimadas pela perenidade. Enquanto o adulto sofre o impacto de um modelo social que perdeu de vista os paradigmas, metas e sentidos que traziam segurança, o jovem já vive em um mundo diferente cuja inteligibilidade ele mesmo está construindo.
Cabe à escola interrogar essa inteligibilidade e permitir que os seus sujeitos galguem o pódio legítimo que é a educação formal em relação ao todo da sociedade. Tal prática permite não só a compreensão do universo de referências de adolescentes e jovens, como a consistência e a legitimidade das propostas transformadoras que eles trazem para o presente e o futuro.
 

Livros – Paulinas Editora

O adolescente, uma jóia de Deus
Paulo Miller
Coleção: Família hoje
Código: 51415-2
126 páginas
Com rara sensibilidade humana aliada à prática médica e à espiritualidade, o autor ensina como ver no adolescente, a docilidade, a ternura e o desejo de ser escutado e apoiado por alguém mais experiente, na difícil travessia da infância para a juventude.
 

Jovens violentos - Quem são, o que pensam, como ajudá-los?
Filippo Muratori
Tradução do italiano: Antonio Feltrin
Coleção: Caminhos da Psicologia
Código: 51167-6
208 páginas
O autor focaliza questões como: Os jovens violentos são doentes? O que há na mente do jovem violento? Por que a violência é predatória? Da agressividade à violência; Os motivos do “bulismo”; Existe uma agressividade normal? Como ajudar a família, curar a escola, falar com o jovem agressivo? E outras dúvidas do cotidiano, na relação educativa entre as gerações.   


Educação e cidadania - Uma inovadora proposta de formação religiosa

Alane de Lucena Leal
Coleção: Pedagogia e Educação
Código: 50727-0
202 páginas
A autora relata o trabalho com adolescentes da classe de aceleração em uma escola da rede pública, onde uma pedagogia integral aliada ao conteúdo do Ensino Religioso trouxe novas perspectivas de vida aos estudantes.
  

Tribos urbanas, você e eu - Conversas com a juventude
Vilma Regina Alves da Silva
Coleção: Espaço jovem
Código: 50239-1
119 páginas
Agradável bate-papo da autora com o educador adulto sobre as diferentes formas de “ser jovem” no Brasil atual e de compreender o que vivem e expressam os jovens.  
  


Educar perguntando - Ajuda filosófica na escola e na vida
Pedro Ortega Campos
Tradução do espanhol: Antonio Feltrin
Coleção: Educação em foco
Código: 51428-4
214 páginas
Resgatando o que há de essencial e perene nos métodos clássicos de educação, o autor mostra que refletir, questionar e perguntar filosoficamente é a atividade educativa que mais aproxima os jovens do sentido da vida e das respostas humanas aos grandes mistérios que circundam a existência. 
  
Inteligência criativa - Descoberta pessoal de valores
Alfonso López Quintás
Tradução do espanhol: José Afonso Beraldin da Silva
Coleção: Ética e valores
Código: 50532-3
430 páginas
Dedicado a educadores, o livro propõe o cultivo do pensar rigoroso potenciado pela sensibilidade ética, estética e espiritual, na própria vida e na prática pedagógica.


DVDs - Paulinas Multimídia

Drogas nunca mais!
Roteiro e direção: Didi Oliveira
Código: 17017-8
Duração: 40 minutos
Filme atraente e claro, complementado pela fala de profissionais de várias áreas. Serve para debates e esclarecimentos com adolescentes e jovens sobre a problemática das drogas. 


Alcoolismo - Como sair dessa
Roteiro: Guilherme Vasconcelos
Direção: Laís Bodenzky
Código: 17089-5
Duração: 30 minutos
Cenas cotidianas de uma família nas quais aparecem as diversas faces do alcoolismo e as pistas para uma superação desse problema que assola gravemente a juventude atual.   

Fonte: Diálogo 59 - AGO/2010
Postado por: Diálogo




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