Arte e religião

Data de publicação: 05/11/2015



Em todas as épocas e culturas, das pinturas rupestres às mais modernas manifestações, o ser humano tem procurado representar, através da arte, o mundo transcendental. Tal fato nos fala da importância do fenômeno religioso em todas as culturas, bem como da necessidade que o ser humano sente de tornar concreto o mundo espiritual e de estabelecer ligações com ele. Toda forma de arte, como a música, a pintura, a escultura, a arquitetura, entre outras, que aborde temas religiosos é chamada de arte religiosa. Denominamos arte sacra uma obra de arte que se destina ao culto, às celebrações.
Como, através do Ensino Religioso, podemos proporcionar aos(às) nossos(as) alunos(as) a oportunidade de reconhecer, nas diferentes formas de expressão que a arte assume no decorrer dos séculos e culturas, uma maneira encontrada pelo ser humano tanto de estabelecer ligações com o Transcendente como de tornar concreto o mundo espiritual?
Propomos, como primeiro passo, a escolha de uma metodologia adequada ao Ensino Religioso, isto é, que contribua para tornar significativo o conteúdo a ser transmitido, a mensagem a ser apreendida. Dentre os muitos caminhos, os vários métodos que todos certamente conhecem, queremos propor uma metodologia que nos pareça bastante pertinente. Não se trata, evidentemente, de uma metodologia específica para o Ensino Religioso, mas que a ele se adapte.
Antes de tudo é preciso ter clareza sobre o que pretendemos ao trabalhar o tema Arte e religião. É necessário, então, estabelecer os objetivos (1o passo) que queremos alcançar: conceituais, procedimentais e atitudinais. Em seguida, teremos de contextualizar (2o passo) o tema que abordaremos. Aqui, a leitura que fizemos dos artigos nos traz informações valiosas, as quais aprofundaremos e ampliaremos através de novas leituras e pesquisas. Podemos partir das afirmações feitas por Nabor Nunes Filho no artigo “Arte: a religião de corpo inteiro”, falando da presença da arte em todas as épocas e culturas, como uma forma que o ser humano encontrou tanto para buscar como para manifestar a transcendência. Pode-se, em seguida, recorrer ao artigo do sheikh Muhammad Ragip, “Arte que conduz a Deus”, que traz elementos da arte islâmica e ao artigo de Lux Vidal, O belo é o invisível”, reportando-nos a aspectos da cultura indígena, aproximando da nossa realidade cultural o tema abordado, relacionando-o a aspectos dessa cultura que já tenham sido estudados e, adequando as informações às séries nas quais trabalharemos o tema.
O artigo “Elos do carnaval celebração”, de Edimilson de Almeida Pereira, fornecer nos, finalmente, as informações necessárias para percebermos os vínculos entre o Sagrado e o profano, presentes numa festa tão significativa da nossa cultura: o carnaval brasileiro. Cremos que, dessa forma, terão sido feitas a aproximação e a necessária contextualização. Podemos, agora, partir para a realização de uma experiência (3º passo). Em que consiste a experiência? Consiste em criar as condições para que o(a) educando(a), motivado(a), participe ativamente do processo de aprendizagem, recolhendo dados que lhe permitam selecionar o relevante, formular hipóteses, buscar respostas, aprofundar o tema, descobrir os aspectos que mais o(a) interessam e envolvem. Isso pode ser feito de muitas formas: através de uma dinâmica, uma música ou um poema, uma notícia, um filme, uma pesquisa etc. Sabemos todos que a aprendizagem só se efetiva quando é expressa com clareza.
Aqui, passamos para um outro momento da metodologia, a reflexão (4º passo). Trata-se de uma atividade intelectual, através da qual o(a) educando(a) vai recolher o que apreendeu do tema que está sendo estudado, descobrindo a sua relação com outros aspectos do conhecimento e o que lhe é significativo. Iremos, então, para a ação (5º passo). Cabe ao (à) educador(a) estimular o(a) educando(a) à ação, garantindo oportunidades para que aplique o que aprendeu através do tema estudado e refletido, desenvolvendo uma postura, assumindo, diante do conquistado, uma atitude. Por fim, tem-se a avaliação, que consiste, por parte do(a) educador(a), em apreciar o progresso, o domínio, a participação, o alcance, pelo(a) aluno (a), dos objetivos conceitual, procedimetal e atitudinal estabelecidos. Consiste, ainda, por parte do(a) educando(a), em auto-avaliar-se. Estes passos, embora executados sequencialmente, na realidade estão relacionados, interpenetrando-se.

Sugestão de atividade

O tema é riquíssimo e há muitas possibilidades de aprofundá-lo. Por exemplo, através da arte indígena ou buscando os aspectos religiosos presentes em sambas-enredo. Outra possibilidade é entrevistar artistas. Nas grandes cidades, pode-se visitar templos de diferentes denominações ou tradições religiosas. É só dar asas à imaginação. Desenvolveremos uma abordagem através da arquitetura.
Objetivos
* Conceitual: Reconhecer a importância da arte para a religião e perceber como, através dela, o ser humano busca se relacionar com o Transcendente.
* Procedimental: Despertar a sensibilidade artística e religiosa, reconhecendo as diversas formas de expressão que assume.
* Atitudinal: Pôr-se em contato com o universo religioso através de atitudes de admiração, escuta, silêncio, interiorização, respeito pelas diferentes expressões religiosas.
Contextualizar
Este passo foi descrito anteriormente, pois independe dos que serão desenvolvidos em seguida.
Experiência
Propor a realização de uma pesquisa sobre o templo (arquitetura, esculturas, pinturas etc.) das quatro principais tradições religiosas: budismo, judaísmo, cristianismo e islamismo. A pesquisa pode ser feita através da internet ou de pesquisa bibliográfica.
Reflexão
Pode-se comparar os templos pesquisados, estabelecendo as diferenças entre eles e ainda identificar as peculiaridades de cada um e os aspectos que caracterizam a busca do Transcendente. Isto pode ser feito em todas as séries do ensino fundamental. Evidentemente, considerando as possibilidades de aprofundamento de cada faixa etária.
Ação
Estabelecer um diálogo com os(as) alunos(as), a respeito das atitudes que acreditam que devemos assumir diante do templo das diferentes tradições religiosas, considerando que se trata do lugar sagrado e representativo para aquela tradição. Pode-se solicitar que seja redigido um breve texto.
Avaliação
Como os alunos se envolveram com o tema? As informações foram significa­tivas? O objetivo atitudinal foi alcançado? A auto-avaliação pode ser pautada na questão: O que significou para você o trabalho com este tema? O que você considera mais importante?
Concluindo, queremos ainda dizer que a experiência religiosa é uma experiência humana que se dá em um dado contexto sociocultural, expressando-se através de diferentes formas de linguagem, dentre as quais a arte.

* Yvone Maria de Campos Teixeira da Silva
Pedagoga e mestra em Ciências da Religião. Especialização em Educação Religiosa pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo e em Psicopedagogia pela Escola Psicopedagógica de Buenos Aires (Argentina).

Fonte: Diálogo 33- FEV/ 2004
Postado por: Diálogo




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