O Ensino Religioso em cada idade

Data de publicação: 04/12/2015

A curiosidade própria da inteligência infanto-juvenil produz estratégias de conhecimento capazes de assimilar o caráter científico da atividade escolar. O Ensino Religioso, no currículo fundamental, pode ser uma ciência fascinante porque leva a observar fenômenos, identificar questões, pesquisar campos, coletar dados, refletir, confrontar hipóteses, elaborar conclusões, conhecer teorias, reler a realidade, propor soluções e encontrar respostas.
A atividade científica do Ensino Religioso é gradual. Requer uma pedagogia centrada em atividades lúdicas no primeiro ano e acompanha o aluno até a conquista da maturidade reflexiva que se espera do nono ano do Ensino Fundamental. Enfim, é a disciplina capaz de elevar a formação cidadã a uma potência incalculável.

Educação infantil
De 2 a 5 anos
Habilidades – coordenação motora, orientação espaço-temporal, equilíbrio, ritmo, identificação de cores, formas geométricas e sequências lógicas, noção de grupos por semelhanças e diferenças, associação de imagens.

Atividades
Gestos corporais característicos dos ritos religiosos, como se inclinar, levantar, erguer os braços, bater palmas, dançar em roda, criar ritmos com pés e mãos, acompanhar canções.
Observação dos sinais da cultura religiosa, templos, igrejas, objetos etc., e percepção de diferenças e semelhanças entre os sinais religiosos.
Jogos simples de montagem e de memória com figuras de símbolos, objetos, templos etc., que caracterizam as tradições religiosas.
Narrativas de vivências religiosas familiares.



Ensino Fundamental
De 6 a 7 anos
Habilidades – interesse por escrita e leitura, pela lógica das realidades cotidia­nas, pelos motivos, causas e resultados dos acontecimentos, pelo começo e o fim de realidades transcendentes, como a vida, a morte e Deus. Gosto por narrativas e histórias, capacidade de atenção e memorização, relacionamento e convivência, respeito ao outro, solidariedade, representação lúdica de realidades observadas.

Atividades
Trabalhos feitos por duplas ou trios.
Elaboração de perguntas para entrevistas e diálogos com pessoas adultas sobre vivências e saberes religiosos.
Pesquisa sobre a tradição oral dos adultos e descoberta de histórias religiosas. 
Apresentação teatral dos relatos e histórias religiosas pesquisados. 
Observação de sinais escritos da cultura religiosa: nomes de casas comerciais, de ruas etc.
Identificação das denominações religiosas presentes no entorno da escola.
Associação entre semelhanças e diferenças religiosas.
Exercício de leitura e escrita de textos, frases e palavras do universo religioso.
Apresentação artística dos resultados dos conhecimentos adquiridos.
Exercício de exposição oral das próprias opiniões.
Exercício de escuta do outro e de respeito pelas diferentes ideias e modos de se expressar.

De 8 a 11 anos
Habilidades – interesses por jogos e brincadeiras que envolvam, além da atividade física, estratégias e raciocínio elaborado. Capacidade de lidar com a linguagem oral, pensamento lógico, anseio por compreender claramente tudo o que vê, capacidade de análise e de crítica, elaboração de soluções e propostas aos problemas e questões encontrados nas realidades pesquisadas e na vivência cotidiana. 

Atividades
Criação de cartas para jogos, que substituam os naipes do baralho por símbolos, valores, ensinamentos ou personagens das tradições religiosas.
Trabalhos escritos, diálogos e debates que estabeleçam analogias, semelhanças, diferenças, complementação, entre os elementos do Fenômeno Religioso.
Conhecimento dos relatos míticos das religiões que lidam com questões hu­manas vitais.
Conhecimento dos gêneros literários dos textos sagrados: narrativos, poéticos, míticos etc.
Contato com os ensinamentos éticos das tradições religiosas.
Expressão dos conteúdos pesquisados e refletidos, por meio de textos lidos, reescritos e relidos, nos diversos gêneros literários.

Acima de 11 anos
Habilidades – amizade, fidelidade, confidência, vivência coletiva, adesão a uma liderança, convivência em grupos e interesses específicos de cada gênero, modo pessoal de ver e julgar a realidade, expectativa de ver nos adultos o testemunho de valores e convicções, anseio por serem compreendidos e escutados com seriedade, sonhos de mudar o mundo e de fazer algo importante no futuro, indignação com as incoerências e as injustiças sofridas e observadas na sociedade. 

Atividades
Confronto dos ensinamentos éticos das tradições religiosas com a realidade atual em relação a amor, matrimônio, família, geração de filhos, relações pais e filhos, relações sociais e trabalhistas, valores: liberdade, responsabilidade e outros.
Pesquisas, trabalhos interdisciplinares e reflexão sobre o perfil humano de líderes religiosos de todos os tempos, com identificação de valores que caracterizaram suas vidas e ensinamentos.
Conhecimento do papel masculino e feminino em culturas e religiões de todos os tempos.
Análises de aspectos da vida atual, como violência, desrespeito à vida, injustiça etc., sob a ótica do ensinamento das religiões.
Expressão do pensamento utópico e dos sonhos por meio de textos escritos em gênero narrativo, mítico, poético etc.
Transformação dos textos em outros gêneros de expressão, como teatro, gra­fite, música e outros.
 
Sugestão de atividade
interdisciplinar para 4º ou 5º ano
Expor ou projetar fotografias de diversos elementos do Fenômeno Religioso.
Encaminhar questões como:
Elementos novos e desconhecidos: objetos, vestuário, templos, modo de rezar e outros;
Formas geométricas ou detalhes que identificam a arquitetura dos templos de cada tradição religiosa, diferenças e semelhanças;
Símbolos e objetos principais, que caracterizam cada grupo religioso;
Cores e detalhes das vestes ou do corpo, que ajudam a identificar os adeptos de cada tradição religiosa;
Outros elementos que existem, mas não estão presentes nas fotos analisadas.

Dialogar em plenário:
Dos grupos religiosos que vimos nas fotos, quais existem aqui no lugar onde vivemos?
Quais deles nós conhecemos só por meio da TV, internet ou livros?
Qual é a tradição religiosa mais evidente na cultura brasileira? E em nosso meio?
Como se explica essa diferença?
O que essa atividade nos ensinou para a vida?

Quilling, a arte dos ourives
Os artistas antigos criavam figuras com filetes de metal sobre as jóias e outros objetos de valor. Feita com pequenas tiras de papel, a técnica é hoje um belo modo de reciclar. Com imaginação e criatividade, você faz lindas peças com destaques em relevo.

Material
Tiras de papel colorido de 30 cm x 3 mm, palito de dente, tesoura, cola, papel-cartão ou cartolina na medida desejada.









Como fazer

Enrole uma tira de papel no palito e retire-o (fotos 1, 2 e 3).
Forme círculos de 1 cm de diâmetro.
Cole a ponta (fotos 4 e 5).
Aperte os rolinhos verdes com os dedos em forma de folhas (fotos 6).
Com os dedos, forme os triângulos que irão compor o vaso (fotos 7 e 8).
Monte o vaso e as flores sobre a cartolina, conforme o modelo (acima).

Aline Gomes dos Santos
Professora de Ensino Fundamental
São Paulo – SP



Dinâmica: o valor da vida
Objetivo: experimentar a dignidade humana que não muda mediante a discriminação sofrida.

• Organizar um círculo e passar de mão em mão uma nota de 10 reais (ou de um valor maior) nova. Pedir que todos a reconheçam e declarem o valor. 

• A seguir, colocar a nota no centro e agredi-la de diversas formas (chutar, amassar com o pé, bater com a régua, com vara...) sem rasgar.

• Deixar a nota no chão e pedir que todos a insultem e desprezem com palavras.

• Juntar a nota, apresentá-la à turma e perguntar que valor ela tem agora. 

Por fim, pedir que as pessoas falem:

• Por que o valor da nota não mudou?

• O que isso tem a ver com dignidade e defesa da vida?


Aprendendo a ensinar- Diálogo- 47- Página 40-41

1.  Pesquisa em Ensino Religioso
Objetivos
Conhecer a amplitude da sexualidade humana.
Identificar os principais valores e crenças religiosas no âmbito da sexualidade.
Compreender a dimensão transcendente da sexualidade.

Eixos norteadores
Teologias e ética das tradições religiosas.

Desenvolvimento
Lançar na classe o debate sobre a questão (ou outra semelhante):  “A sexualidade diz respeito à dimensão física, intelectual, psíquica ou espiritual do ser humano?”.
Deixar que os alunos respondam a questão por meio de hipóteses e as argumentem.
Despertar a curiosidade sobre o aspecto “transcendente” da sexualidade e propor pesquisas.

Temas de pesquisa
• como os antepassados compreendiam a fecundidade e a geração de filhos, na Pré-História;
• divindades da fertilidade, do amor e da família, nas religiões antigas;
• casamentos entre deuses e deusas;
• sentimentos humanos de amor, ciúmes, traição etc. entre deuses e deusas;
• modelos de família nas diversas culturas e religiões (bigamia, monogamia etc.);
• ética de cada modelo de família (exemplo: entre os índios, o valor mais sagrado é a maternidade e toda mulher deve ter chance de ser mãe. Por isso a bigamia é permitida quando o número de homens é inferior ao de mulheres).

Elaboração do conhecimento
Organizar na sala a apresentação dos resultados da pesquisa e depois levantar a questão:
O conhecimento adquirido comprova as hipóteses que formulamos?
Escolher o assunto pesquisado que mais se aproxime da vida real dos alunos e aprofundá-lo com novas estratégias educativas, como palestras e outras.

2.  Atividade interdisciplinar
Análise de uma obra literária
Escolher uma obra clássica da literatura universal ou brasileira, que trate dos temas: amor, casamento, fidelidade, família etc.

Analisar na obra:
• época, região, principal tradição religiosa que influenciou os personagens;
• o que motivava os casamentos na época (fortuna, nome, política, posse de terras, nobreza, classe social etc.);
• como é a relação homem-mulher naquele modelo de família;
• qual é o papel do amor e da religião nesses casamentos;
• o que enfrentam os jovens em nome do amor.
Elaboração do conhecimento
Após a análise da obra e a apresentação das descobertas, motivar a classe a refletir sobre estas questões ou outras:
Como é apresentada a felicidade? Quem a procura? Onde ela está? Quais os impedi­mentos para encontrá-la? Ela é encontrada? Qual o papel da religião na busca da felicidade? (Identificar o gênero literário da obra: se for um drama, os personagens sairão vencedores em suas lutas, mas, se for uma tragédia, eles acabarão frustrados, o que leva a refletir sobre sonhos, lutas, frustrações etc).

Sugestões de obras literárias para jovens
Romeu e Julieta – William Shakespeare – Inglaterra – Século 17.
Escrita para teatro, foi inspirada em poemas que, por sua vez, recriaram a lenda de Tristão e Isolda, conhecida no norte da Europa desde o século 9, uma espécie de arquétipo presente, com poucas variantes, em diversas culturas: dois jovens de famílias rivais se apaixonam e preferem morrer a viver separados. 

Eurico, o presbítero – Alexandre Herculano  – Portugal – Século 19.
Tragédia de um amor proibido, em plena guerra, entre muçulmanos e cristãos, no século 8.

O morro dos ventos uivantes – Emily Brontë – Inglaterra – Século 19.  
Em um ambiente religioso inglês do século 19, de rígidos princípios morais, desenrola-se um drama familiar permeado de contradições, desde a compaixão por uma criança órfã até a paixão incestuosa, ciúmes e vingança. Aborda valores e limites universais do amor e da família.

3.  Atividade para os anos iniciais
Analisar o amor e a sexualidade nos contos clássicos de fadas, como Branca de Neve, A Bela Adormecida, Rapunzel e outros:
• acontecimento;
• sentimentos e sonhos dos personagens;
• impedimentos da realização dos sonhos;
• metas que se propõem;
• provas e lutas enfrentadas;
• resultados das lutas;
• sinais da religiosidade (por exemplo: na história da Bela Adormecida, a bruxa lança uma maldição no dia do batizado da princesa). 

Filme
Um amor para recordar
Amor de dois jovens, repleto de superação de preconceitos, descoberta de valores, transformação de atitudes, respeito, solidariedade, sentido do transcendente, fé, sofrimento, sonho e fidelidade.   
Direção – Adam Shankman
Produção – Pandora
Ano – 2004
País – Estados Unidos
Tempo – 102m

Fonte: Diálogo 52 - OUT/2008
Postado por: Diálogo




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