Uma proposta inclusiva

Data de publicação: 02/02/2016


Sérgio Rogério Azevedo Junqueira (foto ao lado), é mestre e doutor em Ciências da Educação, na área de Ensino Religioso e Pastoral Escolar, pela Universidade Pontifícia Salesiana de Roma.  É também professor do programa de Mestrado em Educação da Pontifícia Universidade Católica, de Curitiba (PR), coordenador do Fonaper (Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso) e assessor para o Ensino Religioso, na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Por quais mudanças passou o Ensino Religioso no Brasil?
A partir da publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (de 1996), especialmente com a promulgação das Diretrizes para o Ensino Fundamental (de 1998), a educação brasileira assumiu um novo perfil, uma perspectiva de construção do conhecimento articulado a partir de áreas. Os componentes curriculares passaram a ser compreendidos com aspectos próprios, como domínio de linguagem própria, compreensão dos fenômenos da área, enfrentamento de situações, construção de argumentações e elaboração de propostas. É neste contexto que o Ensino Religioso passou a ser articulado, assumindo uma perspectiva pedagógica como as outras nove áreas do conhecimento.

Qual é o atual perfil do Ensino Religioso, como disciplina curricular?
Incluído na perspectiva pedagógica, e não mais como espaço de disputa religiosa, o referencial para a compreensão do Ensino Religioso é o artigo 2º da Lei de Diretrizes e Bases, que afirma: “A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Este texto da legislação, assim como a definição de uma área de conhecimento para os Parâmetros Curriculares Nacionais – marcos estruturados de leitura e interpretação da realidade –, nos aponta um Ensino Religioso que assume o perfil de diálogo com a realidade pluralista do País, favorecendo a releitura religiosa das diferentes comunidades que ajudaram a construir a identidade nacional. A proposta é contemplar não apenas os grandes grupos religiosos, mas que crianças, adolescentes e jovens compreendam e percebam a totalidade do País constituído também pelas denominadas “minorias”. Lembro a inclusão da cultura afro-brasileira nos currículos de todas as escolas do Brasil, inclusive nas confessionais.

Quais são os desafios e perspectivas para o Ensino Religioso?

O primeiro desafio é a compreensão desta concepção por parte de autoridades educacionais e religiosas, nos diferentes estados da Federação, pois, algumas vezes, realizam articulações que favorecem embates religiosos dentro do espaço escolar. Um segundo desafio é a formação de professores na perspectiva das Ciências da Religião e não mais apenas com acento teológico, como ocorre em muitos cursos existentes. A perspectiva é que a formação do professor desta disciplina seja feita a partir de um curso de licenciatura em Ensino Religioso. É preciso também ampliar e socializar as pesquisas que já existem sobre o Ensino Religioso como área de conhecimento, e evitar quaisquer formas de proselitismo.

Fonte: Diálogo 35 - AGO/2004
Postado por: Diálogo




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