Uma nova história em sala de aula

Data de publicação: 06/07/2016


O Ensino Religioso é uma área de estudo desafiadora e instigante. Ela exige estudo constante, dedicação e autoconhecimento, pois só oferecemos aquilo que temos, é o que afirma o professor do Colégio Nossa Senhora das Dores, Wanderson Raposa Ferreira, da cidade de Uberaba (MG). Licenciado em História, atualmente busca se especializar em Ensino Religioso, a fim de poder responder com mais propriedade às exigências que sente acerca desse componente curricular.

DIÁLOGO – O que levou um professor de História a se interessar pelo Ensino Religioso?
Wanderson – Eu gosto muito de estudar e de ensinar. Quando em 2006 recebi o convite para trabalhar com Ensino Religioso, o abracei como um desafio que me deixou e ainda me deixa muito feliz.

DIÁLOGO – Como você lida com esse desafio?
Wanderson – Uma vez um aluno me perguntou: Wanderson, você tem religião? Eu respondi sim, sou cristão católico. Então devolvi a pergunta: Por que você me questiona isso? Ele respondeu: É porque você sabe tanto sobre diferentes religiões. É buscando conhecer aquilo que é diferente que a gente aprende a superar aquilo que nos desafia.

DIÁLOGO – Em sua experiência, de que modo o Ensino Religioso pode interagir com as outras áreas do conhecimento?
Wanderson –
A contribuição que o Ensino Religioso oferece se encontra em ampliar a visão de mundo, por meio do estudo e da reflexão interdisciplinar, de modo a possibilitar numa visão holística, o estudo e a compreensão do Fenômeno Religioso e suas diferentes manifestações. Além de colaborar para a formação da identidade de cidadãos críticos, respeitosos e solidários.

DIÁLOGO – E o que é necessário para que essa compreensão de Ensino Religioso seja comum a todos?
Wanderson –
Antes de qualquer coisa é preciso se embasar no projeto político pedagógico que toda escola deve ter. E tal projeto deve estar em sintonia com as discussões das Ciências das Religiões, que é o referencial teórico do Ensino Religioso, de modo a promover um saber científico, pautado na cidadania, no diálogo inter-religioso e na solidariedade.

DIÁLOGO – E como se aplica essa proposta em uma escola confessional?
Wanderson –
O colégio em que eu trabalho é confessional, contudo o modelo que buscamos seguir se baseia numa abordagem fenomenológico-cultural, o que contribui para a plena formação religiosa e cidadã dos alunos. Estamos sempre refletindo sobre como incluir a diversidade religiosa e cultural no espaço escolar e lidar com ela, não existindo espaços para proselitismos ou intolerâncias religiosas, culturais e sociais.

DIÁLOGO – Fale um pouco mais sobre essa prática.
Wanderson –
Na perspectiva do Ensino Religioso fenomenológico-cultural, temos que aprender a lidar com o sincretismo e a pluralidade religiosa existentes na sociedade, ou seja, evidenciamos aos nossos alunos que, embora não aceitemos a todas as religiões, temos por princípio que respeitá-las.

DIÁLOGO – Você percebe alguma dificuldade em relação a esse tipo de Ensino Religioso fenomenológico-cultural?
Wanderson –
A minha experiência profissional mostra que, nos últimos anos, houve muitos avanços teóricos e pedagógicos, contudo, ainda há muito a ser feito, pois é por meio desse modelo de Ensino Religioso escolar que podemos despertar nos alunos um raciocínio que supere as ideias absolutas e as certezas ilusórias, a fim de valorizar a abertura para o novo.

Com toda certeza não é fácil mudar de paradigmas, porém há certos momentos na vida em que é preciso fazê-lo. E a história do Ensino Religioso no Brasil comprova essa mudança, isto é, sair de um modelo confessional e fundamentar-se na cultura e no Fenômeno Religioso. Nós, da equipe de Redação da Diálogo – Revista de Ensino Religioso, queremos parabenizar a todos os professores que, assim como o professor Wanderson, tiveram coragem de acolher os novos paradigmas do Ensino Religioso.

Fonte: Diálogo 65-FEV/ABRIL 2012
Postado por: Diálogo




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