O vinho da Amazônia

Data de publicação: 03/08/2016

Muito mais que um simples fruto da região amazônica, o açaí (Euterpe oleracea) ganhou destaque nacional, e até internacional, sobretudo pelo seu comprovado valor energético. Cultivado e colhido pela população ribeirinha, o fruto, com o qual se prepara o vinho de açaí, se constitui numa das principais iguarias da Região Norte.
O açaizeiro pertence à família das palmáceas e se desenvolve sobretudo em regiões próximas aos ribeirões, rios, igapós, várzeas e também nas matas de terra firme. O termo açaí é de origem tupi yassaí, e quer dizer “fruta que chora”, em alusão ao suco abundante que o fruto produz.
O consumo de açaí ultrapassa o âmbito da culinária, pois, além do vinho de açaí, é possível também consumir sorvete e o próprio palmito. O fruto também é usado pela indústria de cosméticos na fabricação de sabonetes e cremes vegetais. Em meio a tanta versatilidade, é claro que este fruto não poderia deixar de habitar o imaginário de muitos povos da Amazônia, através de mitos e lendas como esta.
Conta-se que, em tempos bem antigos, uma tribo indígena passava por um período de grande fome e escassez de alimentos. E devido à quantidade de gente ser superior à de alimentos, para sustentar a todos, o cacique ordenou que as crianças que nascessem a partir daquele dia fossem sacrificadas. Com pesar a ordem foi acolhida por todos, contudo, passadas algumas luas, eis que a jovem Iaçá, filha do cacique, ficou grávida e deu à luz uma criança. A notícia logo circulou pela tribo e o cacique, com pesar, não poderia deixar de cumprir a sua palavra. Ao ficar sabendo o que aconteceria com a sua criança, Iaçá pôs-se a implorar a seu pai que poupasse a vida de seu filho, mas, como a ordem não poderia ser desobedecida, a criança foi sacrificada. Cheia de tristeza, Iaçá retirou-se em sua tenda e pediu a Tupã que nenhuma outra criança da tribo tivesse que ser sacrificada. De repente Iaçá ouviu um choro vindo do lado de fora da tenda, e, quando sai à porta para verificar de onde vinha aquele choro, eis que para a sua alegria aparece a sua criança ao lado de uma esbelta e viçosa. Sem poder conter as lágrimas, Iaçá correu para abraçar aquela criança a sua frente que, para a sua surpresa, desapareceu restando em seu lugar somente a palmeira. Ao amanhecer, Iaçá foi encontrada morta e abraçada àquela palmeira que continha um cacho coberto de pequenos frutos pretos. Com os frutos a tribo fez um suco avermelhado com o qual puderam se alimentar e não mais passar fome. O cacique agradeceu a Tupã por sua compaixão e deu-lhe aquele fruto que, para homenagear Iaçá, teve o seu nome invertido, passando a se chamar Açaí.

Sugestão de atividade
Segundo a narrativa, uma forma de conter a fome pela qual a tribo passava era sacrificar as crianças. Proponha  que os alunos façam uma pesquisa acerca de outras culturas que também sacrificavam as crianças (por exemplo: entre os povos da antiga Mesopotâmia). Pedir que considerem os seguintes pontos:
* Qual o motivo para o sacrifício de crianças?
* Há alguma semelhança entre a narrativa da lenda do açaí com outras culturas?
* Qual a importância dos deuses nessas culturas?
Para finalizar a atividade, organize em sala um pequeno debate ou uma exposição com quadro comparativo das culturas a partir dos pontos indicados.

Fonte: Diálogo 67- Ago/Set 2012
Postado por: Diálogo




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