Pensar é criar

Data de publicação: 22/08/2017

As oficinas procuram produzir conhecimentos a partir de situações vividas pelos participantes,
porque o processo criativo tem sua base no exercício do pensar e do criar.


Em tempo de mudanças contínuas, a necessidade de um trabalho prático e criativo na sala de aula é o desafio de todos os dias para os que se dedicam à complexa arte de educar.
Neste começo de milênio, quando a Educação Ambiental é uma chave de sucesso, o Ensino Religioso é uma porta para o futuro, enquanto educa as novas gerações para a convivência dialógica na pluralidade. Portanto, a formação do profissional docente do Ensino Religioso para o trabalho com a Educação Ambiental pode ser a virada da chave.
Mais uma porta que se abriu no curso de Licenciatura em Ciências da Religião da Universidade Estadual do Pará (Uepa), é o Projeto Reciclart, coordenado pela professora Arianne Caldas, técnica florestal e Graduanda do curso de Licenciatura Plena em Ciências da Religião da Universidade.

Interfaces do Ensino Religioso
O Projeto Reciclart baseia-se nos princípios de uma hermenêutica ecológica e nos eixos organizadores dos conteúdos dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso, para compor um diálogo entre o Ensino Religioso e as práticas da Educação Ambiental no contexto escolar. Através de oficinas pedagógicas aplicadas em escolas da rede pública de ensino, valoriza as experiências religiosas e relaciona diferentes culturas envolvidas na escola, para isso, articula conhecimentos e debates, sempre respeitando as diferenças e proporcionando ao educando a chance de superar preconceitos sobre toda e qualquer experiência religiosa.
O projeto possui vários módulos: Módulo I: Oficinas didáticas; Módulo II: Debates e Mesas-redondas; Módulo III: Seminários. Esses módulos serão realizados dentro da instituição e fazem parte de uma programação extensa que engloba todo o projeto.
Nesta matéria, descreveremos o Módulo I do projeto, especificamente, uma  oficina didática que teve os seguintes objetivos: 1) Avaliar os oficineiros; 2) Despertar em cada participante a necessidade das práticas sustentáveis; 3) Promover interfaces entre o Ensino Religioso e a Educação Ambiental; 4) Produzir aulas práticas para Ensino Religioso.
As oficinas procuram produzir conhecimentos a partir de situações vividas pelos participantes, porque o processo criativo tem sua base no exercício do pensar e do criar. E, nesse exercício, destacam-se a reflexão e a troca de experiências, no confronto da prática com a teoria, para o avanço na construção coletiva do saber.
 O incentivo à descoberta de novas facetas do já conhecido e à ousadia de reelaborar e construir o novo exigiu uma “costura” das técnicas das artes plásticas ao pensar da sustentabilidade.

Passo a passo de uma oficina
    Essa oficina ocorreu na Escola Estadual Vera Simplício, localizada no bairro do Telégrafo, em Belém (PA). Iniciamos o projeto aplicando uma palestra sobre a temática Como o Ensino Religioso me faz pensar em reciclar? Tivemos como público os educadores e objetivamos despertar, por meio deles, a consciência ambiental em toda a comunidade escolar e sensibilizar para a importância de se arrecadar produtos recicláveis. 
No segundo momento foram criados oratórios com embalagens de leite. Cada oratório abrigou uma entidade simbólica de uma tradição religiosa: santos do cristianismo; Iemanjá, orixá de origem africana; Krshina, deus do hinduímo e os gonhonzon, personagens míticos, da tradição budista.
Depois dos oratórios prontos, a oficina propôs o exercício de relacionar os personagens sagrados entre si e comparar seus respectivos significados.
    Esse trabalho, antes desenvolvido no curso de Licenciatura em Ciências da Religião e, em seguida, aplicado em algumas escolas selecionadas na rede estadual, visou conscientizar a comunidade acadêmica sobre a sustentabilidade e o aproveitamento dos materiais recicláveis. Quanto aos professores em formação, o objetivo foi despertar-lhes o desejo de uma mudança de hábitos, visando a conservação do meio ambiente, através de alternativas pedagógicas dinâmicas e interativas a partir de atividades práticas aplicadas na sala de aula do Ensino Fundamental.
Nesse caso, o componente curricular abordado foi o Ensino Religioso.  Procuramos, com essa prática, valorizar as experiências religiosas, sensibilizar os educandos e envolvê-los com diferentes culturas e expressões de religiosidade, além de promover debates e trocas de conhecimentos no que se refere a noções de cidadania e de respeito às diferenças.
Estão sendo programadas outras oficinas sobre o tema Como o Ensino Religioso me faz pensar em reciclar, que serão aplicadas nos Módulos III e IV, do projeto, quando iremos produzir brinquedos pedagógicos e instrumentos musicais como parte da programação educativa da Escola Estadual Vera Simplício.
A cada oficina executada, destacamos a reflexão e a troca de experiências, dos envolvidos, confrontando a prática com a teoria, para um avanço na construção coletiva do saber, e identificamos uma atuação efetiva dos participantes com responsabilidade e compromisso e o empenho na execução das tarefas, otimizando, assim, a prática do ensino-aprendizagem.

Fonte: Dia-Edição 80 - Out/Dez 2016
Postado por: Diálogo




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Currículo, um rio em movimento
O currículo de Ensino Religioso é como um grande rio que condensa águas de inúmeros afluentes formados por uma infinidade de nascentes
Lei Nº 9475, de 22 de julho de 1997
Dá nova redação ao Art. 33 da Lei Nº 9394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
Onde nos chamam
Uma escola estadual com 3.800 alunos, da periferia de uma cidade da Grande São Paulo (SP), sofria depredações e tinha os professores intimidados por um grupo de jovens que se intitulavam Turma do Poder.
Início Anterior 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados