A ciranda do saber sagrado

Data de publicação: 11/05/2018

A ciranda do saber sagrado

O artigo “Espaços sagrados ao alcance dos olhos”, do professor Amarildo Vieira, na edição 66 da DIÁLOGO – REVISTA DE ENSINO RELIGIOSO,  no qual ele fala da importância de visitar a um lugar sagrado como experiência enriquecedora no Ensino Religioso. Resolvi, então, compartilhar esta vivência que tive com meus alunos da Escola Municipal Irmã Dulce, de São José dos Pinhais (PR).
Esses passeios ocorreram em 2010 e 2011, quando visitamos o Templo Budista Nishi Hongwanji, no bairro Jardim das Américas, em Curitiba (PR). As turmas de 2º ano do Ensino Fundamental participaram da atividade como complemento do conteúdo trabalhado na sala: lugares sagrados.
Em um primeiro momento, foi esclarecido o conceito de “lugar sagrado” e conversamos sobre o principal deles que conhecemos: o nosso próprio corpo, que precisa de cuidados, como boa alimentação, sono suficiente e atividades físicas. Depois, procuramos na internet fotos de lugares sagrados de várias tradições religiosas, como os templos evangélicos e católicos, centros espíritas e de umbanda, mesquitas islâmicas, dentre outros. Por fim, assistimos ao DVD Os rituais em diferentes tradições religiosas, elaborado pela Associação Inter-Religiosa de Educação (ASSINTEC), em Curitiba. Após esse trabalho, iniciamos um breve estudo sobre a tradição budista, preparando-nos -para a visita ao templo.
Em 2010, houve certa dificuldade em articular o passeio e o encaminhamento pedagógico dentro do templo, pois me faltou experiência, já que era o meu primeiro ano como docente do Ensino Fundamental e da disciplina de Ensino Religioso. O reverendo Isshin Takahashi, que recebeu os alunos, também teve certa dificuldade em adequar sua linguagem ao público infantil, pois a comunidade budista é formada por adultos, na maioria idosos. No ano seguinte, 2011, a visita foi muito mais proveitosa, porque eu já estava preparada para lidar com as dúvidas e os comentários. O reverendo, por sua vez, preparou uma contação de história sobre Buda, recitou uma prece em japonês e falou de aspectos da cultura do Japão.
As crianças fizeram muitas perguntas, entusiasmadas por estarem em um ambiente diferente do da sua prática religiosa. Inclusive a maioria dos alunos nunca havia saído da cidade de São José dos Pinhais, e o passeio a Curitiba já foi em si algo muito interessante, uma experiência extraordinária.
Eu até me emociono ao contar esta experiência: quem dera eu a tivesse feito em minha formação como aluna! É maravilhoso poder proporcionar aos meus alunos esta vivência de conhecimento de outra realidade e outra cultura! Eu também aprendi muito, pois nunca havia entrado em um templo diferente da minha prática religiosa.
Tenho certeza de que lecionar Ensino Religioso é transcender o simples ensinar. É algo que toca de forma profunda o ser humano: o professor como pessoa e os alunos enquanto seres ávidos por novas descobertas. E como nós, professores e alunos, aprendemos juntos, cada nova religião estudada, cada comentário, cada pergunta alimentam a ciranda do saber.
Então, eu digo aos caros colegas professores: proporcionem estas experiências aos seus alunos, principalmente as visitas de campo! E a vocês mesmos, permitam-se vivenciar estes momentos de crescimento pessoal, profissional e espiritual.
Paz e bem a todos os envolvidos neste maravilhoso processo do conhecimento do sagrado!
Professora Silvana Maria de Lara, da Etapa I do Ensino Fundamental da Escola Municipal Irmã Dulce, em São José dos Pinhais (PR).


Fonte: Dialogo 70 maio/junho 2013
Postado por: Diálogo




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