Valores morais e éticos no Ensino Religioso

Data de publicação: 18/06/2018

 
A formação dos professores de Ensino Religioso (ER), na perspectiva das Ciências da Religião, que visa garantir a prática do Ensino Religioso em consonância com o contexto de diversidade e o pluralismo religioso do Brasil, continua sendo um desafio para as instituições de Ensino Superior; sejam elas públicas ou privadas.
Embora algumas instituições estejam ofertando o Curso de Ciências da Religião, ainda há a necessidade de cursos em mais universidades, para atender à necessidade dos professores.

O Curso de Ciências da Religião da Universidade do Estado do Pará
Como instituição de Ensino Superior pública, a Universidade do Estado do Pará (UEPA) foi pioneira em ofertar o Curso de Licenciatura Plena em Ciências da Religião. A primeira turma ingressou no Curso em 2001. Até o ano de 2012, a UEPA formou cerca de 150 professores de Ensino Religioso.
Como geralmente ocorre com ações pioneiras, a implementação do Curso de Ciências da Religião na UEPA foi bastante árdua. Eram comuns perguntas do tipo: É possível estudar cientificamente as religiões?  A formação de professores de Ensino Religioso não é trabalho das Igrejas? Qual a necessidade de promover o Ensino Religioso na escola? Essa responsabilidade não é das instituições religiosas?
A sensibilização e conscientização da comunidade acadêmica quanto à importância da existência do Curso de Ciências da Religião, podem ser consideradas como um trabalho de “formiguinhas”; realizado em conjunto pelos gestores da universidade, docentes e discentes do curso. Aqui vale destacar os nomes dos professores Maria Elvira Soares (ex-pró-reitora de Graduação da UEPA), Maria de Lourdes Santos Melo (coordenadora do Curso de Ciências da Religião) e Antônio Jorge Paraense da Paixão (professor do curso e ex-coordenador de Assuntos Comunitários na Pró-Reitoria de Extensão da UEPA); verdadeiros baluartes na “batalha” pela consolidação do curso e pelo Ensino Religioso nas escolas paraenses.

Divulgação da proposta do Curso de Ciências da Religião da UEPA
Uma das formas de sensibilizar a comunidade acadêmica para a importância do Curso de Ciências da Religião foi promover eventos de apresentação da proposta inter-religiosa do curso. Assim, durante as semanas acadêmicas organizadas pelo Centro de Ciências Sociais e Educação, no qual funciona o Curso de Ciências da Religião, os discentes organizaram exposições diversas, com vista à mostra de um breve panorama das religiões existentes no mundo, no Brasil e na Amazônia. Abordando desde a religiosidade dos povos marajoaras, expressa em suas peças de cerâmica, perpassando pelo cristianismo e indo até as religiões afro-brasileiras.
Além disso, vários professores engajados na causa do ER proferiam palestras, seminários e participavam de debates em mesas-redondas, com temas diversos; entre eles a questão da concepção pedagógica do curso.

Propostas pedagógicas para o Ensino Religioso
Em eventos diversos, como palestras, seminários, exposições e outros, o curso foi apresentado à comunidade acadêmica e foram defendidos dois focos possíveis para a concepção pedagógica do Ensino Religioso:
1.    A Religião como Fenômeno que se expressa em diferenciadas tradições culturais (religiosas); em seus aspectos históricos, sociológicos e outros.
2.    A Religião como Fenômeno que contém um leque de valores morais e éticos; muitos deles universais.
Nos debates iniciais sobre a “identidade” do Curso de Ciências da Religião e a formação dos profissionais da área, houve quem defendesse a ideia de se trabalhar o Ensino Religioso com base somente na primeira proposta. Nesse caso, a proposta pedagógica estaria voltada, principalmente, à apresentação de um panorama das diversas religiões existentes no Brasil e no mundo; dando ênfase às suas histórias e aos seus conjuntos doutrinários, entre outros aspectos. Mas houve também quem considerasse a importância de se trabalhar sob as duas propostas: as tradições religiosas em conjunto com os seus valores morais e éticos, tão importantes para o convívio social salutar entre as pessoas. Valores esses que apontam para o fomento do diálogo inter-religioso e podem auxiliar na promoção do respeito às diferenças e de uma Cultura de Paz.
Atualmente, pode-se dizer que grande parte dos egressos do Curso de Ciências da Religião, da UEPA, senão a maioria, considera a importância das duas propostas; mas o fato é que essa questão fica muito a critério do professor.

Importância da proposta dos valores morais e éticos no Ensino Religioso
Alguns estudos recentes chamam atenção para a mudança ocorrida nas relações entre os atores sociais, hoje bem mais baseadas na questão do ter e não do ser; o que dificulta o convívio social saudável.
Em um contexto que, em certos momentos, tem-se observado a inversão dos valores morais e éticos, no qual prevalece a cultura do “mais esperto” é difícil negar que cabe à escola, assim como também à família, à Igreja e demais instituições sociais, o enfrentamento de tal problemática.
Como disciplina inter e transdisciplinar o Ensino Religioso se torna um poderoso instrumento na tarefa de manter os valores em sociedade; lembrando que a ausência de valores éticos e morais dificulta o convívio social e é o primeiro passo para a perpetuação de outras problemáticas sociais, tais como a intolerância, a violência, o desrespeito ao meio ambiente e outros.
Trabalhar o Ensino Religioso sob essa concepção pedagógica não exclui nem enfraquece outras propostas pedagógicas possíveis, mas as complementa; enriquecendo e fortalecendo o Ensino Religioso no desenho curricular das escolas.

Professor Devison Amorim do Nascimento
Licenciado pleno em Ciências da Religião e especialista em Docência da Educação Superior pela Universidade do Estado do Pará. Especialista em Educação para Relações Étnico-Raciais pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA). Professor de Ensino Religioso da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará (EA-UFPA).




Fonte: Dialogo 71, Ago/Set 2013
Postado por: Diálogo




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