A arte do olhar interdisciplinar

Data de publicação: 12/07/2018



O Ensino Religioso é constituinte curricular da Educação Básica na área de conhecimento das Ciências Humanas e deve ter espaço e tempo garantidos na grade semanal da escola. Não é tema transversal nem basta que seja inserido no contexto de outra disciplina.  A prática constante do olhar interdisciplinar, no entanto, pode abranger aspectos do Fenômeno Religioso quando se apresentam no objeto do estudo de uma atividade de qualquer outra disciplina.
A arte desse olhar foi exercitada com o 7º ano da Escola Municipal Professora Terezinha Paulino de Lima, na cidade de Natal (RN), pelos professores Dalva Simône Linhares e Francisco de Assis Lopes. Ela é graduada em Letras e especialista em Metodologias Inovadoras na Educação e Educação Musical. Ele é graduado em Ciências da Religião com especialização em Ensino Religioso. Juntos eles elaboraram o projeto Diálogo inter-religioso nas expressões das imagens numa perspectiva inclusiva e transformaram a vivência multimídia da oficina de fotografia em um conhecimento construído sob muitas luzes e dentre elas, a do Ensino Religioso. O exercício da fotografia incluiu, além de noções técnicas, a capacidade de valorizar as diversas dimensões do ambiente fotografado e ressignificá-las na vida cotidiana.
A professora conta que a leitura de imagens despertou o olhar, a percepção, a intencionalidade e a interpretação com uma formação crítica, criativa e globalizada. O exercício preparou os alunos para o estudo dos símbolos e ícones nas tradições religiosas cujo diálogo se deu por meio das imagens fotográficas produzidas. Trabalhando a timidez, a socialização e o respeito às diferenças, os alunos se envolveram no projeto de forma que superou as expectativas.
As fotos pesquisadas e produzidas – continua a professora – não são todas específicas das religiões, mas  retratam a diversidade no cotidiano dos alunos. Com isso, pretende-se que eles percebam expressões presentes no dia a dia e também em todas as tradições religiosas (o fogo, o ancião, o espaço sagrado, a natureza, o mestre, a criança), compreendendo a diversidade e as relações entre as religiões a partir do sagrado em suas vidas.
O diálogo inter-religioso foi realizado através dos próprios conteúdos em sala, das atividades e das discussões, materializando-se nas imagens fotográficas cujos significados contextualizam a presença das tradições religiosas, independentemente da opção religiosa do aluno.
Vencendo desafios, como o tempo reduzido de uma aula semanal, a professora Dalva e o professor Francisco visaram não só incluir a diversidade dos alunos, como ainda mostrar aos colegas de trabalho que é possível extrair de qualquer imagem simbólica do cotidiano das pessoas, algo de sagrado, independente da tradição religiosa.
O projeto intitulado Diálogo inter-religioso nas expressões das imagens numa perspectiva inclusiva apresentou os eixos: culturas e tradições religiosas (símbolos, signos), imagens (leitura de imagem, fotografia) e inclusão (alunos com necessidades educacionais especiais). Realizado em 2013, durou três meses e seguiu ações muito bem planejadas.
Os adolescentes expressaram, no fim, a satisfação de terem participado desta construção coletiva de conhecimentos e de novos significados para o cotidiano.

“Eu achei bom. Aprendi a tirar foto e também o sentido da religião em tudo que vejo ao meu redor.”

“Eu gostei muito dessa oficina.  As fotografias deixam lembranças.”


“Gostei muito de aprender o que eu não sabia. Aprendi que tudo o que nos rodeia tem a ver com a religião.”

“Foi muito legal. Aprendi a tirar fotos e o seu significado.”

“Eu achei muito bom porque, além de aprender a bater foto, a gente aprendeu sobre várias religiões.”

“A fotografia mostra emoção, sentimento.”

“Achei interessante. Gostei de aprender a tirar fotos em grupo.”

“Eu achei bem legal. Aprendi coisas novas. Os temas das fotos foram muito interessantes. Eu gostei muito desse projeto.”

“A fotografia me ensinou muito.”

“É muito legal tirar foto de pessoas estudando, professor dando aula, menina lendo um livro, pessoas conversando e até das plantas.”
 
“Eu gostei da oficina porque a gente aprendeu a tirar fotos direito.”
Planejamento do projeto
Julho
29 – Aula expositiva – A natureza, um lugar de encontro com o Transcendente.
Agosto
5 – Aula expositiva – A transcendência – Deus – revela-se na vida. Encaminhamento de pesquisa.
12 – Apresentações dos resultados das pesquisas através de imagens (desenhos, pinturas, recortes). Revisão: O que dizem os símbolos?
19 – Exercício do olhar. Texto escrito e visual. Construção da imagem. Leitura e exercícios com imagens.
26 – Oficina de leitura de imagens.
Setembro
2 – Aula sobre planos e ângulos na fotografia – Enquadramentos, composição, dicas.
9 – Oficina de fotografia na escola.
16 a 23 – Sorteio dos temas para a mostra fotográfica. Divisão dos grupos. Levantamento de dúvidas e encaminhamentos para as atividades fotográficas a serem realizadas em campo com a temática da mostra. Fotografia da turma.
30 – Feedback com alunos: As relações das imagens com as religiões. Entrega dos convites para os familiares dos alunos e comunidade escolar.
Outubro
1º a 6 – Revelação das fotos, compra de materiais para organização do evento, arrumação da sala.
7 – Culminância do projeto com a mostra fotográfica na escola.
14 – Autoavaliação e depoimento dos alunos.

Fonte: Dialogo 73 Fevereiro/Abril de 2014
Postado por: Diálogo




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