105 anos de imigração japonesa

Data de publicação: 22/05/2013

O dia 18 de junho de 2013 marca os 105 anos do desembarque das primeiras famílias japonesas no porto de Santos (SP). Com pouca bagagem e muita esperança, os imigrantes desejavam prosperar e voltar para o Japão o mais breve possível.

Conduzidos aos cafezais de São Paulo e do Paraná, trabalhando em regime quase escravo, obrigados a reembolsar ao governo brasileiro o valor da passagem, os japoneses rapidamente viram o sonho distanciar-se. Muitos abandonaram as fazendas, reuniram-se em colônias e tentaram novas culturas como a de tomate e verduras e a criação de frangos e do bicho-da-seda. Movidos pela certeza de um dia voltarem à terra natal, os imigrantes e seus filhos prosperaram, conservando as tradições e a língua, nas escolas das comunidades; e os ritos sagrados budistas e xintoístas, no interior dos lares.

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi dolorosamente decisiva para os imigrantes. Brasil e Japão tornaram-se inimigos. As escolas das colônias foram fechadas e a língua, proibida. As crianças ingressaram em escolas públicas e adquiriram hábitos brasileiros. Por outro lado, a devastação da economia japonesa pela guerra desiludiu a expectativa da volta. Líderes religiosos vieram do Japão, templos budistas foram construídos e os japoneses integraram-se definitivamente ao povo brasileiro.

Os 105 anos passados somam quatro gerações:

Isseis – Imigrantes pensavam enriquecer e retornar ao Japão, no máximo, em três anos.
Nisseis – Filhos dos imigrantes, conservaram o sonho do retorno.
Sanseis – Netos dos imigrantes, assimilaram a possibilidade de se integrar à sociedade brasileira.
Yonseis – Bisnetos dos imigrantes, muitos realizam o sonho dos antepassados, em direção inversa: ir ao Japão, prosperar e retornar para o Brasil.

Tradições religiosas do Japão

Habitante de ilhas do Pacífico, o povo japonês tem como referenciais do próprio lugar no mundo nada menos do que o oceano e o sol. Datam de 10 mil anos os sinais da presença humana no arquipélago, onde pescadores e caçadores nômades se aventuraram mar adentro de ilha em ilha, formando com o passar do tempo uma cultura capaz de caracterizar um povo único. Nesse fascinante processo antropológico, a religião cumpriu o seu papel.

As principais tradições religiosas do Japão são: o xintoísmo; o budismo originado da Índia; o confucionismo e o taoísmo, vindos da China. O xintoísmo é a principal, tanto pelo número atual de seguidores, como pela origem nas práticas xamânicas ancestrais do povo japonês.

A palavra xinto é uma combinação dos ideogramas japoneses: “divino” e “caminho”. Pode ser traduzida por “o caminho do deus”. Baseia-se no culto ao kami: deus, espírito da natureza, espírito de um ancestral ou apenas presença espiritual, personificado nas forças naturais ou em elementos da natureza.

O xintoísmo não possui texto sagrado, mas a sua mitologia é descrita em dois livros: o Kojiki e o Nihon Shoki. A crença principal é Amaterasu, “gloriosa deusa que brilha no céu”. Seu símbolo é o sol nascente e o animal sagrado é o galo, o primeiro a saudá-la pela manhã. Suas festas principais se dão em julho e em dezembro, nos solstícios de verão e de inverno. Susanoo, irmão da deusa, é personificado pelo mar.

A ética xintoísta é simples e ensina o valor da harmonia e da paz. Para os xintoístas, todo ser humano é descendente de deuses e, a princípio, é puro e bom. O pecado é a maldade, que corrompe e arrasta a pessoa para o mundo subterrâneo, após a morte.

Veneráveis costumes sagrados

Hashi, a ponte, une as fronteiras de duas realidades, pois os rios marcam a linha divisória entre os mundos visível e invisível. Atravessar a ponte com alguém é compartilhar um destino feliz.

Sakura, flor-símbolo do Japão. Preside a colorida e perfumada festa oferecida pelas árvores aos deuses e aos espíritos que visitam a terra no início da primavera.

Sado, chá, preparado e servido com instrumentos e rituais precisos. Celebra a igualdade; a generosidade, de servir, e a gratidão, de receber.

Kimono, símbolo de acolhida e pertença. Ao nascer, a menina é revestida por um kimono colorido e o menino, por um kimono escuro, bordado com o símbolo da família. O gesto é repetido aos 13 anos de idade, quando o adolescente passa a ter direito familiar e dever de honrar os ancestrais.

Origami, de origem milenar, acredita-se que surgiu do costume de oferecer aos deuses representações de animais em papel, como ornamento dos templos.

Ikebana, desde a Antiguidade, os japoneses acreditam que a invocação de um deus ou espírito deve ser acompanhada da preparação de um ponto de encontro. Nos arranjos, as flores e a base são dispostas em duas linhas harmoniosas: vertical e horizontal. Ligam o céu, a terra e a humanidade.

Conheça mais

Aliança cultural Brasil-Japão,
site: www.acbj.com.br



Lendas do Japão


Recontadas por Sylvia Manzano ilustradas por Edu
Coleção Mito e magia
Código 50535-8,
Paulinas Editora

As mais famosas lendas japonesas, repletas de mito, espiritualidade e sabedoria, capazes de dar sentido à vida cotidiana de todos os tempos.





Brincando com dobradura Volumes I e II


Texto de Candida Mascia Zanelli, ilustrado por Antonina Taccori
Coleção Recursos pedagógicos II
Códigos: 05806-8 e 05808-4, respectivamente.
Paulinas Editora

A explicação e o passo a passo do origami, em linguagem didática.

Fonte: Diálogo
Postado por: Diálogo




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