Currículo, um rio em movimento

Data de publicação: 03/06/2013


O currículo de Ensino Religioso é como um grande rio que condensa águas de inúmeros afluentes formados por uma infinidade de nascentes e traz para a sala de aula a energia e potencial necessários à descoberta de mais e mais nascentes capazes de irrigar, mover, iluminar e transformar paisagens culturais e humanas na escola e na sociedade.

As expressões do sagrado em ritos, símbolos, tradições religiosas, teologias, textos e ethos, comprovam a diversidade da experiência religiosa, como uma espécie de lençol freático sagrado subjacente à história da humanidade. O conhecimento das nascentes que brotam no chão da cultura educa para a convivência com a positividade das diferenças na construção da sociedade pluralista e para o diálogo inter-religioso como fundamento para a paz.

O currículo é o instrumento que aciona as possibilidades de aprendizagem e de educação integral latentes na sala de aula não só no que se refere aos conteúdos, como também ao planejamento de atividades.
     

O símbolo do outro

Atividade de aprendizagem

Anos: 6º e 7º

Conceitos essenciais
Conhecimento elaborado;
Conhecimento revelado;
Caminhos de reintegração.

Conteúdos
O que é sagrado para mim;
A sacralidade que envolve o símbolo do outro.

Caracterização das turmas
Período em que o educando desenvolve o pensamento imaginário (invenção e elaboração imaginativa) e observa ocorrências possíveis do cotidiano, passando assim da lógica indutiva para a dedutiva.

Objetivo geral
Descobrir que as expressões do sagrado se repetem nas várias tradições religiosas porque são arquétipos, isto é, pertencem a uma herança cultural que existe desde o começo da consciência humana.

Objetivos de aprendizagem
Valorizar o que os educandos consideram sagrado em suas respectivas culturas e tradições religiosas;
Respeitar o que é sagrado nas diferentes denominações religiosas;
Compreender que ao longo da História a ideia do sagrado se manifesta de várias formas.

Situação-problema (justificativa)
 Num contexto em que os grupos étnicos, a cultura, os diferentes segmentos religiosos, as classes sociais, entre outros, são vistos como elementos que devem ser compreendidos, respeitados e valorizados mediante suas diferenças, se apontará para uma transformação da sociedade, na qual poderá ser expresso o sentido transcendental da vida.

Diante das questões: O que é o sagrado? O que é profano? Onde acaba um e começa o outro? A procura desse limite é constante na história do ser humano. É sempre difícil encontrar respostas aceitáveis e coerentes com as práticas.

As crianças e os adolescentes trazem para a sala de aula objetos simbólicos, como trevo-de-quatro-folhas, cruz, terço, medalhas de santos, tatuagens, pétala de flor seca e outros, que representam para cada um significados diferentes e são motivos de curiosidade, espanto, deboche, admiração... Como fazê-los conhecer, compreender e respeitar a sacralidade que envolve o símbolo do outro?

Ações e procedimentos

•    Pedir que os educandos tragam de casa símbolos, fotos, elementos da natureza e outros objetos que consideram sagrados.
•    Iniciar a aula apresentando os objetivos e pedir que grifem as palavras desconhecidas, que poderão ser pesquisadas em atividade interdisciplinar com o estudo da língua portuguesa.
•    Colocar os objetos trazidos no centro da sala e pedir aos educandos que formem um círculo.
•    Relembrar a importância da seriedade e do respeito para com essa atividade e convidá-los a apreciar os elementos expostos, como também a observar os objetos simbólicos que cada um traz à mostra no dia-a-dia.
•    Ao som de uma música suave, pedir que o grupo circule lentamente de mãos dadas e com os olhos fechados. Ao baixar a música, todos param, cada um recolhe o objeto que ficou à sua frente e volta ao círculo. Caso o número seja insuficiente, alguns educandos serão os observadores.
•    Um voluntário vai ao centro e interpreta “o que há de sagrado” no objeto que tem em mãos. Junta-se a ele o dono do referido objeto e explica a razão de ter trazido tal objeto e por que o considera sagrado.
•    Volta ao círculo o primeiro que apresentou e o segundo continua no centro e interpreta o objeto que tem em mãos. A seguir, vem o dono do referido objeto. Assim sucessivamente até todos compartilharem suas experiências do sagrado a partir dos objetos.
•    Também os educandos que, no momento, usam objetos e símbolos sagrados falam por que gostam de usá-los e o que representam para eles. 
•    Após as apresentações, concluir falando da importância dessa troca de experiências do sagrado, elevar outra vez a música e propor a devolução dos objetos e a troca de abraços.
  
A dinâmica deixará as pessoas expostas e abertas às emoções, por isso é indispensável o acompanhamento atento e a intervenção do professor caso seja oportuna.

Em um segundo momento, conversar sobre o que é necessário para que haja respeito aos objetos sagrados das diversas denominações religiosas, crenças ou filosofias de vida. Anotar as opiniões, destacando as palavras-chave e a partir delas elaborar no quadro alguns princípios que garantam o respeito, a tolerância e o bom relacionamento entre os alunos. Os princípios podem ser anotados em uma cartolina e fixados na sala para serem trabalhados posteriormente.

Por fim, pedir que os educandos façam entrevistas e anotem as opiniões das pessoas a respeito dos símbolos sagrados, depois anotem também a própria opinião.

Na sala de aula, formar equipes que compartilhem os resultados das entrevistas e façam cartazes usando gravuras, desenhos e frases sobre as questões:
•    O que é sagrado para mim;
•    O que é sagrado para o outro.

Acompanhar, valorizar e incentivar o trabalho coletivo e cooperativo e a importância de conviver e respeitar o outro.

Com os cartazes prontos, cada equipe explicará o seu trabalho e responderá as perguntas que surgirem.

Fixar os cartazes na sala de aula.

Recursos
Objetos sagrados trazidos pelos alunos, aparelho de som e música, folhas de cartolina ou papel kraft,
material de escrita, pintura e colagem.

Tempo
3 a 4 aulas

Avaliação
Processual, diagnóstica, participativa, construtiva, que leve a observar, refletir e informar.

Professora Deisy Rosa Worm
Barra Velha – SC



Kirigami - Arte de cortar papel

De forma lúdica e simples, a técnica pode ser aproveitada para a confecção de cartões, livros artesanais e uma infinidade de possibilidades. Usa-se basicamente papel, cola e tesoura.
O tema folclore sugere um modelo de cartão com personagens da cultura popular brasileira que servem de base na confecção de cartões diferentes.

Material
Papel-cartão ou cartolina na medida aproximada de uma pasta de papelão; papel canson: verde em várias tonalidades; tesoura e estilete; régua; lápis.

Passo a passo
Base do trabalho: colar o papel verde na parte interna do papel-cartão.
Dobrar a base ao meio, marcar pelo lado de fora a altura aproximada de 2,5 cm e cortar.
Abrir a base e empurrar para o centro as partes que se encontram entre os cortes. Reforçar o vinco com a régua.
Desenhar, recortar e montar a vegetação. Passar cola nas partes dobradas e encaixar entre os espaços da base.
Desenhar, colorir e recortar as figuras desejadas em papel cartão e colá-las pela base.
Forrar a parte externa, sem passar cola sobre as partes que foram dobradas para dentro, possibilitando assim o movimento das figuras ao ser aberto o cartão.
Enfeitar a capa da forma desejada.

   
     
Aline Gomes dos Santos
Professora de Ensino Fundamental
São Paulo – SP

Fonte: Diálogo 55
Postado por: Diálogo




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