É junho! Acenda a fogueira do Ensino Religioso

Data de publicação: 03/06/2013



Ilumine a névoa da História e convide os alunos a descobrirem a origem sagrada das Festas Juninas, cujas tradições são elementos primordiais da vida social e religiosa dos antepassados, como a comida, o casamento, a dança e a fogueira.

 
A comida 

Antes das civilizações, os clãs nômades se reuniam para oferecer vítimas aos tótens protetores, consumir a carne imolada, trocar víveres e conhecimentos medicinais e celebrar casamentos.

A vida dependia da astúcia e da persistência em coletar e disputar alimento. E clãs inteiros sofriam de fome crônica ou desapareciam por desnutrição. As reuniões religiosas realizavam, por um breve tempo, o sonho da comida farta. Matar a fome era uma sensação de bênção e de proximidade do transcendente.  

Quando os clãs nômades deixaram a coleta e adotaram a agricultura, surgiram as festas campestres de semeadura e de colheita, cujos rituais e oferendas em homenagem às deusas da fertilidade garantiam o sucesso do plantio seguinte. Era o ansiado tempo da fartura de pão e de bebida, feitos com cereais recém-colhidos.

Na maioria dos países existem festas populares originadas nas colheitas. O Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, por exemplo, começou em 1621, quando um grupo de colonos ingleses resolveu agradecer a Deus pela primeira colheita de milho, feijão e abóbora, que haviam aprendido a cultivar com os indígenas vindos do México.

Casamento

O objetivo das festas era celebrar a fecundidade dos campos, dos animais e das pessoas. Elas eram feitas durante as estações quentes, nas quais a terra estava macia e disponível. Ao longo dos rigorosos invernos, a neve relegava a natureza à esterilidade. Casar era impensável.

Nas festas eram realizadas as cerimônias de fertilidade e iniciação sexual, ao redor das fogueiras nos campos e nos bosques, no meio dos cereais maduros e das flores. Um dos sinais que resistiu à milenar mudança cultural dos casamentos: o buquê e a grinalda de flores, componentes obrigatórios do traje da noiva, no mundo inteiro. E o que dizer do cereal jogado nos noivos como augúrio de felicidade?

A dança

Talvez a mais sagrada das artes tenha sido a dança. No passado, era reservada a iniciados, que conheciam os segredos dos espíritos e dos deuses. Ao dançarem, eles entravam em estados de consciência capazes de captar a comunicação do transcendente.

Durante as primeiras civilizações, da mesma forma, a dança era praticada por sacerdotes, adivinhos e visionários, com objetivo de cultuar os deuses e espíritos ou obter bênçãos e revelações. Quando as festas religiosas se popularizaram a dança foi transferida dos recintos sagrados das cavernas e dos santuários para os campos e os bosques e adquiriu caráter social e recreativo, sem perder a dimensão sagrada.    

A fogueira 

As Festas Juninas vêm dos solstícios de verão do Hemisfério Norte. O povo acompanhava o ritmo do ano por meio das fases da lua e do declínio do sol. O solstício de inverno, em 24 de dezembro, a noite mais longa do ano, celebrava a morte e o renascimento do sol. Eram festas do Egito e da Pérsia, adaptadas às religiões populares do Império Romano, na Europa. O solstício de verão em 24 de junho, aclamava o fulgor do sol. As fogueiras eram acesas no solstício de inverno que, no Hemisfério Sul, cai em 24 de junho. Até hoje os descendentes dos incas peruanos celebram a festa de Inti-Raymi. Na noite do solstício de inverno, fazem vigília pela ressurreição do sol. Quando ele nasce é aclamado com vivas e cânticos. Captam os raios com um instrumento de ouro e fazem arder uma mecha, cuja chama é conservada até o ano seguinte.

O cristianismo dos primeiros séculos inculturou a fé e deu novos significados aos símbolos e ritos religiosos do povo. O solstício de inverno, que lembrava o nascimento do sol em 25 de dezembro, passou a celebrar o nascimento de Jesus Cristo, Sol da Verdade. O solstício de verão, em 24 de junho, deu lugar à festa do nascimento de João Batista, precursor de Jesus, no qual, diz a tradição cristã, os pais teriam acendido uma fogueira como sinal do nascimento da criança.   

O fogo é um dos principais símbolos do sagrado. As religiões tribais tinham ritos de incinerar os mortos ou de acender fogueiras sobre os túmulos. Os próprios gregos costumavam queimar o corpo dos heróis guerreiros, depois apagar a fogueira com vinho e guardar as cinzas em urnas de prata. Nos relato bíblico, por exemplo, a fogueira é porta de comunicação de Deus com ser humano: Deus chama Moisés do meio da sarça ardente (cf. Ex 3,1-6). Os muçulmanos também simbolizam o profeta Maomé, por meio de uma chama de fogo, que significa sua comunicação com Deus.



Dicas interdisciplinares para ressignificar a Festa Junina


  • Organizar com os alunos uma pesquisa sobre as origens da festa;
  • Organizar entrevistas com familiares idosos dos alunos, sobre costumes das Festas Juninas antigas;
  • Formar grupos de idosos que se disponha a ensaiar uma quadrilha à moda antiga e apresentá-la durante a festa;
  • Pesquisar canções juninas tradicionais da região e formar um grupo de canto;
  • Com papel crepom, fazer trajes à moda antiga, que substituam as roupas caipiras;
  • Além da quadrilha, ou em lugar dela, escolher músicas clássicas e ensaiar coreografias com gestos de semear, colher, carregar feixes, moer cereais entre pedras, fazer a massa, assar bolos etc;
  • Fazer grinaldas de flores naturais para todas as meninas;
  • Vestir de noivos diversos casais e criar com eles uma dança na qual eles carreguem cereais e frutos;
  • Na decoração do ambiente, usar ramos de cereais secos naturais, flores e frutos;
  • Com diversas técnicas de arte, preparar uma amostra que retrate os resultados das pesquisas feitas;
  • Preparar alunos que se tornem monitores, explicando as peças da exposição aos visitantes. De modo que assim todos entendam o significado das apresentações diferentes.
Livro

Brincando na festa junina

Célia Oshima e Eliane Martinez
Ilustrações de Maria Regina Klein
38 páginas – código 9223-1

As professoras de arte Célia e Eliane e a ilustradora Maria Regina somaram habilidade, conhecimento e paixão, que resultou em um livro interdisciplinar, no qual o texto, o desenho, a religiosidade, a ética, o amor familiar, a história da festa e o passo a passo para as peças juninas artísticas, se entrelaçam e criam uma festa para os olhos e para o coração, que continuará nas inúmeras possibilidades de trabalho na sala de aula. Seguir as ideias e instruções desta obra prima é certeza de arraiá animado e corações aquecidos pela fogueira da alegria, do conhecimento e da amizade.     

Fonte: Diálogo 42
Postado por: Diálogo




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