Histórias e fábulas

Data de publicação: 31/10/2013

A liga das nações

O tempo não andava bom para a onça. Ela então armou um projeto de fundar a liga dos bichos para poder vencer a crise. E saiu pela casa dos bichos convidando-os para entrar nessa nova sociedade.
Primeiro chegou na casa do gato do mato e logo falou:
– Bom dia, camarada gato.
– Bom dia, dona onça. Que novidade, a senhora por aqui!
– Uma grande novidade, camarada gato. A crise está grande, e só unidos e organizados é que podemos enfrentá-la. Estou aqui para convidar você a participar desta sociedade.
– E como é esta sociedade?
– É assim: trabalhamos juntos e comemos juntos. Uma maravilha!
– Então pode botar o meu nome, dona onça. É uma sociedade importante para nós, os gatos.
– Na próxima lua, vamos fazer nosso primeiro trabalho. Adeus, camarada gato. E assim a onça foi de casa em casa e de bicho em bicho. Foi à casa do lobo, do jaguar e do cachorro. Todos acharam que a sociedade era muito importante e deram o nome.
Chegou o dia do trabalho.
De repente, deram com um grande veado galheiro. Fizeram o cerco e logo sangraram o veado.
Então a onça pôs as patas dianteiras nas costas da caça e disse para os bichos:
– Agora vamos dividir.
Todos ficaram satisfeitos.
Então a onça disse:
– Um quarto é para mim porque sou a rainha dos animais. Outro quarto é meu porque sou a mais forte.
O lobo perguntou:
– Os outros dois são nossos, dona onça?
– Não! A outra parte é minha porque me chamo onça.
– E a última parte, dona onça? – Perguntou o gato, aflito.
– A última parte é de quem tiver coragem de tirá-la de minhas patas.
Os bichos saíram desconfiados, dizendo uns para os outros: sociedade de onça só dá certo para onça. Sociedade de gato é com gato.

Adaptação da fábula de Monteiro Lobato


O bom governo

Certa vez, um discípulo de Confúcio perguntou-lhe:
– Diga-me, quais são os ingredientes básicos de um bom governo?
Confúcio respondeu-lhe:
– Comida, armas e a confiança do povo.
– Mas – continua o discípulo. Se você fosse obrigado a prescindir de um desses três ingredientes, de qual desis­tiria?
– Das armas – respondeu.
– E se tivesse de desistir de um dos outros dois?
– Da comida.
– Mas, sem comida o povo morreria.
– Desde tempos imemoráveis – disse Confúcio. – A morte tem sido o destino de todos os humanos. Mas um povo que não confia mais em seus governantes está decididamente perdido.

Diógenes e as lentilhas

Conta-se que Diógenes, o famoso filósofo grego, jantava certo dia, um prato de lentilhas, quando viu outro filósofo, Aristipo, que levava vida boa e confortável sempre adulando o rei. Aristipo disse então para Diógenes: – Se aprendesses a bajular o rei, não precisarias nunca te alimentar de uma comida tão mísera como lentilhas.
Então, Diógenes respondeu: – Tu, também, se tivesses aprendido a alimentar-te de lentilhas, não te seria nunca necessário passar a vida bajulando o rei.

A força dos pequenos

O leão reuniu os animais da floresta e ordenou:
– Todos os animais devem reconhecer o leão como rei.
Ouviu-se um murmúrio geral. Depois, uma pequena voz se fez ouvir. Era o porta-voz das formigas guerreiras:
– Nós não aceitamos. Os nossos antepassados nos deram uma rainha e nós obede­cemos a ela!
– Tereis a vossa punição! – respondeu o leão.
Em seguida, todos se dispersaram. No fim da tarde, os filhos do leão caçaram um porquinho e o esconderam numa moita. Enquanto foram convidar o chefe para banquetear-se com o porquinho, as formigas se reuniram. Eram tão numerosas que cobriram a savana. Devoraram o porquinho e se dispuseram em ordem de batalha.
Ao pôr-do-sol, o leão chegou majestoso com sua família. Então, o exército das formigas entrou em ação. Saíram aos montes das ervas e das folhas e subiram pelas pernas dos  azarados. Atacaram o focinho, as orelhas, os olhos...
Os leões, rugindo de dor, se jogavam às cegas contra as plantas, rolavam no chão... inutilmente.
Na manhã seguinte, um abutre, passando em vôo rasante, viu aqui e ali a ossada da família que havia pretendido impor se com poder absoluto sobre todos os animais. E o abutre concluiu: os poderosos nunca devem desprezar a força dos pequenos unidos.

Conto africano.
Em: Vivendo e aprendendo.
Editora Mundo e Missão. Florianópolis (SC).
Misjovem@missaojovem.com.b

Fonte: Diálogo 27 - Ago/2002
Postado por: Diálogo




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Antonio Conselheiro
Um beato e sua palavra. Estou falando de Belo Monte (BA), e seu líder religioso Antônio Conselheiro
A quadrilha
No Brasil, temos vários ciclos artísticos-culturais, com manifestações características
Fraternidade e Políticas Públicas
Anualmente a Igreja Católica no Brasil promove a Campanha da Fraternidade, que tem início no período quaresmal e se estende ao ano todo. “Fraternidade e Políticas Públicas” foi o tema escolhido para a Campanha de 2019.
O segredo das grandes águas
Uma aldeia Kaingang vivia à margem de um sereno rio que os índios chamaram Iguaçu (grandes águas).
O Bricoleur sagrado contemporâneo
Pelo menos 26% da população brasileira adulta já passou por uma conversão religiosa.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados