À luz das lanternas

Data de publicação: 12/02/2014



O ano lunisolar, que vigora nas festas tradicionais da China há quase 5 mil anos, é o mais antigo calendário conhecido. Regido por 12 animais míticos, começa com a primeira lua nova posterior à  entrada do sol no signo de Aquário, data situada entre 21 de janeiro e 19 de fevereiro no calendário gregoriano. Este é ano do Cavalo de Madeira.

Há milênios, os chineses entram no Ano Novo envoltos na luz sagrada da tradição taoísta. Fruto das raízes xamânicas e organizado por Lao-Tsé no século 5º a. EC. (antes da Era Comum), o Taoísmo crê na harmonia de todos os seres que foram criados do barro pelo Supremo Imperador de Jade, o soberano das divindades.

A passagem do ano é esperada com limpeza nas casas, oferendas aos antepassados, queimas de incenso e exposição de faixas vermelhas nas portas, onde são escritas mensagens de renovação e de esperança em honra ao Supremo Imperador de Jade, que neste dia visita os mortais.

O rito de Ano Novo no templo taoísta consiste em quase três horas de cânticos ininterruptos, presididos por um sacerdote, que pede proteção, prosperidade e desenvolvimento espiritual para todo o cosmos e toda a humanidade, no ano que começa. Antes da cerimônia, os participantes ofertam flores e frutos nos altares e, ainda, alimentos, roupas e brinquedos destinados aos pobres.

Segundo Wagner Canalonga, sacerdote regente da Sociedade Taoísta do Brasil em São Paulo (SP), a prática da oferenda exercita o despojamento e a solidariedade. Uma ação visível só é plena quando corresponde ao sentimento, e a oferenda é o elo entre ação e sentimento.

As lanternas que iluminam a noite da passagem remontam a uma lenda chinesa do Ano Novo anterior ao Taoísmo. Ela conta que, há milhares de anos, o feroz Monstro Nian deixava, uma vez por ano, as profundezas da floresta e invadia as aldeias. Para se protegerem, as pessoas pintavam as portas de vermelho e faziam fogueiras de bambus que estouravam, espantando a fera. Todos ansiavam por sobreviver à noite de terror e ter um ano inteiro de paz antes da nova investida do Monstro Nian. Assim surgiu o costume de celebrar a passagem do ano com fogueiras, nos dias de hoje substituídas por fogos, lâmpadas e faixas vermelhas.

Fonte: Diálogo 57 - Fev/Abr 2010
Postado por: Diálogo




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