Revendo a história

Data de publicação: 25/08/2014

Salviano de Campos *



Personagens: Carlos (C); Miguel (M); Sílvia (S);  Anita (A); Vô (V); Filha (F); Professor (P).

Cenário: sala de aula e quarto de residência.

Cena 1 – na sala de aula a peça tem início com uma discussão entre os colegas.  

C: Fala, índio! Tudo bem?
M: Índio é sua mãe!
C:  Que ignorância…
M: Dei liberdade?
C: Que há demais nisso?
M: Não sou selvagem!
S: Pára com isso, Miguel!
A: Que é isso, Carlos? (Separando os dois).
P: Falem o que sabem de índios!
C e M: Sobre índios?!
P: Sim, escutei a discussão!
M: São selvagens!
C: Não sei quase nada!
P: Pesquisem para a próxima aula! Quatro pontos! (Saem)

Cena 2 – em casa
V: Preciso falar com o Miguel.
F: Ele odeia ser chamado de índio.
M: Índio?! Vou pesquisar sobre isso. Vale quatro pontos.
V: Seu tataravô era pajé. Eu esperava por isso há muito tempo.
M: Esperava o quê, vô?
V: Um dia  ia ter que contar por que lhe chamam de índio e que isso não é mo­tivo de vergonha e sim de orgulho!

Cena 3 – na sala de aula
C: Há 30 mil anos, os índios já habitavam a América. O Brasil foi tomado. Nas invasões, tribos inteiras foram dizimadas. Em 1.500, o Brasil não tinha nenhum branco. Hoje tem quase 200 milhões. E dos 6 milhões de índios daqui, restam cerca de 500 mil. De 900 povos indígenas, existem apenas 225 na­ções. Atualmente, temos a maior reserva de biodiversidade do mundo. Continuam matando índios, devastando florestas, contra­bandeando ouro e minério em geral, fórmulas de remédios, vidas silvestres.
P: Agora é sua vez Miguel!
M: Meu tataravô era índio! Pareço com ele. Olha a foto!
Todos: Índio! Índio! Índio!
M: Índio sim e com orgulho!
P: Mudou de forma radical.
M: Meu avô me contou a história do pai dele. De vez em quando,  parava para me dizer que era igualzinho a mim! O cabelo, a cor, o jeito, tudo. Ele foi morto na luta pela demarcação! Defendia a terra e a família. Depois da conversa com meu avô, morri e nasci de novo! Aquele Miguel que tinha vergonha de ser índio! Passou a ter orgulho! Metade dessa turma é a mesma coisa: Índio como eu!
Todos: Índio! Índio! Índio!
P: E agora?!
M: Criei os Voluntários da Luta Pelos Povos Indígenas. Convido o Carlos e todos vocês a participarem.
Todos  – Nós aceitamos!
P: Essa é a valentia que queremos de vocês! Parabéns! Nota máxima para os dois! Feliz 19 de abril! Feliz Dia do Índio!

* Salviano de Campos - Escritor e autor teatral – Rua Dr. Cesáreo Mota Júnior, 502 – Térreo – CEP 01221-020 – Centro – SP – Fone (11) 3259-0731 –  E-mail: salvicampos@tutopia.com.br

Fonte: Diálogo 25 - Mar/2002
Postado por: Diálogo




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