Flores e linguagem

Data de publicação: 17/09/2014

Girassol

Natural da América do Norte e cultivado há cerca de 5 mil anos, o girassol se tornou a flor sagrada do deus Sol, no México. Os xamãs das tribos nativas dos Estados Unidos o usaram como ornamento nas cerimônias religiosas e em forma de unguento e poção medicinal. Girassóis esculpidos em totens de madeira atestam essa prática, em sítios arqueológicos do Arizona. Cultivado na cordilheira dos Andes, foi também assimilado pelos incas como símbolo do Sol. 

Mais tarde o girassol se disseminou pela Europa, chegou à Rússia e em pouco tempo as planícies douradas caracterizaram a beleza do país. As Igrejas Católicas Ortodoxas logo o adotaram como símbolo pascal de Jesus Cristo ressuscitado, costume mais recentemente integrado também à Igreja Católica Romana. 
 
Crisântemo

Na cor amarela, o crisântemo é tido, no Oriente, como portador de vida longa, fartura e estabilidade pessoal e familiar. Emblema do Japão, presente na bandeira imperial, diz-se que, além de retratar o sol nascente, guarda o segredo da vida eterna.

Na China o crisântemo é o principal símbolo do Festival de Chong Yang, ou vida longa, que celebra a chegada do inverno. A data teve origem no taoísmo, por volta do século 3º antes da Era Comum ou Era Cristã. É também o Dia Nacional dos Idosos, na China.

Durante o Festival, as pessoas escalam montanhas ou fazem trajetos difíceis a pé, para experimentarem as lutas que os antepassados enfrentaram em suas vidas. As famílias costumam surpreender os anciãos com roupas novas para o inverno. São feitas visitas aos mortos e miniaturas de roupas de inverno, em papel, são queimadas sobre os túmulos como oferenda.

Os principais pratos das refeições festivas de Chong Yang são o vinho e o bolo feitos de crisântemo, saboreados enquanto se contempla as flores.

Papoula

Há mais de 5 mil anos, os sumérios utilizavam a papoula como alimento e remédio. Droga de grande prestígio na medicina grega, era relacionada a Hipnos, pai de Morfeu, deus do sono. A coroa de papoula orna a fronte da deusa grega Nix, a treva filha do Caos e mãe da morte, cujo manto retrata a noite estrelada.

O ópio tirado do suco da papoula difundiu-se pela Europa no início do século 16 e na mesma época Paracelo, médico e alquimista suíço, elaborou o láudano, um concentrado de papoula que teria o poder de rejuvenescer até os anciãos.

No Oriente Médio e na Europa, a papoula vermelha é uma flor silvestre. Chamada lírio de ceres, era tida como presságio de bênção da deusa das semeaduras, quando nascia no meio dos trigais.
Após a Segunda Guerra Mundial, o lírio de ceres foi tristemente associado à saudade, ao crescer sobre os campos onde haviam morrido milhares de soldados.

Rosa

A rosa é a flor mais popular do mundo. Cultivada na Ásia a mais de 4.000 mil, é ainda mais antiga em sua forma silvestre.

Preciosa na Pérsia, como perfume, desde o tempo de Zoroastro, os muçulmanos, ao conquistarem a região no século 7º da Era Comum ou Era Cristã, a levaram para todas as direções, da Índia à Espanha.

Na mitologia grega, a rosa é a obra-prima de Clóris, deusa das flores. Afrodite presenteou com uma delas o seu filho Eros, que a tornou o principal símbolo do amor. Eros fez dela um mimo a Harpócrates, deus do silêncio, e este fez dela símbolo do segredo.

Os romanos acreditavam que, ao ornamentarem os túmulos com rosas, apaziguariam os manes, espíritos dos mortos. Os ricos ordenavam em seus testamentos, que jardins inteiros de rosas fossem mantidos para fornecer flores a suas sepulturas.

O imperador Nero era fascinado por rosas. Durante seus extravagantes banquetes, chuvas de flores caíam do teto sobre os convivas. Inclusive, pessoas totalmente embriagadas chegavam a morrer por asfixia, soterradas pelas rosas. Um dos locais arqueológicos mais famosos da Roma Imperial, a bem conservada Domus Áurea, a suntuosa casa dourada de Nero, tem cuidadosamente cultivadas em seus jardins magníficas roseiras gigantes.

As ordens religiosas monásticas da Europa tinham sempre um monge especialista em botânica e nas propriedades medicinais das plantas, por isso a roseira ocupou lugar de destaque nos jardins dos mosteiros.

Sugestões de atividade interdisciplinar

Descobrir semelhanças ou diferenças entre a flor e a vida humana.

A flor:

•    Tem imensa variedade de espécies, formatos, tamanhos e cores.
•    É frágil e está em constante perigo de ser machucada e destruída.
•    Nada exige em troca de sua presença.
•    Exala um perfume agradável a quem dela se aproxima.
•    Contém pólen, capaz de fecundar outras flores.
•    Produz o néctar que pode se tornar mel.
•    Precisa da luz do sol para desabrochar e avivar sua cor.
•    Vive da seiva que a raiz extrai da terra.
•    Pode se transformar em um fruto nutritivo e saboroso.
•    Está presente nos momentos mais importantes da vida das pessoas.

Escolher flores comuns na região e relacioná-las, simbolicamente, pela cor, formato, dimensão, perfume etc; com realidades humanas ou transcendentes.

Fonte: Diálogo 51 - Ago/2008
Postado por: Diálogo




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