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Data de publicação: 23/04/2015




Em pauta memorial

Obon, a festa para os ancestrais

A lembrança dos mortos é sempre marcada pela saudade. Segundo a tradição cristã, o dia 2 de novembro é dedicado a recordar as pessoas falecidas. Tal dia é melancólico, e propício para ir ao cemitério levar flores, ou, conforme a tradição religiosa, celebrar algum rito religioso em honra dos que morreram.
Fazer memória dos mortos é algo presente em quase todas as religiões, pois, de algum modo, eles ainda continuam vivos. Em algumas culturas orientais este é o momento para reunir a família, dançar e orar pelos espíritos dos antepassados. É assim que acontece durante o Obon, uma festa oriunda do budismo chinês, realizada há mais de 500 anos no Japão, e conforme a região é celebrada no período de 13 a 15 do mês de julho ou agosto.
O termo Obon deriva de urabon, uma transliteração japonesa da palavra sânscrita Ullambana, que significa “de cabeça para baixo”. Embora seu significado se relacione ao sofrimento, os dias de Obon são festivos, pois é tempo de limpar a casa e ofertar legumes e frutas aos espíritos dos ancestrais em frente ao butsudan, o altar budista ornamentado com flores e chouchin, lanterna japonesa. O uso da lanterna fez com que a celebração se chamasse Festival das Lanternas, e sua função, ao serem acesas na entrada das casas, é a de guiar os antepassados, tanto na ida à casa da família, quanto na volta ao túmulo.
Nas noites de festa, dança-se o Bon Odori, dança folclórica realizada nos santuários ou em parques. Segundo a lenda, a dança nasceu a partir da visão de um monge que vira sua mãe fora do Nirvana e sob a pena de renascer, após ter morrido, na dimensão dos Gaki, seres que passam eterna fome e sede. Com o poder de transitar entre os mundos, o monge decidiu ajudar sua mãe dando-lhe comida, porém, cada vez que ela comia, o alimento se transformava em fogo e queimava-lhe a boca.
Um dia ele foi pedir conselho a Buda, a fim de aliviar a dor de sua mãe. O sábio o orientou a reunir em um grande mosteiro, no dia 15 de julho, os monges de todas as cidades, assim neste dia eles evitariam pisar sobre insetos e flores. Para que isso se realizasse, o monge ofereceu-lhes um banquete em honra de sua mãe. E assim fizeram, de modo que naquele dia eles não pisaram no jardim, e o espírito da mãe do monge se iluminou. Feliz, ele se pôs a dançar e os outros monges o seguiram dançando.
No término de Obon, as lanternas de papel são colocadas no rio, a fim de iluminarem o caminho de volta ao túmulo dos espíritos. Essa é a forma alegre de homenagear o espírito dos ancestrais, que na sua origem era um ato apenas religioso, mas depois adquiriu um caráter civil e popular.

Sugestão de atividades de Ensino Religioso
Símbolos – Refletir sobre o sentido de alguns objetos utilizados para homenagear os mortos: flores, velas, celebrações, epitáfio etc.
Ritos – Propor aos alunos que façam uma pesquisa a fim de comparar os ritos mortuários nas diferentes culturas (por exemplo: cristãos sepultam e hindus cremam os mortos).
Ética – Promover um debate acerca das questões:
• Este deve ser um dia alegre, festivo, a fim de reunir a família e celebrar? Ou se deve manter o silêncio em respeito aos que morreram?
• Como conciliar alegria e tristeza no Dia de Finados?

Em pauta atualidade

Fonte: Diálogo 62 - MAI/2011
Postado por: Diálogo




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