Heróis e deuses, de Olímpia a Pequim

Data de publicação: 09/09/2015

Heróis e deuses Olímpicos

Os primeiros registros de jogos em honra de Zeus, deus grego do fogo, criador dos deuses do Olimpo, datam do ano 776 a.E.C. (antes da Era Comum ou Era Cristã) em Olímpia, uma aldeia de origem pré-histórica situada à costa do mar Adriático, na região do Peloponeso, ao sul da Grécia. Habitada há cerca do ano 3 mil a.E.C., foi guardiã do altar de Pélope, divindade ancestral, que deu lugar aos santuários de Cronos, o tempo; e Gaia, a terra, ancestrais de Zeus.
Com o passar do tempo, atletas de todo o Império Helênico passaram a competir em diversas cidades, ao redor dos santuários, em homenagem aos deuses e deusas do Olimpo. Os festivais helênicos repetiram-se durante mais de 600 anos, até que Teodósio, imperador romano cristão do Oriente, os proibiu no ano 392 da Era Comum.
Passados 16 séculos, Pierre Fredi de Coubertin (1863-1937), herdeiro de um título de nobreza na França, formado em Filosofia e defensor do esporte como meio de educação integral, após visitar vários países, promoveu um congresso na Universidade Sorbonne, em Paris (França), no ano de 1894, com o objetivo de reavivar a idéia das Olimpíadas como evento de paz e de encontro amigável entre as nações. O congresso culminou com a fundação do Comitê Olímpico Internacional e a primeira Olimpíada da Era Moderna teve lugar em Atenas, capital da Grécia, no ano de 1896, com atletas de 13 países.

Os jogos de verão
Os Jogos Olímpicos na Grécia antiga eram festivais de verão, pois recebiam competidores de todo o mundo helênico e ninguém viajava no inverno ou no outono, quando a neve e os ventos fechavam as rotas por mar e terra. Certas viagens levavam mais de um mês e era preciso garantir o bem-estar dos atletas que, ao saírem de casa na primavera, regressavam seguros antes do outono.

A glória do herói
A vitória nas Olimpíadas era tida como presente do deus homenageado. O dia da premiação era o ponto mais alto da vida de um atleta, porque lhe garantia memória perene.
Um a um, os vencedores subiam ao Prónaos, o portal do templo, e eram coroados com ramos de oliveira. Todos tinham seus nomes registrados nos arquivos olímpicos.
A terra natal de um vencedor dedicava-lhe muitas honras, visto que ele aumentara a glória da cidade em todo o mundo helênico. Ao chegar de volta dos jogos, o atleta entrava em pé num carro puxado por quatro cavalos.
Grandes recepções, procissões triunfantes e oferendas aos deuses locais acompanhavam a entrada do herói olímpico na cidade. Depois, uma estátua sua era levantada na praça.

O fogo sagrado
Os Jogos Olímpicos de todas as cidades gregas da Antiguidade eram abertos com o acendimento da tocha em honra ao deus criador Zeus, cujo símbolo era o fogo.
A chama dos Jogos da Era Moderna é acesa no local que outrora foi o estádio de Olímpia. Com um instrumento, são captados os raios solares que acendem a pira. A chama evoca o espírito olímpico da Antiguidade e, ao passar pelos cinco continentes nas mãos dos atletas, convoca todas as nações para o encontro de paz e amizade.

A coroa de oliveira
Os competidores gregos não recebiam medalhas e sim uma coroa de oliveira, árvore produtora do óleo, símbolo de realeza, saúde, fartura e distinção por parte dos deuses. O atleta triunfante, em alguns casos, tinha sua estátua erguida junto aos deuses, no santuário de sua cidade.

O juramento olímpico
Escrito por Pierre Fredi de Coubertin, o juramento é feito por um atleta da nação que sedia os jogos: “Em nome de todos os competidores, eu prometo que tomaremos parte destes Jogos Olímpicos, respeitando, aceitando e colocando em prática as regras que os governam, com verdadeiro espírito esportivo, para a glória do esporte e a honra de nossas equipes”.
Um juiz do país anfitrião repete o juramento, com pequenas adaptações, em nome dos árbitros de todos os esportes.

Os continentes de mãos dadas
A bandeira, idealizada por Pierre de Coubertin, e depois remodelada pelo Comitê Olímpico Internacional, traz cinco anéis sobre a base branca, símbolo da paz. O anel amarelo representa a Ásia; o azul, a Europa; o negro, a África; o verde, a Oceania; e o vermelho, a América. Entrelaçados, simbolizam a união da humanidade, a exemplo das nações helênicas que, durante as Olimpíadas, viviam um tempo de paz chamado “dar-se as mãos”.
O lema da bandeira, em latim: Citius, Altius, Fortius engrandece os atletas enquanto incentiva cada um a ser “mais veloz, mais alto, mais forte” na disciplina olímpica.



Atividade interdisciplinar


O que muda e o que permanece
Material – Materiais variados para elaboração artística.
Objetivo – Conhecer a origem religiosa das Olimpíadas e refletir acerca de valores permanentes e sobre a forma de expressá-los através dos tempos.
Pesquisa – Organizar a sala em dois grupos subdivididos em números menores de participantes:
• Grupo 1 – Pesquisa sobre símbolos, ritos, deuses, crenças, locais sagrados e valores presentes nos Jogos Olímpicos da Antiguidade.
• Grupo 2 – Procede da mesma forma a respeito dos Jogos Olímpicos modernos.
Elaboração – Os grupos representam os conteúdos pesquisados por meio de pinturas, desenhos, maquetes, colagens etc.
Reflexão – Exposto o conteúdo, os grupos dialogam a partir do que pesquisaram:
• O que permaneceu nos Jogos Olímpicos, desde a origem até agora;
• O que se perdeu;
• O que não faz mais sentido para a vida atual;
• O que continua sendo importante e precisa ser recuperado.
Conclusão – A partir desses elementos ou de outros que a turma vier a acrescentar, elaborar um texto conclusivo sobre as questões debatidas.

Fonte: Diálogo 51 - AGO/2008
Postado por: Diálogo




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