Dislexia

Data de publicação: 25/09/2017

“Explicar a natureza do problema à criança, com a maior clareza possível, será o primeiro passo para o tratamento de qualquer transtorno de aprendizagem..."

A dislexia não precisa ser tratada como doença, já que se trata de um distúrbio genético e neurobiológico, que não tem ligação alguma com a preguiça, falta de atenção ou má educação. O que acontece com a pessoa que tem dislexia é uma desordem das informações recebidas, que acabam inibindo o processo de entendimento das letras e interferindo na leitura. O processo de leitura e escrita, por exemplo, exige duas funções do cérebro, e o disléxico possui uma limitação em uma delas. A criança disléxica lê de forma trabalhosa, lenta, pausada. Mudas as letras de lugar, inverte sílabas e até mesmo palavras.
Atualmente, o distúrbio atinge mais de 5% da população mundial, segundo dados da Associação Brasileira de Dislexia. Dificuldade para ler, escrever ou soletrar pode ser sinal de alerta. Segundo a psicopedagoga, Ana Regina Caminha Braga, os sintomas da dislexia variam de pessoa para pessoa e de acordo com o grau do distúrbio. “A criança com dislexia tem certa dificuldade em decodificar as letras.  Os disléxicos não associam com facilidade símbolos gráficos e letras aos sons que representam”, explica.
Outro problema relacionado à dislexia é o seu próprio diagnóstico, pois só é obtido após a alfabetização da criança. A especialista, porém, alerta para que se fique de olho, pois é a partir do quarto ano de vida que os pequenos começam a dar indícios de uma possível  dificuldade.
Para chegar ao diagnóstico, são descartadas algumas possibilidades, como a dificuldade ou deficiência visual e/ou educação inadequada. Após esse levantamento, inicia-se o tratamento, que geralmente acontece com a participação de uma equipe multidisciplinar, compreendendo fonoaudiólogo, psicólogo e neurologista. Segundo Ana Regina, a dislexia uma vez tratada e acompanhada, passa a ser controlada de maneira eficaz já na infância, evitando que prejudique a vida adulta dos pacientes. “Depois do  diagnóstico, acompanhamento e tratamento adequados, além do monitoramento dos resultados da criança no âmbito escolar, uma porcentagem considerável consegue melhorar significativamente o quadro. Caso esse acompanhamento não seja feito, a dislexia tende a continuar sem mudanças na vida adulta dessas pessoas”, comenta.
Quanto antes a família e/ou responsáveis tomarem as providências e procurarem os profissionais adequados, os resultados serão favoráveis. A demora nesse processo costuma acarretar consequências na vida e autoestima da criança, a qual  pode, de alguma maneira, interferir na atuação dela com os colegas.  Segundo a especialista, o próprio pai ou responsável, que por vezes chegam ao consultório médico com falas inadequadas, como por exemplo: “meu filho é preguiçoso”, atrapalham o tratamento.
Para finalizar, Ana Regina lembra que o professor também precisa estar atento às atitudes de seus alunos, para que possa perceber as dificuldades de cada criança quanto à aprendizagem e, dessa forma, comunicar a equipe pedagógica e estudar o caminho para chamar os responsáveis e contribuir no que for necessário durante o acompanhamento. “O papel do professor é fundamental nesse momento, pois ele precisa estar atento às atitudes dos alunos e, ao menor sinal de problema, repassá-lo aos pais ou responsáveis, para que essa criança possa ser encaminhada para o tratamento adequado e sem maiores prejuízos”, completa a especialista.


      Ana Regina Caminha Braga é escritora, psicopedagoga e especialista em Educação Especial e em Gestão Escolar. Mais informações no blog anareginablog.wordpress.com


Fonte: Edição Nº84 Out/Dez 2016
Postado por: Diálogo




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