Discalculia

Data de publicação: 05/10/2017


Adriana Guedes *

Causada por má-formação neurológica, a discalculia pode ser descoberta logo nos primeiros anos de vida, através da trajetória de aprendizagem e do desenvolvimento da criança com relação a tudo que está relacionado aos números. Mas é preciso ficar atento, pois nem todas as crianças gostam de contas, e existe uma grande diferença entre quem acha matemática chata e difícil e quem sofre de um distúrbio. A professora especialista em Linguística e franqueada da rede Tutores – Educação Multidisciplinar, em Uberlândia (MG), Juliana Reis, explica como tratar e amenizar a discalculia, fazendo com que a criança passe pela vida escolar da maneira menos traumática possível.
“Muitas vezes uma criança diagnosticada com discalculia é tratada como quem tem dificuldades gerais de aprendizagem, moderada, grave ou profunda. É difícil diagnosticar o distúrbio, pois nem sempre é visto como uma condição separada. O profissional deve sempre fazer orientações gerais sobre as dificuldades matemáticas e, a partir daí, planejar as intervenções pedagógicas necessárias. Só é possível perceber traços de discalculia a partir da maturação neurológica compatível com a demanda matemática da fase em que a criança se encontra. Não se trata de um distúrbio que se percebe da noite para o di.”, explica a especialista.

Os sinais
Dentre os sinais característicos de um aluno discalcúlico constam: a dificuldade em realizar cálculos simples como adição; resolver problemas matemáticos; substituir ou reverter números por outro (6-9 / 2-5); alinhar mal os símbolos, com o uso dos pontos decimais; ler e escrever os símbolos matemáticos (=/ ÷) e de avaliação e organização visuoespacial. Também é comum ter confusão em procedimentos aritméticos (adição, subtração e multiplicação); dificuldade na linguagem matemática e sua relação com os símbolos (subtrair, retirar, deduzir, menos etc.); escrever os símbolos e dígitos necessários para os cálculos e separar o concreto do abstrato.
Uma vez que a criança foi diagnosticada com discalculia, todas as pessoas de seu convívio devem ajudá-la, e existem métodos para isso. O professor precisa assegurar-se de que as habilidades para um bom estudo estejam estabelecidas, para que não haja problemas com os conteúdos subsequentes. Um bom ensino e uma aula bem preparada e intervenções mais específicas ajudam alunos com discalculia. Ao ensinar a classe ou um grupo de alunos, é importante que o professor se certifique de que o aluno discalcúlico esteja prestando atenção, que as explicações estejam divididas em pequenas etapas, sem que se pareçam distintas, isso porque o aluno precisa compreender o contexto geral de determinado assunto.
A utilização de jogos ajuda a reduzir a ansiedade e permite que o aluno relaxe, e, portanto, preste mais atenção. Mas, se a ansiedade for muito grande, um acompanhamento individual auxilia a garantir o sucesso escolar, reduzindo assim o estresse ou a ansiedade em relação à matemática e ajudando o aluno a progredir em seu próprio ritmo.
Além disso, o professor deve, sempre que possível, tornar o trabalho relevante e significativo e mostrar vínculos com os interesses e passatempos do aluno para motivá-lo. Abordagens multissensoriais (estilo visual, auditivo e sinestésico) também podem facilitar a aprendizagem.
“A família e a escola devem tratar o problema de maneira muito tranquila. Os pais precisam estar atentos frente às avaliações escolares com resultados insatisfatórios e dialogar com a criança sem desespero. Muitos pais se sentem culpados, acham que podem ter feito alguma coisa errada ou não ter feito o suficiente, mas não devem pensar dessa forma, pois a criança precisa se sentir segura para conseguir e seguir o tratamento”, complementa Juliana.

Como tratar a criança
Ao perceber algo de errado em seu filho, a primeira coisa que os pais devem fazer é procurar um profissional para o diagnóstico. Geralmente esses diagnósticos são uma descrição do atual estágio de desenvolvimento. Depois os pais precisam se certificar de que seu filho esteja recebendo o tratamento adequado, assim a possibilidade de desenvolvimento da capacidade matemática será grande.
“A escola deve informar como será feito o trabalho com essa criança, e caso ela seja acompanhada por um professor de maneira individual, este também deve indicar como será feito o trabalho e se já teve alunos com tais dificuldades. Como as crianças estão em constante desenvolvimento, é muito comum que as dificuldades que existiram no ano anterior sejam minimizadas ou desaparecidas, no entanto algumas delas podem permanecer de forma suave em toda a vida adulta.”, esclarece a professora.
Os pais também podem ajudar seus filhos em situações práticas, como pagar com dinheiro em uma loja, receber troco etc. Alguns jogos de tabuleiro podem garantir horas de diversão em família e ainda estimular a criança nos requisitos matemáticos, mas o cuidado deve ser redobrado. A criança não pode se sentir pressionada, e sim desafiada. O momento precisa ser de lazer e não de sofrimento.

Tipos de discalculia e tratamento

Existem diversos tipos de discalculia, dentre elas a verbal, que se trata da resistência em nomear números, termos e símbolos; a léxica, que diz respeito aos problemas em ler os símbolos matemáticos; e a practognóstica, relacionada à dificuldade para enumerar, comparar ou manipular objetos ou imagens matemáticas. A criança também pode ter problemas para escrever símbolos matemáticos, o que se caracteriza como discalculia gráfica, ou para mentalizar operações e compreender conceitos matemáticos, a chamada discalculia ideognóstica.
De acordo com a franqueada da Tutores, Juliana Reis, de maneira geral a discalculia pode ser tratada e curada ou ao menos amenizada. Portanto, o insucesso escolar está mais ligado à não intervenção e à maneira com que a pessoa lida com essa dificuldade nos anos escolares do que à discalculia. Serão necessárias algumas estratégias para aprender ou gravar determinados conhecimentos. Geralmente as dificuldades de aprendizagem começam a aparecer na fase de alfabetização e, quando feito o diagnóstico, ainda na fase inicial, e, assegurando que os conteúdos anuais sejam trabalhados, a criança consegue passar pela vida escolar de maneira não traumática.

Sobre a rede Tutores
Além do reforço escolar e do programa de tutoria, a Tutores conta com um programa que desenvolve bons hábitos de estudo. Os alunos são orientados a gerenciar seu tempo, reconhecer o estilo de aprendizagem, organizar o material escolar, preparar-se para provas, entre outras técnicas. O material oferecido pela Tutores facilita o processo cognitivo das crianças e as auxilia em suas dificuldades de aprendizado.
A rede atende a todas as disciplinas e níveis escolares, trabalha com uma visão multidisciplinar das necessidades de seus alunos e oferece aulas particulares, tutoria, cursos livres para o Ensino Médio, Superior, Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e para a melhor idade. Também conta com cursos preparatórios para o Exame preparatório do Ensino Médio (Enem), vestibular e concursos, além de aulas de Português para estrangeiros. Para mais informações, acesse: http://www.tutores.com.br/

*Adriana Guedes
Lucky Assessoria de Comunicação

Fonte: Edição Nº85 Jan/Mar 2017
Postado por: Diálogo




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