Onde nos chamam

Data de publicação: 13/07/2012

Uma escola estadual com 3.800 alunos, da periferia de uma cidade da Grande São Paulo (SP), sofria depredações e tinha os professores intimidados por um grupo de jovens que se intitulavam Turma do Poder. Quando a escola decidiu escutar as razões daqueles jovens, eles confessaram: “Nós não queremos destruir a escola. Lá é o único lugar onde cada um de nós é chamado pelo nome. É lá que encontramos os nossos amigos e paqueramos as garotas. Quando lançamos um tijolo contra ela, o que queremos quebrar é tudo o que nos exclui e não serve para a nossa vida”.

Esses alunos querem atrair a atenção sobre o fato de estarem do lado de fora. Clamam que a porta se abra para eles, pois esperam ser aceitos e reconhecidos, reivindicam o direito à cidadania e à educação, anseiam por uma porta de saída do espaço de violência e repressão em que vivem, querem conviver, aprender, criar cultura, expressar desejos e preocupações, ser orientados na dúvida e amparados no temor. Sem querer, eles comprovam que, fora da escola, facilmente o jovem é arrastado para a exclusão.

Em uma sociedade que favorece o ano-nimato e a solidão, os alunos sonham en-contrar adultos significativos em quem possam confiar, que os levem a sério e os apóiem em suas procuras e ansiedades. Com sensibilidade e afabilidade por parte dos adultos que formam a comunidade escolar, as incertezas, as expectativas, os desejos e os sonhos que tecem as histórias de vida e capitalizam as energias dos alunos podem ser canalizados desde o início do ano letivo, como fontes de motivação e de autoconfiança diante dos desafios educativos que surgirão

Atividades
Uma ótima estratégia de reconhecimento e humanização é construir com a comu-nidade escolar as normas básicas de boa convivência, usando dinâmicas que dêem a todos a chance de socializar as próprias convicções e contribuir para a ética na escola. Ao se sentirem reconhecidos e participantes, os alunos se consideram co-responsáveis pelo ambiente, deixam de ver os adultos como controladores e passam a vê-los como aliados e não só cumprem como defendem os valores assumidos coletivamente.

Como receber os alunos
Objetivo – Oferecer a cada aluno a experiência de ser reconhecido e valorizado como pessoa importante na escola, onde terá espaço e apoio para ser sujeito na própria formação cidadã.

Ações eficazes
• A volta dos alunos veteranos antes da chegada dos novos pode ajudá-los a reavivar a pertença à comunidade escolar e dispô-los a receber os calouros com gentileza e solidariedade.
• A decoração da escola com sinais de boas-vindas e talvez até um pequeno símbolo em cada carteira despertam no aluno a sensação de auto-estima, de ser bem-vindo, de pertença e de confiança em relação ao ambiente escolar.
• O uso de crachás de identificação pa-
atividadesra alunos, professores e servidores, nos primeiros dias, favorece a comunicação personalizada.
• A excursão guiada dos alunos novos pelo prédio, onde cada servidor explica o objetivo e a importância do próprio trabalho, desfaz temores e inseguranças.
• Na sala de aula, a apresentação do programa e dos objetivos de cada disciplina e a escuta de sugestões sobre a metodologia do trabalho fazem com que os alunos não só se sintam sujeitos do aprendizado, como desfaçam possíveis preconceitos.
• A clareza no método de ensino conduz da realidade cotidiana, nem sempre harmonizada, para a conquista do conhecimento e da cidadania.

Dinâmicas de integração
Lema da turma
• Cada aluno elabora, em uma frase, o seu maior desejo para o ano letivo.
• As frases são escritas no quadro e as palavras mais freqüentes, anotadas.
• A partir das palavras anotadas, se ela-bora um lema para a sala.
• O lema pode ser expresso artisticamente e exposto na sala. Pode representar a turma em todas as ocasiões.

Bandeira da sala
• Faz-se uma pesquisa sobre o significado das cores.
• Escolhem-se cores cujos significados
sejam importantes para a turma.
• Confecciona-se a bandeira com papel ou tecido e se escreve sobre ela palavras significativas. Por exemplo: paz e esperança (cores branca e verde).
• Pode-se escolher também um símbolo da turma e pintá-lo na bandeira.
• Todos os alunos podem assinar o nome sobre a bandeira em sinal de compromisso com as palavras nela escritas.

Pacto de ética
• Cada aluno pensa por algum tempo e responde por escrito: “O que eu posso fazer para contribuir com o bem-estar e o aprendizado da turma?”.
• Em trios, os alunos socializam seus pro-pósitos e elaboram um compromisso ético.
• Escreve-se no quadro o resultado do trabalho dos trios.
• Enumeram-se os compromissos de modo a comporem o código sobre o qual a turma faz um pacto coletivo de conduta.

Arca de diamantes
• Decorar uma caixa de sapatos em forma de arca do tesouro.
• Motivar o alunos: o diamante possui incalculáveis matizes. Conforme for movimentado, refletirá a luz de uma forma diferente. Porém não existe um diamante igual ao outro.
• Distribuir aos alunos papéis para que desenhem um diamante (se necessário, de-senhar um modelo no quadro).
• Em cada divisão do diamante, o aluno escreve uma característica pessoal: altura, cor dos olhos, cor dos cabelos, inicial do nome, roupa preferida, música favorita, religião a que pertence, quantos irmãos etc.
• Concluído o trabalho, os papéis são do-brados e os diamantes vão para a arca.
• Um aluno retira o primeiro diamante, lê em voz alta as características e tenta identificar o colega nele representado. Caso não consiga, é ajudado pela turma.
• A pessoa identificada será a próxima a retirar o diamante, e assim sucessivamente, até que todos sejam reconhecidos.
• No final da experiência, promover uma reflexão compartilhada: o que uma arca de diamantes tem a ver com uma sala de aula?

Mais luz
• Formar um círculo com cadeiras e escurecer a sala.
• Conversar sobre o que acontece quando falta luz em casa durante a noite.
• No centro do círculo, acender uma vela e deixar que os alunos a observem em silêncio, enquanto pensam na questão: onde falta luz, no mundo?
• Tocar uma música instrumental suave.
• Após algum tempo, passar a vela de mão em mão e pedir que cada um diga onde esta luz precisa brilhar.
• Finalizar com uma música à escolha dos alunos.

Fonte: Revista Diálogo
Postado por: Diálogo




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