Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial

Data de publicação: 13/07/2012

O dia 21 de março de 1960 ficou conhecido como “a matança de Sharpeville”. Em um bairro de Johan-nesburgo, capital da África do Sul, a po-pulação negra fez um protesto pacífico contra o apartheid (segregação racial im-posta pelo governo inglês, que vigorou de 1948 a 1990). A repressão aos manifestantes causou 69 mortes e quase 200 pessoas fo-ram feridas. No mesmo ano a Assembléia Geral das Nações Unidas instituiu a data como Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial.

A primeira cultura da humanidade

Estudos mostram que nas savanas da África, desde mais de 2 milhões de anos, seres inteligentes praticavam atividades de caça e coleta com instrumentos de pedra lascada. Em Olduwai (Tanzânia), foram encontrados vestígios do homo habilis de 1 milhão e 700 mil anos. É provável que há 1 milhão e 500 mil anos, clãs africanos já dominassem o fogo. Desde 110 mil anos o homo sapiens já habitava a África do Sul.
A primeira sociedade organizada social, religiosa e politicamente, há mais de 5 mil anos, foi o Egito, ao norte da África. A reconstituição das faces, por meio das máscaras mortuárias da rainha Nefertite e do faraó Tutancâmon (ambos do século 14 a.C.), revelou belos rostos negros. As pinturas dos templos, dos palácios e dos papiros egípcios retratam pessoas negras.

O continente mítico

A arte antiga cretense, ática, helenística e romana representava o africano como um ser quase mitológico, vindo das terras misteriosas de além-mar. Antes da escravização pela política mercantilista européia medieval, os africanos eram conhecidos na Europa como reis, embai-xadores e guerreiros. Eles passaram a ser vistos como inferiores, com a escravização, apesar de, em muitos casos, serem mais instruídos do que os brancos, seus pro-prietários.

A escravização em Portugal

O ato de escravizar vem do mundo antigo, inclusive dos próprios reinos africanos. A escravidão negra em Portugal é documentada desde 1436, quando, após a compra de marfim e peles, no norte da África, os marinheiros de uma caravela capturaram nativos e os trouxeram como “presente exótico” aos nobres portugueses. Desde então o tráfico de escravos intensificou-se até a metade do século 16, quando foi banido em Portugal e direcionado para o Brasil. Durante séculos a presença africana foi silenciada em Portugal. Só agora surgem iniciativas de resgate histórico dessa pe-quena porcentagem da população.

Africanos no Brasil, cultura e conhecimentos
Os primeiros escravos chegaram em 1532, com a vinda do governador-geral Martim Afonso de Souza e o começo do cultivo de cana-de-açúcar. Até o último navio negreiro, em 1855, entraram no País quase 5 milhões de africanos escravizados.

Essas pessoas falavam dialetos dos gru-pos lingüísticos banto, yorubá e jeje-fon. A língua banto formou-se há 2.500 anos, quando a metalurgia, a agricultura e a domesticação de gado representaram um incalculável salto cultural dos povos do ocidente africano. Novos vocábulos surgiram das atividades inovadoras, o que favoreceu a evolução desses povos para a organização social de reinados poderosos como os de Zimbábue e do Congo. As línguas banto trazidas ao Brasil mantiveram seu potencial de conhecimento e de organização.

Os africanos Ashanti, da Guiné, famosos ourives, foram destinados à mineração de ouro e diamantes em Minas Gerais. Eram os únicos capazes de reconhecer os minérios preciosos em estado bruto. A cultura muçulmana do norte africano, acrescida dos conhecimentos tribais, dava aos negros um significativo saber em medicina, astronomia, música, acrobacia, botânica e leitura do árabe. Nas cidades brasileiras, os escravos treinados em va-riadas habilidades, como até cirurgia, prestavam serviços, em benefício econô-mico de seus proprietários.

Formação da religiosidade afro-brasileira
Os cultos afro-brasileiros são resultado de uma miscigenação de dialetos. Pessoas antes desconhecidas entre si reuniram-se ao redor de um rito adaptado às cir-cunstâncias. Colocaram em comum as crenças e reelaboraram expressões do sagrado, nos limites possíveis, criando uma religião intercultural africana e afro-brasileira. Um dos modos de preservar o culto aos orixás foi reproduzir, em argila ou madeira, os santos vistos nos oratórios dos brancos, evitando assim a repressão destruidora sobre os recintos sagrados localizados, em geral, nas próprias senzalas. Outro modo de minimizar a repressão foi a conservação das crenças e dos ritos por meio de gestos, danças, cânticos de repetição, toques de tambores e alimentos, mais do que por meio de palavras.

Atividade interdisciplinar: De folclore a legado cultural
Questão real – Os valores culturais, éticos e religiosos afro-brasileiros são injustamente considerados folclore.
Objeto de pesquisa – O pensamento e a experiência dos negros a respeito de sua cultura e religião.
Método – Entrevistas com pessoas negras e pesquisa sobre a cultura de massa.
Campo de pesquisa – Residências de negros e centros religiosos e culturais afro-brasileiros. Análise do que é apresentado nos meios de comunicação.
Material – Para registro e anotação dos conteúdos (escrita, gravação, fotografia, filmagem).
Resultados – Demonstração do conteúdo pesquisado e das diferenças e semelhanças encontradas entre a opinião da comunicação de massa e a experiência das pessoas.
Debate – Reflexão na sala de aula sobre os dados e o levantamento de realidades, na perspectiva das perguntas: a cultura e a religião afro-brasileira são folclore ou são legados da cultura e do cotidiano do povo brasileiro?
Conclusões – Teórica, que explique a questão inicial; e prática, que aponte soluções.

Fonte: Revista Diálogo
Postado por: Diálogo




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