BUSCA

Notícias

Festa dos Santos Simão e Judas Tadeu – 28 de outubro

Data de publicação: 27/10/2022

No dia 1o de outubro de 2006, o Papa Bento XVI se dispôs a dirigir-se ao mundo inteiro para apresentar a figura dos apóstolos Simão, o Cananeu, e Judas Tadeu. Foi durante a audiência geral, na praça de São Pedro. O Papa dava prosseguimento a uma série de catequeses dedicadas ao grupo apostólico, iniciando-se por São Pedro, a rocha sobre a qual Cristo fundou sua Igreja. Terminaria com Judas Iscariotes e Matias, em 18 de outubro.

Disse o Papa:

“Queridos irmãos e irmãs:

Hoje, levamos em conta dois dos doze apóstolos: Simão, o Cananeu, e Judas Tadeu (a quem não há que confundir com Judas Iscariotes). Serão considerados juntos, não só porque nas listas dos Doze sempre estão juntos (cf. Mateus 10,4; Marcos 3,18; Lucas 6,15; Atos 1,13), como também porque as notícias sobre eles não são muitas, exceto que o cânone do Novo Testamento conserva uma carta atribuída a Judas Tadeu.

Judas Tadeu recebe este nome da tradição, unindo dois nomes diferentes: enquanto Mateus e Marcos chamam-no simplesmente “Tadeu” (Mateus 10,3; Marcos 3,18), Lucas chama-o “Judas de São Tiago” (Lucas 6,16; Atos 1,13). O apelido “Tadeu” tem uma derivação incerta e se explica como proveniente do aramaico taddà, que quer dizer “peito”, isto é, significaria que é “magnânimo”, ou como uma abreviação de um nome grego como “Teodoro, Teodoto”. Dele, sabemos pouco. Somente João apresenta uma petição que fez a Jesus durante a Última Ceia. Tadeu diz ao Senhor: “Por que te manifestarás a nós e não ao mundo?”. Trata-se de uma pergunta de grande atualidade que também nós perguntamos ao Senhor: Por que o Ressuscitado não se manifestou, em toda a sua glória aos adversários para mostrar que o vencedor é Deus? Por que somente se manifestou a seus discípulos? A resposta de Jesus é misteriosa e profunda. O Senhor diz: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14,22-23). Isto quer dizer que o Ressuscitado tem que ser visto e percebido com o coração, de maneira que Deus possa estabelecer sua morada em nós. O Senhor não se apresenta como uma coisa. Ele quer entrar em nossa vida e por isso sua manifestação implica e pressupõe um coração aberto. Só assim vemos o Ressuscitado.

A Judas Tadeu foi atribuída a autoria de uma das cartas do Novo Testamento que são denominadas “católicas”, porque não estão dirigidas a uma determinada Igreja local, e sim a um círculo muito mais amplo de destinatários. Dirige-se “aos que foram chamados bem-amados em Deus Pai e guardados por Jesus Cristo” (versículo 1). A preocupação central deste escrito consiste em alertar os cristãos sobre todos os que tomam como desculpa a graça de Deus para absolver seus costumes depravados e para desviar os outros irmãos com ensinamentos inaceitáveis, introduzindo divisões dentro da Igreja, “por seus devaneios” (versículo 8); assim define Judas suas doutrinas e ideias particulares. Compara-os, inclusive, com os anjos caídos e, com termos fortes, diz que “enveredam pelo caminho de Caim” (versículo 11). Além disso, tacha-os – sem reticências – de “nuvens sem água, que passam levadas pelo vento. […] árvores do fim do outono, sem frutos, duas vezes mortas, desarraigadas. São ondas furiosas do mar, que espumam as próprias abominações; estrelas errantes, às quais está reservado para a sempre o turbilhão das trevas” (versículos 12-13).

Hoje, talvez, não estejamos acostumados a utilizar uma linguagem tão polêmica que, no entanto, nos diz algo importante. No meio de todas as tentações, de todas as correntes da vida moderna, temos de conservar a identidade de nossa fé. Certamente, o caminho da indulgência e do diálogo, que o Concílio Vaticano II empreendeu com acerto, deve seguir com firme constância. Todavia, esse caminho do diálogo, tão necessário, não tem que nos afastar do dever de sublinhar sempre as linhas fundamentais irrenunciáveis de nossa identidade cristã.

Por outro lado, é preciso considerar sempre que nossa identidade exige força, claridade e valentia, diante das contradições do mundo em que vivemos. Por isso, o texto da carta continua dizendo assim: “Vós, porém, caríssimos, edificai-vos sobre o fundamento da vossa santíssima fé e orai, no Espírito Santo, de modo que vos mantenhais no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna. E aos que estão com dúvidas, tratai com misericórdia…” (versículos 20-22). A carta conclui-se com estas belíssimas palavras: “Àquele que é capaz de guardar-vos sem pecado e apresentar-vos irrepreensíveis e jubilosos perante a sua glória, ao Deus único, que nos salva por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor: glória, majestade, domínio e poder, desde antes de todos os séculos, e agora e por todos os séculos. Amém” (versículos 24-25).

Vê-se com claridade que o autor destas linhas vive em plenitude a própria fé, à qual pertencem realidades grandes, como a integridade moral e a alegria, a confiança e – por último – o louvor, tudo motivado pela bondade de nosso único Deus e pela misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo. Por esse motivo, tanto Simão, o Cananeu, como Judas Tadeu nos ajudam a redescobrir sempre e a viver incansavelmente a beleza da fé cristã, sabendo dar testemunho forte e, ao mesmo tempo, sereno”.


Saiba mais:

https://www.paulinas.com.br/produto/sao-judas-tadeu-2239


 

Fonte: Paulinas
Postado por: admin_editora


Compartilhe este conteúdo:



Comentários


Deixe seu comentário


Veja Também

Catequistas Brasil
Paulinas estará presente neste encontro que reúne milhares de catequistas de 3 a 5 de fevereiro de 2023

150 anos do nascimento de Santa Teresinha do Menino Jesus
Santa Teresinha, nomeada “Doutora da Igreja” pelo Papa João Paulo II, em 1997, possui grande influência mundial e será homenageada pelo UNESCO

Homilia do Papa Francisco nas exéquias do Sumo Pontífice Emérito Bento XVI
Praça São Pedro, quinta-feira, 5 de janeiro de 2023: “Bento, fiel amigo do Esposo, que a tua alegria seja perfeita escutando definitivamente e para sempre a sua voz!”

O testamento espiritual de Bento XVI
A Santa Sé tornou público o testamento espiritual do Papa Emérito Bento XVI

Morre Bento XVI
O papa emérito Bento XVI morreu em 31 de dezembro de 2022, com a idade de 95 anos, encerrando uma vida cheia de eventos de um clérigo que proclamou a “eterna alegria” de Jesus Cristo e chamou a si mesmo de “humilde trabalhador” na vinha do Senhor

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Final
Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados