BUSCA

João Batista Libanio

Teólogo de primeira grandeza, que nos deixou, com seu testemunho de vida e com sua reflexão teológica, uma riqueza de incalculável valor e de profunda atualidade.
Nasceu em Belo Horizonte – MG. Jesuita, mestre em Filosofia e doutor em Teologia pela Pontifica Universidade Gregoriana de Roma (Itália). Foi por muitos anos professor de Teologia Fundamental na Faculdade Jesuita (FAJE), e consultor pastoral da Arquidiocese de Belo Horizonte - MG.

Foi membro fundador e primeiro presidente da Sociedade de Teologia e Estudos da Religião (SOTER) e também membro fundador da Equipe de Reflexão teológica da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). Por muito tempo, foi vigário paroquial da cidade de Vespasiano – MG.

Dedicou-se à pesquisa teológica com uma vasta produção teológica publicada em livros, muitos deles traduzidos em outras línguas, e artigos em revistas nacionais e internacionais.
Repentinamente, surpreendendo a todos, Pe. Libanio partiu para a Casa do Pai, no dia 27 de janeiro de 2014, deixando, no coração de seus discípulos e discípulas, a dor da ausência e a saudades do mestre. Possuía uma inteligência privilegiada e soube coloca-la a serviço das pessoas que ele encontrava pelo caminho.
 
A capacidade de escrever era uma das muitas características do teólogo Pe. Libanio. Sentava-se diante de um computador e, logo, brotavam de sua mente privilegiada ideias transformadoras expressas em palavras carregadas de sabedoria. Produzia textos para quem os solicitasse, adaptando-se às mais diferentes linguagens de seus diversificado públicos. Seus textos constituem uma chave de leitura da realidade, nas suas múltiplas facetas, com o objetivo de formar consciências, em sintonia com a fé e o humanismo cristãos.

Reproduzimos, a seguir, alguns aspectos da Laudatio proferida pelo teólogo Edward Neves M. B. Guimarães, por ocasião da comemoração dos 80 anos do teólogo Libanio. Edward afirma que podemos atribuir ao teólogo Libanio muitos títulos: presbítero, vigário, professor, orientador de estudos, orientador espiritual, pastoralista, religioso jesuíta, assessor, conferencista, escritor, teólogo, mestre, doutor, sábio, testemunha, amigo, dentre tantos outros possíveis. Mas, o que melhor expressar, com fidelidade, a pessoa do Libanio: “mestre amigo”.

O termo mestre entendido como aquele que tem a autoridade reconhecida pelo testemunho coerente de viver o que ensina; e, sobretudo, como aquele que faz de sua vida e de seu labor um serviço ou auxílio para que o outro se eduque e cresça enquanto pessoa. Não se pode compreender um mestre, que faça jus a esse título, sem que este seja simultaneamente amigo, ou seja, que, como Libanio, cultive a proximidade, o cuidado amoroso, a ternura e o afeto pelos discípulos.

Como garante o teólogo Edward Neves M. B. Guimarães, Libanio foi mestre-amigo da formação intelectual.
Dedicou-se de forma incansável à formação de outros intelectuais: por meio do ensino, da orientação de pesquisa e elaboração de inúmeros subsídios. Nessa frente de trabalho produziu também grande variedade de frutos entre os quais merece relevo: a contribuição significativa na formação, orientação, estímulo, promoção e introdução à vida acadêmica de inúmeros teólogos (as), leigos (as) ou religiosos (as).

Libanio foi  mestre-amigo do fazer teológico e pastoral e do colocar-se na fronteira.

    Fez teologia no seio da Igreja Católica, amalgamando cinco características que dão identidade própria ao seu pensar:

1.    Teologia acadêmica e pastoral: inquieta e inquietante, brotada da práxis e para a práxis eclesial;
2.    Teologia dialética e hermenêutica: profeticamente esperançada, crítica e autocrítica, mas igualmente propositiva quando analisa e discerne na complexidade da realidade ideologias, cenários e tendências;
3.    Teologia profundamente dialógica em múltiplas direções:
•    para trás, com o legado da Tradição, e para frente, com os desafios de engendrar horizontes novos;
•    para dentro, com a Bíblia, os documentos da Igreja Católica e com as diversas correntes teológicas,  e para fora, com sensibilidade ecumênica e com as diversas ciências;
•    para baixo, enquanto acolhedora do grito dos empobrecidos, e para cima, enquanto alimentada pela espiritualidade inaciana e iluminada pela presença do Mistério de Deus;
4.    Teologia corajosa e criativa, à medida que assumiu o serviço de pensar a fé cristã nos desafios da “fronteira”:
•    O diálogo com as novas ciências e tecnologias;
•    As tendências e desafios do mundo dos jovens;
•    Os novos paradigmas da contemporaneidade;
•    A cultura internética e midiática;
•    A lógica da cidade e da pós-modernidade;
•    Os impactos das novas estratégias ideológicas do sistema capitalista de mercado;

5.    A teologia libaniana configura-se como teologia do caminho e no caminho, estradeira e companheira, sem medo de abandonar a segurança do estruturado para abrir-se ao novo, deixando mover-se pela coragem de voltar às fontes e repensar a sabedoria dos antigos no horizonte da cultura atual em busca de lucidez.

Libanio foi mestre-amigo do testemunho coerente da vida que encontra sentido no colocar-se a serviço do outro.
Quem conheceu de perto Libanio, percebeu de imediato as virtudes que ele cultivou. O teólogo Edward Neves M. B. Guimarães, destaca três dentre elas:

1.    Libanio conquistou equilíbrio entre a leveza e a presteza. Por um lado, cultivou o bom humor e a alegria jovial de viver, sua marca registrada; por outro, cultivou a busca constante do estilo de vida sóbrio, simples e com sentido, porque entendeu que vida plena significa, ao jeito de Jesus, “vida a serviço da vida”;
2.    Libanio entregou o melhor de si naquilo que assumia como serviço à missão. Para concretizar as inúmeras frentes de serviço em que se colocou, desenvolveu com maestria a autodisciplina, a tenacidade nos estudos, o discernimento das prioridades. Ele não perdeu o foco daquilo que se propôs, sabia o que queria e para onde ia;
3.    Libanio se tornou arguto pedagogo do cuidado. Conseguiu desenvolver profundo senso de respeito à autonomia, ao jeito e ao ritmo do outro caminhar e tomar consciência dos passos trilhados. Conseguiu escutar e acolher sem emitir juízos de valor, mas de modo tão jesuânico, que o outro, por experimentar total acolhida e entendimento amoroso, sentia-se interpelado a se tornar pessoa melhor;
Ao teólogo e mestre amigo nossa gratidão e reconhecimento pela concretização humana de “vida a serviço da vida”, referência interpelante pelas muitas lições de amor.

(Texto inspirado na Laudatio proferida pelo teólogo Edward Neves M. B. Guimarães
Belo Horizonte, 10 de julho de 2012
Compartilhe este conteúdo:



Espaço do Autor

Padre Agnaldo José

Alan Paiva

Tatiana Belinky

Thaís Rufatto dos Santos

Padre Cleiton Viana da Silva

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Final
Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados